terça-feira, 4 de agosto de 2015

TEMPLO DA ALMA

Encanta-me teu tom sereno menina,
Teu sorrir traz a forma oculta
Descendente minha,
E avizinha teu ser
Da minha alma.

Teus delicados traços contrastam,
Os dias quentes e a correria,
Que a vida alucina
Menina... A vida sozinha
Alucina.
Sei apenas que velo,
Tua viagem sendo
O castelo
O elo
O templo
E o ventre
Que te carregou.

Entre nós o materno vínculo
Suplantando minhas dores.
Tu colhes flores,
Faz som e paz,
Reformou meu jardim
E tornou terno
Nosso jardineiro.

Olha ao longe menina
As amorosas manifestações,
A delicadeza da rosa
A leveza dos que volitam
O frescor bendito
Das águas que te aguardam.

És mais qua minha metade
Ou a essência que me habita.

És a borboleta
Que transforma
O coração
De quem
Acredita.

domingo, 26 de julho de 2015

POEMA PARA VOVÔ

Querido vovô hoje é seu dia
Com imensa alegria mamãe escreve
Por mim. Eu que ainda sou criança,
Cheia de graça e pureza.
Em mim há a certeza da nossa amizade,
Uma afetividade que se nutre,
Planta viva!
Quero contigo correr pelos campos,
Andar a cavalo,
Fazer piquinique nos prados
E churrasco no almoço!
Comer bolo de tardinha
Recolher as ovelhinhas
E ver os passarinhos.
Minha mãe diz que sou rica
Cheia de avós e bisavós,
Uma florzinha com raiz.

Minha mãe deve ter razão
pois dentro do meu coração
Todo esse amor
Me faz
Feliz!



quarta-feira, 22 de julho de 2015

Sem decadência mas com elegância!



Tentando entender gente fútil
Inútil se faz a tentativa de os transformar
É pura utopia!

Prefiro o lúdico
Ao púdico,
A pureza
Ao artifício.

Ao desperdício de tempo com o raso
Resta juntar novos acasos, 
Refazer as teias
Nutrir novas ceias
Onde asas e luzes
Transformem-se em amplitudes.
Volitar ante o efêmero,
Às estátuas decadentes
Da hight society.

Mergulho no íntimo cintilante
No perfume cativante de um filho
Nas relações benignas
Nas pessoas amigas
No combate límpido.

Em dialéticas 
Que inspirem.

Pois a Elegância das duas uma:
Ou se tem de berço
Ou-a duras penas-
Talvez a vida ensine.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Futuro


Em frente ao espelho enfrento
Meus medos e desapegos
E se me esqueço do efêmero
Entre termos o céu cinza 
E a noite que me aproxima 
Da menina
Atrás do espelho.

Adormeceram os versos
Em berços
Esplêndidos.

Deram a lábios
Leite farto
E ambrosia.

Sim, a poesia cresce saudável
Já caminha pela casa
E atende
Por minha filha!

Renasceu em mim
A esperança
De dias que acontecerão
No tempo
Do amanhã.




domingo, 29 de junho de 2014

O maior amor do mundo


A minha vida
É ser o tudo
Dela.
Vejo o lúdico em seu riso
Poema no olhar
Que ela me lança.
Boba que estou
Perdi-me em versos.
É o significado
Da palavra amor 
Em meus braços, 
Lançando raios de luz
Na menina
Dos meus olhos.

Ser mãe poeta
É ter o melhor mote poético
Tirando um cochilo
Nos meus braços.

segunda-feira, 10 de março de 2014

POÇO DE SAUDADES


Ah eu sou só em mim esse alvoroço
Feito poço destilado no papel
Um esboço, uma saudade que se lembra
Ainda quando tudo que se queria
Era viver plena.
Feito arena, nesse palco que chamam vida
Uma partida que nunca se foi totalmente...
Permanece viva na mente, mensurando
A própria vida entre idas e vindas
Vida minha, e tua entrelaçadas no permanente.
Ah eu sou nessas horas solitária, feito estrela,
Um brilho dolorido por não vê-la
Um colorido perdido apagado da centelha mãe.
E não faz pouco, faz eras que nesta esfera
Tão dinâmica uma querência oceânica
Tem nome, tem um buraco no peito.
Não, não tem jeito sabemos...
Nascemos e um dia morreremos
Como se nem tivéssemos vindo,
Se não estivermos evoluindo
E reconstruindo essas faltas
Dos amores dados e eleitos.
Em minha mente ela senta ao meu lado
E recolhe as lágrimas que ainda rolam
Desafogando o coração, colhendo o soluço
E plantando o futuro, ainda que regado
Da água salgada

Naqueles braços
E naquele colo seguro.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

REPLETA DE GRAÇA



Sob qual anjo e qual lua
Nascerá a menina dos meus sonhos?
Neste tempo quase cabalístico
Onde és detentora de 33 semanas
E da minha vida toda.
Ouço em meu corpo teu soluço
Em meu pulso o teu batimento
No meu contentamento quase convulso
Tranquilamente serei apenas o solo
Do teu nascimento.
Serena...Serenata que te aguarda,
Enquanto brincarás de encanto
Junto ao meu violão.
Repetindo as cantigas
Que ouvistes no ventre
A voz materna em oração.
Sob qual hora e sentimento
Haverá de se dar o desabrochar da flor?
E assim serei aquela a verter
O teu reconhecimento
Diante do mundo
Que já te espera

Repleto de amor.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

8º mês



Quando imaginaria que tudo passaria depressa,
Que a vida pregressa seria apenas um preparo
E que em meu amparo havia uma linda taça
A preparar-nos um mundo tão cheio de graça!?

Que o licor do amor adoçaria minha alma
Tão calma quando eu mesma era criança
E que a esperança coloriria meu dia,
Serenado por doces lembranças?

Sim ainda falta tempo para que eu veja tua face
Nesse enlace que temos de mãe e filha.
Em sonhos que já te encontro e amamento
Neste tempo terno de ternura.

Em mim te sou flores de pétalas macias,
Em mim tu és a poesia dos meus dias,
O amor menina que me arranca lágrimas
De cristal.

Cresce pequena, cresce
Que o mundo no outono te espera,
Numa era nova somos tua família
E tu já és nosso amor mais que especial...


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

EMPODERADA

Eu poderia falar do tempo, da paixão que já vivi ao relento,
Quando brincava com fogo em minhas mãos,
Das madrugadas que não dormia por dor, e que - ressentida
Fizeram que eu partisse e só retornasse pelo teu amor.
Eu poderia recordar alguns anos sombrios, quando calafrios
Faziam parte das minhas angústias, me prendiam, sufocavam
E a boca amortecida calava -  eu me via ali ferida viva e feria
Como o vento cortante que amortecia em alguma latrina.

Caminho hoje entre águas, sem mágoas ou ressentimentos
Fiz as pazes com o sublime dos ventos, reneguei escritos.
Deleguei o fogo aos aflitos, fiz-me senhora das minhas decisões.
É explícito que meus dias são feitos de paz, essa sequiosa
Dos beijos da tez de jambo.
Hoje eu não ando, eu flutuo apesar da forma,
Da candura que me contorna,
Desse corpo transformado pelo milagre da vida.

Eu poderia trazer algum eu lírico, como tantos já vividos,
Nas linhas que contornaram a minha desilusão comigo,
Recorrer a algum amigo e falar de algum arrependimento,
Dos lírios dos campos que ainda restam ser vistos.
Mas eu hoje sou só o espelho do desvelo que trago dentro,
Quando reflito o amor que recebo além do tempo,
Livre da obsessão de um futuro que eu nunca soube se seria vivido
Eu hoje me contento com o meu cotidiano, meu mágico agora!
Meu divino!!!

E espero que possa vivê-lo  a cada segundo
Na intensidade sublime, senti-lo!
E que  eu não me resuma a regras determinadas
Ou que use a desculpa do destino
Que já sou bem mais do que esperava
Quando pensava que controlava o tempo

Escondido num sorriso de menino.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

MARLI

                                                              (Minha mãe Marli e eu)

Seria ela uma anjo disfarçado, passando rápido por este plano?
Ou era meu  o engano de assim pensar só porquê ainda a amo.
Talvez eu use a figura do tempo, esse que parece voltar além de nós,
E que alguma voz da minha infância seja o pêndulo
A dizer que nunca estamos a sós.
Ainda através desse cordão umbilical, sou semente fruto do amor,
Brotando minha própria corrente,
Semeando tal qual uma flor.
De quando em quando ainda me pego
Recordando, apenas recordando...
Das tardes de cachoeira, dos natais abençoados
Das páscoas com ninhos e coelhinhos,
Das festas juninas e demais feriados.
Da sua simplicidade instigante
Do seu sorriso adorável...
Dos instantes que ainda tenho claros
Dos ensinamentos que restam tão caros
De toda a  doçura e do riso,
Meu peito é apenas a pista de pouso
De um sentimento que jamais foi embargado.
Das certezas que trago na vida,
Sempre estivestes ao meu lado,
Mas  permaneces mais que mãe e amiga,
Segues como meu lindo anjo disfarçado...


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

30 SEMANAS



A semana é longa,
O dia ainda nem começou e meu sonho
É suplantar o tempo. 
O mês que virá poderá ser como este,
Rápido! Ainda que eu imaginasse lento.

Virando horas e brincando com seu tempo

Uma menina em minha barriga,
Imagina-se em um jardim de flores - talvez
Assim como a mãe dela imagina a vida.

Algumas coisas ainda precisam ser arrumadas,

Inclusive uma dose extra de força,
De calma e de inspiração na estrada...

Não, não é fácil  - nem mesmo difícil, 

Apenas único quando é com  a gente
Viver cada etapa de uma espera,
Com suas incertezas e dúvidas frequentes.

De certo em mim apenas o amor que vivo

Uma entrega ao que pouco domino
Uma necessidade a qual denomino
De estar em paz e aguardar
O maravilhoso despertar do amor
Que em breve irá nascer.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

6 MESES



Em teus poucos centímetros
Residem meus sentimentos
Mais íntimos,
Incidem as graciosas luminosidades
De verdades que redescobriremos
Juntas.
Já se passaram tantas luas,
E outras tantas serão do nosso porvir...
E já estas tão aqui - ainda que no teu preparo
No teu crescer  - em meu amparo
Que sou puro açúcar derretido por ti.
Redobro os sorrisos no meu despertar
Redobras tuas forças nesta jornada
Sou o fio de prata que te traz à terra
És o fio de ouro que me faz apaixonada!
Já se passaram tantas luas
Quais serão os sonhos teus
As aventuras tuas?
Nesse berço que te sou hoje
Na oferenda da minha proteção
És tu que me devolveu a esperança
Quando te aninhastes a favorita

Princesa do meu coração...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

22 SEMANAS



Nesta caminhada, tu e eu,
Antes eu e o nada...
A estrada vestiu-se de flores
Meu ventre apossou-se de amores
E os candelabros suspensos
Aguardam serem a luz do nosso baile.
Meus olhos são teu profundo berço
O começo ainda que no futuro
Quando o destino seguro der-te a mão
Eu ainda serei refém do teu sorriso
E tu a guardiã do meu coração.
Entre nós ainda o tempo,
E todo sentimento tão próprio
Que acompanha a desejada espera.
De tantas eras em que o mundo caminha
Tu singela filha minha
É o acontecimento maior
Do meu espírito.
Saída dos meus sonhos mais puros
Na delicadeza com que te nomino
A razão além de qualquer desatino
A loucura mais doce de alguém
Que a vida gera,
Meu milagre,
O poder,

A redenção!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

PARA ANA AMÉLIA



A todos os pseudo amores
Que me fizeram pensar que o amor
Um dia tive, digo sem pesar do meu engano
Posto que hoje, enfim, o amor em mim vive.
De fato é o amor que me ilumina,
Essa menina, filha do sol, afilhada da lua
Que me nina, pequenina, e me desperta
Aurora pura.
Da vida quase louca, corrida que me permeia
Tudo deveras fora um castelo de areia
Antes desta existência.
A todos os quase amados
Sem enfado resta em mim guardado
A lembrança
E o exercício da ternura.
Nunca amei antes,
Com tamanha intensidade
Como já amo minha filha
Pedaço de mim e do meu amor
Essência da mais sublime
Doçura.
(Mamãe)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

ENQUANTO TE ESPERO



Discípulo da ternura é amor, aluno e professor ensina-me a viver, a me reconstruir aos poucos mais serena, pacífica nas pequenas coisas, guerreira no que demanda vigor. Eu que hoje caminho lentamente, que me ergo com delicadeza e cuidado vejo na vida que sou e a que levo um grande ensinamento.

Todas as memórias acalentadoras que trago foram importantes para que nesta fase da vida eu me visse com plenitude no espelho do tempo. Amo meus sinais do tempo, não tenho qualquer vergonha dos mesmos. Os aceito como parte de mim e do todo que se manifesta na minha existência.

Meu corpo que não é mais o mesmo celebra a vida. Ultrapassei a estética do instante e, constante aceitei cada mudança necessária nesta busca de "nós".

Pego-me divagando pequenas coisas, antes sem sentido, e que hoje incorporo como etapas do meu porvir.

Eu aguardo quase pacientemente a chegada da luz, eu rogo braços fortes que embalem sonhos, eu oro para que o maior de todos os tesouros me receba, assim como eu já o recebo em profunda gratidão para com o universo.

Mas sei que o amor que hoje vislumbro é parcial, que esta em formação e promovendo uma transformação que eu já havia ouvido falar, mas que jamais havia experimentado.

Tudo que eu concebia como sendo amor parece ter sido uma certeza momentânea, dessas que fez sentido por algum tempo, mas que a vida que vivo agora aponta como sendo relativo, um conceito que se tornou insuficiente quando penso no amar que, enfim, dure.

De tudo que ainda não sei, mas que aguardo é que o amor ultrapassa a eternidade, e que te aguarda no meu peito, no maior de todos os gestos de infinita ternidade.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

DAS CAUSAS E DOS EFEITOS



Desses dias meio parados e azedos
Dos cheiros que me chegam estranhos
Do frio sem razão
Dos tamanhos
Dos medos
Do descontrole que me rodeia
Eu espreito o semblante do tempo.
Como sempre ele me pede mais paciência
Que eu divido em:

(PÁz+CIÊNCIA)

Essa arte de me desligar das  causas
De tentar controlar os efeitos.
Eu mudei a minha forma de ver a poesia
De sentir que o sentido precisa ser claro
De tentar desvendar enigmas.

Eu não desafio o tempo
Eu não construo templos
Nem faço apologia.
Não posso dizer do vazio da noite
Que agora durmo
Não posso dizer da solidão do dia
Que agora tenho companhia.

Que dizer quando não se tem nada,
Quando todo exercício intrínseco parece
Forçar a pseudo intelectualidade que inspira?

Meus pensamentos já soaram liras
Já entoaram paixões
Já mataram amores
E ressuscitaram razões.

Meus pensamentos já atearam piras
Já fomentaram dragões
Além de figuras
E me apaziguaram na ciência
Que construo

Sem teoremas ou regras rígidas. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Devaneios



Eu que por hora sou feita de sonhos, daqueles que não imaginava que poderia criar, eu que embalo uma porção do infinito, a qual já não suponho viver sem amar, eu sou um ser entregue na providência superior e apenas espero... Espero que as noites cheguem mansas, que acolham a doçura das crianças que brincam inocentemente de fazer comidinhas  num quarto ou na sala de estar. Eu que recrio em mim um pedaço do universo, uma rotina de candura além de versos, que priorizo minha condição como uma graça de vida sigo brincando de ser estrela. Em mim essa constelação que parece entender minhas imperfeições e que contempla o divino, o essencial, a inspiração como uma ligação sublime com algo maior que nós. Assim, feita de metáforas e figuras, semeio pontos de luz que sustentem além das alturas, no aconchego do meu ventre, onde o amor há de ser maior que meus anseios, a repelir as sombras e os buracos negros. Perdoe-me a imperfeição deste cenário, o lúdico que em mim desde sempre trago, é que sou feita...De Sonhos. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

SEGUIR ADIANTE




Via-se mais como um espectador de um recital enigmático feito em prosa lírica do que como um eu guardado e emoldurado...
Quanto de si ainda era fruto do passado, quanto era o desejo de se tornar algo que ainda não tinha...? Entre os breves momentos em que sabia-se mais ser do que ter, nessa transitoriedade, ordenava-se pelos pequenos fragmentos do dia.
Uma estrada que mais tarde viria, o vinho que beberia, o sono no leito eleito. Ainda assim tomava certas formas mitológicas internamente, sem transparecer ausências.
Parou de se cobrar resultados a longo tempo. Ficou evidente demais saber do amanhã quando o desfecho do hoje ainda não foi escrito!
É tão inverídico planejar, viver restrições que na realidade são reflexos sociais, quando aquilo que realmente nos dá paz é simples. O eu, o tu, o nós, essa voz que arrebata chamada consciência não pode ser moldada como se fossemos produtos fabricados em larga escala.
Nesse palco em que nem sempre a sinceridade pauta os atos, em que o status é exacerbado a essência única de cada um transbordou-me a forma pronta e reordenei espaços.
Não, não mudara o estilo do meu pensamento, apenas verteu uma escrita que passou a ser livre, sem máscaras metafóricas além do necessário.
A alma passou a ser soberana até das dúvidas, porque as certezas não traziam tranquilidade. A brevidade de tudo é clara e não assusta. A impossibilidade de mudar, para melhor ou para pior sempre foi o maior pesadelo, o entrave no processo de evoluir.
Aquilo que parecia ser clichê - de que as pessoas são o que são continuava a provar-se ser clichê.
Cada coisa tem seu lugar no espaço apenas por um tempo. Para que perpetue o seu valor e seu reconhecimento precisa desconstruir-se, reparar falhas, falas...
De tudo que habita o ser, da mística velada, da moral, a ideia de plenitude temporal do agora deveria ser uma constante, sem imaturidades ou impulsos incoerentes.

Mudar nem sempre é melhorar, ainda que às vezes sejam processos idênticos em suas causas e efeitos, o fato é que nada permanece inalterado quando verdadeiramente passamos a conhecer a nós mesmos.

domingo, 7 de julho de 2013

QUASE ONTEM



A face pintada ao tempo do riso,
Quando no dia ímpar
Meus pares eram o paraíso.
Uma chama em forma de fâmula,
A sede dos tempos.
Preciso ouvir as canções
Da minha mocidade,
Olhar a verdade das paixões
Sem veleidade
Reconhecer que a verdade é posta
Apenas quando não se busca resposta
E que a fantasia é parte da carne
Que arde.

domingo, 9 de junho de 2013

SIM




Se ambos nos amamos e este amor há anos
É razão de estarmos juntos, deita hoje 
-Sem cerimônia em meu colo meu amigo.
Que se digo que a vida precisa ser simples
Leve como uma tarde de domingo
Seja breve - então vem,
Que o tempo é o medalhão
Que carrego no busto
Um artefato
Medidor de agoras.

Se ambos nos queremos e nos inflamamos
E não não existem mais enganos
Nem restamos mais aflitos
Faça um futuro comigo, beba da minha taça!
Dá-me a graça de ser teu abrigo,
Abre tua alma sem reservas
Libera-te das catervas da existência!
Semeia o grão do infinito,
Faz do presente um filho
Renega a velha paixão
Transforma-te em meu fim.

Que se por ventura 
Alguma vez fui teu não
Mil nãos são quebrados 
Por um único sim.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O TEMPO CERTO


Era preciso tempo para acalmar.
Redescobrir os sonhos sem esquecer do presente.
Saber que no caminho as dores havidas
Não diminuiriam as pequenas vitórias.
Era preciso deixar de querer.

A paixão esvazia - é o amor que faz história.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

CÓDIGO DE BARRAS






Hoje só queria um poema de alívio,
Que celebrasse a alegria implícita
Do que não digo.
Que disfarçasse o riso explícito
Desse caos que me rodeia.
E não encontra indícios que me chateia.

E assim pudesse, quem sabe,
Ter coragem de ler os livros que ainda não li
De abordar as minhas ideias de forma mais concreta
E de fotografar o instante
Pela minha objetiva.
Não, não me rotulem a um único estilo
Que não sou passível de síntese
Nem uma fileira de símbolos
Desconhecidos.



quarta-feira, 15 de maio de 2013

HORAS VAZIAS



Minha face escura esta dormente.
Quando acordada mente para minha face clara,
Fala que a felicidade é cara,e que raramente existe luz
Uma luz sábia que me redima da hipocrisia.

Eu que não domino o esvair do sonho, 
Mas também não sou dominada por ele,
Apenas fito esta alternância de sedes,
Essa redes que imaginam me prender.

Nada mais oblitera meus selos.
Criei um mundo em que mesclando
Medos, tempestades e um arco-íris
A cor final é da minha íris,
E da minha boca 
Aflita no teu silêncio.

As horas, as horas apenas nos contemplam.
Magníficas guardiãs cortantes e dilacerantes
Daquilo que se chama tempo.


quinta-feira, 2 de maio de 2013

QUADRO DE AVISOS




Sinto sua falta. Não sei seu endereço, telefone,
Apenas sei que existi num espaço curto de tempo em sua vida.
As coisas tornaram-se mornas, os dias curtos, as desculpas mais elaboradas.
Nada que se diga supre a minha falta em dizer que você ainda é parte de mim.

Muita coisa aconteceu comigo,
Fiz novos amigos,
Viajei por mil lugares
Levei você na lembrança.

Mas nada disso basta.
Quero que venha,
Que divida sua existência
Se você quiser.
Prometo reciprocidade e cumplicidade.

Não me resta muito senão o seguinte:
Publicar nesse pedaço de jornal
Com algum requinte o meu endereço:
Rua da Saudade.

terça-feira, 23 de abril de 2013

CONFUSO-O AMOR




O amor lavou-me em lágrimas de abandono
Sem sono, sem dono, sem dolo
Fez um preâmbulo de adeus
Sem Deus, sem nada, sem vento, sem lamento.
O amor tirou a folga do tempo, ele voltou indeciso
Não sabe dizer o que sente. E, por isto, talvez sinta.
O amor partiu os papéis, em sereno modo
Regou um jardim inóspito que virou oásis.
Era um calmo prodígio, e mesmo sem saber
Quem era, ainda que o fosse mestre, dizia-se aprendiz.
O amor já andou por Paris, passeou por Roma
Levou-me em meio a lama de papéis e talvez
Quando retome sua lucidez
Leve-me consigo a um elevado sentir.
Ele fala pouco o amor.
Magoa muito, mesmo sem querer.
Displicente, demente, silente
Tem uma essência de pureza
Um sexy appeal que arrebata.
Por vezes mata, e, na lata, seja
Tão louco por amar
Quanto eu.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

PLANO DIVINO




É certo que Deus me guarda algum plano divino,
Que meu destino esta em minhas mãos, mas o mapa,
O caminho foi indicado para meu esclarecimento.
Por mais que não existam tormentos em mim,
Pacificada na quietude do meu ninho, sou ave
A planar por esclarecimento.
E para meu entendimento criou-se o tempo,
O modo que o Pai me explica o que não compreendo,
Que inspira os remendos do espírito ferido,
O remédio das minhas chagas,
O antídoto para minhas mágoas,
E um rio novo que leve o veneno chamado saudade.
Enquanto divago nos planaltos, sei que Ele do alto me vela.
E que não existe cela, pois sou livre.
Hoje compreendo que se permaneço é porque ainda teço
Uma trilha própria além do que vejo desenhado por Deus.
Ele me deu esse arbítrio, pois desenhou apenas o início
Da minha saga, tendo deixado para mim
O poder e o direito
De escrever meu próprio fim.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

MEU ESPÍRITO




Um cenário exuberante é o meu espírito,
Observador, é o amante do tempo, ínclito
Em todos os caminhos que trilha, solícito
A toda alma verdadeira que se aproxima.

Dança ao som do infinito que semeia,
Como se violinos e flautas fossem parte
Da sinfonia da vida que em algum lugar
Aguarda a minha chegada sem partida.

Meu espírito teme, mas persevera, sonha,
Evoca alguma força maior que ele mesmo
E se rebatiza a cada manhã que se inicia.

Entre lágrimas e sorrisos não perdeu a esperança
De que o paraíso esteja logo depois daquela esquina
E se vê diante do espelho, num corpo de mulher
Com a alma de menina.

terça-feira, 16 de abril de 2013

A PAIXÃO DAS ESTRELAS




Das favas do céu que em ti derramo, o doce na minha boca,
Da mais louca fantasia que de mim tu dispas, o ramo lúcido,
Sou a noite quista no teu corpo, o tom que te harmoniza.
E se és poesia eu sou a tua poetisa, se tu fores canção eu serei a tua voz
E se existe nós além dessa brisa,
Perceba que minha pele hoje de ti precisa.
Nasci da ponta de uma estrela, numa madrugada certa
A escuridão do teu ser antes deserta, restou desperta
Nos labirintos do meu corpo de luz. A lua era vermelha,
A vida era centelha e corria a teu encontro.
Levei-te sem que me pertencesse, ou aquiescesse a entrega,
Da lâmina cega que fez o corte - o pacto de sangue,
Guardei-te a lembrança iluminada das fontes, que lavaram-te
Das distâncias intransponíveis erigi as pontes, que selaram-te
Os perfumes e os enlevos...O vigor do vinho, que bebes-te por fim.

O verso é o segredo que te transporta ao meu leito,
Feito de um terno peito amante e amigo,
Onde teu elo comigo não sabe encontrar fim.

Que se do calor espacial do meu corpo
Tu te apartas, nada te fartará só meu cheiro de jasmim.
E se tuas horas sem mim são tão vagas,
No devaneio de um encontro próximo que te traga
Venha apenas se não quiseres te apartar mais de mim.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

ROCOCÓ




Amei e amo sem dó. Em gala me aprumo, na sala me arrumo
Lindamente ainda que só. E se o baile me pretende, se a vida
Me desprende de seu nó, dando guarida a felicidade -essa voz,
Canto nos campos áureos o som do meu próprio gozo- pomposo
Ser que me acompanha na sanha da época da luz.
Enfeito-me, dama e bailarina, mulher e menina,
Deleito-me com as formas do espelho, o batom vermelho,
E o sim de mim a ti derramo enquanto arranho a melodia
De um bandolim num violino que aceita meu devaneio.
Amei e amo sem dó, escrevo mil cartas de amor,
Entrego-me na pureza da flor - que encontra a abelha
E que sabe que a centelha do amor não se apaga.
Amor que é amor não divaga, transforma a saga
Da existência e do ser...Evolui o estilo-lapida-se.
Amei e amo sem dó, sem clemência ou truculência.
Apenas preparo o solo, acolho meu pó
E flutuo com meus pincéis de ternura.

Delicadamente tão rococó,
Perfilando os meus desejos,
Que ei de satisfazê-los- porque
Amei e amo
Sem dó.

quinta-feira, 21 de março de 2013

TATUAGEM


Tatuada em minha pele
Marcas inexplicáveis de ti.
Uma ilusão que não sorri
Só moderação me impele.

Preciso escutar-te mais

Rever o que tira minha paz
Tornar a ser profana e santa
Como essa sede voraz que se planta...

Na tua retina as impressões indeléveis de nós

As ramificações distantes da mais singela
Caricatura.

Meu lado frágil e que se compraz

Além do desejo voraz
De encantar-te pela ternura.