domingo, 24 de janeiro de 2016

UM POEMA DE DOMINGO

Quanto tempo nos restará antes
Que se ergam sobre nós os oceanos?
E que nossos enganos nos cobrem
Acertos, enquanto estudamos
Um meio de desmaterializar o destino?
Existe ainda vanguarda no sopro
Que reverbera o meu espírito
Ou sou réplica
De um consensualismo banal?
Será possível
Suplantar minhas próprias expectativas
Incrustando realizações,
Além da ansiedade e do desassossego?
Como alguma graça metafísica
Traduzindo novas premissas
Antes do derradeiro descortinamento!
Quando, por fim, eu apazigue
Sonhos e cada um
Dos meus desvelamentos.
E eu viva mais aqui e agora
Plena entre o que fica
E o que jogo fora
No eterno ciclo do refazimento.

domingo, 10 de janeiro de 2016

QUASE HORA DE PARTIR

Vida cheia de retornos, assim somos,
Mais que frutos do nosso meio, creio,
Somos produto da nossa intenção...
O tempo passa além de nossos veios
E as estrelas, testemunham ceias
Nas quais se bendizem orações...

Permeiam assim em mim evoluções
Que reluzem meu sonho nascedouro
Levo na mala lembranças do sonho,
Relíquias dos antepassados, escudos
Que meus traços claros deixaram
Para minha semente filha do novo sol.

Já sou lágrima antes da despedida
Abandono antes da partida
Saudade dessa e de outra vida
Chuva a cair sem descanso.

Sou flor caída de uma tela antiga...

Meu único alento é saber de onde venho
Que tantas casas carrego no senho
E que em minhas mãos
Repousa minha morada.

E minha filha, feito eu
Andarilha
Percorre comigo
A mesma estrada...

(Tela à óleo por Mirian Marclay Fraga)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

BORBOLETA NATALINA

Quando a ternura descansa em minhas mãos e meu coração se esvazia, talvez eu possa me entregar ao que chamam de espírito natalino. Não aprecio os extremos de nenhuma data, quer seja o consumo desenfreado ou a total alienação sobre aquele dia. Gosto mais da serenidade que cada coisa, pessoa ou dia refletem em minha alma do que o impulso automático e imediatista. Acho também piegas quem tudo enaltece ou critica. Essa espécie de conflito transparece algo meio que entalado na garganta. Uns não gostam do Natal porque lhe traz recordações amargas ou um bocado de saudade. Uma saudade irremediável. Intransponível.

Somos feitos dessas saudades mais do que gostaríamos. Saudades de tempos, pessoas, instantes inatingíveis. Tenho dentro de mim ao menos três grandes saudades que me deram vida, educação e princípios. E pelo menos uma delas adorava o Natal. Fazia enfeites de cartolina com cera de vela e tingia com spray suas obras. Ensinou-me a fazer velas com aquelas bolas que adornam árvore de natal e guirlanda com materiais simples. Esta saudade se chama mãe. Meu consolo, meu único consolo é saber que um dia ainda que distante iremos abrir nossos corações e presentear-nos além das lágrimas e dos anos que se passaram após nosso último natal juntas neste plano. O tempo cura quando a alma assim procura.

Percebo, por experiência própria, que a solidão, quer seja pela saudade ou pelo desapontamento é um grande fator do desgostar natalino para alguns. E os compreendo. E os acolho no sentir, pois assim pulsou em mim por tanto tempo...Um tempo em que eu não esvaziava meu coração, mas o entulhava de desculpas e culpas. Em que meu julgamento era superior e que eu me isolava por imaginar ser incompreensível meu próprio ser.

Distância, saudade, desapontamento. Esses sim são os verdadeiros fantasmas natalinos que precisam ser iluminados, lapidados, curados. Julgar não eleva, não causa evolução. É preciso coragem para sair do casulo, para ser borboleta e se dar novas cores. Essa permissão a novos amores, novas histórias é que modifica o significado destas datas.

O novo sopro de esperança a me fazer reapaixonar pelo Natal foi minha filha. Ver como ela adora essas pequenas luzes, como se sente feliz em festas e dançando, sentir sua meiguice e inocência diante de tanta coisa nova.

De como vê uma sacola e diz "pesenti". Não no sentido consumista, visto que um bebê de 1 ano e 8 meses desconhece isto. Seu maravilhar é com a surpresa que se guarda dentro do embrulho, assim como guardamos tantas dádivas e presentes dentro de nós.

Este foi o meu gatilho-a maternidade- para transpor a cortina do isolamento. A crer no sentido metafísico que esta data precisa ter.

Nesta esteira idílica e nada utópica onde a riqueza é estar feliz mesmo sem esperar presentes, mas na alegria de presentear, surpreender e revolver beneficamente o ser amado com a própria presença, carinho, afeição e acolhimento, que acredito que cada um de nós que se sente não incluído nessa coisa natalina possa ser abraçado, possa  ainda se sentir amado, encontrar uma razão para estar feliz e ser completo.

Nunca iremos apagar a saudade. Talvez possamos encurtar distâncias, encontrar novas pessoas bacanas que façam a vida valer a pena pela partilha sem substituir quem já foi, mas oxigenando a alma nesta vida.

É tempo de metamorfose, de destilar esse mundo que passa por nós e nos deixa marcas. De escolhermos nossas asas, com purpurina, música, poesia, risos de crianças...De se dar ao direito de mimos mínimos...E máximos!

A figura natalina mais antiga de que me recordo era uma manjedoura trazida dos EUA pela minha bisavó. Eu ajudava minha mãe a montá-la todos os anos com seus personagens ao pé de um pinheirinho.
Eu adorava fixar a estrela de Belém no preguinho que ficava no telhado da manjedoura sinalizando que ali estava o Amor na figura do salvador.

Com o tempo esse presépio se perdeu. Tantas mudanças, casas, pessoas indo e vindo. Fiquei borboleta sem estrela...

Então a luz de uma outra Ana, menina,  tornou-se minha estrela de Belém, como aquela que brilhava no céu quando o grande profeta nasceu.

Procure a sua estrela pessoal. Ela brilha dentro do céu do seu eu. Ela aguarda pela pequena borboleta que acabou de renascer...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

VOLTA LOGO

Talvez seja a distância, derradeira figura piégas,
Muito mais que tema e motivadora de entregas
Inimagináveis.
Tecelã indefectível entre pontos amantes,
Fomentadora de doses de saudade cortantes,
Seiva que bebo da boca cativante.
(Feito absinto)....
E aquilo que não toco imagino.
Desatino num rompante lânguido
(Quase cálido)
Do ato de amar a  ser revivido.
Enquanto te escrevo ouço
Um sopro de alguma gaita que ecoa,
Em algum arranjo simples e banal.
Não preciso de lindas sinfonias
Para escrever que meu desejo
Tem teu nome.

Estremeço em recordar que tua tez
É o alimento dileto,
Da minha fome...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

ROTINA

Quero a paixão de sóis
Feito estrelas que colidem.
Quero o palpitar dos corações
Ansiosos que saltam
Pela boca.
Quero o perfume das maçãs
Do rosto do meu amor
Nas tramas de algodão
Que me aquecem.
Quero que meu amor
Conheça da saudade
Essa súplica silenciosa
E inquieta em meus olhos.

Gosto mesmo é quando
Meu amor senta-se a meu lado,
Na sala e fala do seu dia.

Sem juras, sem máscaras
Sem pressa.
(Nestas horas o vazio do universo
Se dispersa)

E ultrapasso
Os limites
Da criação.

domingo, 13 de dezembro de 2015

POEMA ENTRE MÃES E FILHAS

De todas as saudades que me embarcam
Em alguma nave, nau ou carruagem,
Há uma Ana, cuja imagem dentro de mim procuro.
E se o choro seguro, no recorte ancestral,
Sou água e sal vislumbrando o passado.
Bolos e doces numa cozinha pequena,
Mesas de baralho e drinks bacanas
São Anas , Marlis  e Verônicas
Algumas das senhoras e meninas
Que me amam em silêncio.
Quantas de nós ainda seremos lembradas,
Mais de um século depois do nascimento?
Quanta sede trará  a falta desse matriarcado
Que ainda enfeita as nossas paredes?

Talvez daqui a cem anos, eu seja contada,
Por uma anciã que hoje é menina
Como uma saga que se reinicia no
Tempo do amor que nunca termina.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

UM AMOR SEM PUDORES

Sou um amor em construção
Tenho meu próprio ritmo,
Desconheço ainda meu princípio
E os limites do teu ciúme.
Sou um sentimento de início
Um vício bom como de chocolate
Um compasso que bate
Vermelho escarlate.

Sou a clareira após o precipício
O véu que cobre os teus pudores
O amor maior de todos os amores
A dama coberta de flores!

Sou um amor além dessa imagem,
Dessa viagem que se  chama vida,
Quando a partida é a batida da ilusão
E o som é o mesmo intra uterino
Que acalenta o menino
Tão além da imensidão.

Sou um amor de uma
Iconografia demasiada insana,
Inconcebivelmente indomado,
Momentaneamente domesticado
Nesta paisagem humana...

domingo, 6 de dezembro de 2015

O SONHO NÃO ACABOU

Hoje tudo que quero, nesta tarde
Que me invade...É voltar ao tempo,
Para o colo do aconchego,
Quando alguma velha canção
Da década de oitenta nos traga
A sensação de acolhimento.
Minha matéria prima é a saudade,
Gratuita dama que me arde
E me furta o vigor da hora.
O amor é o que me resta apenas,
Trabalho com meios próprios
Não necessito de mecenas.
Transporto-me para alguns anos atrás,
Ou um pouco menos,
Quando éramos simples, só nós mesmos.
Em algum espaço ainda a vejo,
Lendo seus livros de Jorge Amado,
Ouvindo suas fitas cassetes,
Fazendo bolo de Coca Cola,
E chá mate de tardinha...
Tudo tão déjà vu.

Nesta viagem em mim, em ti, percebo
Que estou trabalhando nesta máquina do tempo,
Que lapida lembranças e as eterniza,
Em cápsulas de ternura
Ministradas no presente do renascimento.

domingo, 29 de novembro de 2015

POEMA PARA DAQUI A 20 ANOS

Filha querida filha, meu tesouro
Minha criança teu peso em ouro
Não alcança o peso da tua alma.
Feita da mais pura ternura, calma,
Adormecida em encantos de amor.
Fosse flor seria uma rosa,
Fosse pássaro um beija-flor
Mas como é feita de amor
E prosa és inspiração da minha poesia.
Com 20 meses se dependura pela casa
Faz a mãe correr feito louca
E a alegria que nunca é pouca
Faz seu sorrisso único e bendito.
Como a mãe vai ser faladeira,
Pergunta dos bichos, brinca de esconder
Faz da casa um recanto iluminado.
Forma frases com a voz mais aguda
E açucarada na mesma toada que
Grita pela mãe quando não a vê.
Transpõe tudo o que sou e o que fui
E me faz cada vez mais
Amar você.

sábado, 21 de novembro de 2015

CRÔNICA DO AMOR (AO) SERENO

São estes dias chuvosos, de silêncio que antecede a criança que despertará o bálsamo do espírito. Comigo uma xícara de chá, um amor lendo na rede e a memória de alguma música que ouço internamente. De toda concordância explícita ou tácita o regozijo dos prados com leves brisas é unânime. Há uma crescente onda em mim de amor. Amor pelas coisas singelas, feito flores em janelas, pássaros cuidando de seus ninhos, bordadeiras fazendo poesia e artistas estampando fantasias.
O tempo continua sendo a figura ambígua, que testemunha e permite o espetáculo da vida. O curador das feridas, o diretor das cenas em que atuamos sem fingir.
Numa rede verde o tempo segue balançando, enquanto faço um balanço da semana, da ternura vinda de longe em caixas com vestidos e sacolas de princesas.
Sem mais o que dizer -apenas registro- paz é um sentimento que se nutre, longe de mágoas, em gotículas de benevolência e que nos faz aprendizes da arte de viver bem.
P.S: Aquele dia sobre o qual conversamos -o da felicidade- finalmente chegou...

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

SUSSURROS DO ENTARDECER

Eu me escondo, na delicadeza das coisas não ditas.
E se a alma ainda acredita ser solúvel, em brumas,
Ou algo ainda mais volúvel,
Talvez eu assuma toda impaciência e fadiga
Essa que liga meu espírito ao suspiro do eu que habito.
De toda tolice que ouço no outro é em mim que deposito
O eco do vazio e das faltas que não preencho.
Andaria contigo novamente a minha poesia,
Em qual ponto de nós mesmos nos desencontramos?
Tem anos que sonhamos ver árvores que plantamos,
Divagar sobre alguma rica filosofia, redescobrir
Verdades ocultas mas explícitas em fotografias...
Eu me escondo no oposto da luz,
Na imagem da cruz
Em alguma estrada que abafa a lágrima...

Mas minha última lástima
Eu guardo
Para as lacunas de nós.

Esse sopro de esperança
Que de mim a ti chegue
Ao menos...A minha voz.


Para Gil Façanha

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

TOLERÂNCIA

Talvez se as pessoas
Ajudassem mais a si mesmas,
Aos outros caídos nas pequenas desgraças,
Aquilo que fere o mundo
Dissolvido fosse.

E se elas pedissem mais vezes desculpas
E se livrassem das causas e da culpa
E se vestissem de dignidade
Houvesse mais verdade
Em laços atados,
Mais pureza nas conciliações.

E eu ouvisse nos teus passos
Os abraços dos quais sinto falta,
E nas taças sacras além do meu sangue
A esperança
De que transcendi...

domingo, 15 de novembro de 2015

A PÍLULA DOS BONS PENSAMENTOS

Encontrei a cura para desordem humana.
Colhi temperança no Vale da benção,
Esperança no Morro dos Ventos
Sabedoria junto a um coração inocente
E criei mais que um repelente,
Eis a pílula dos bons pensamentos!

Sem efeitos colaterais ela proporciona
Alegria e paz,
Fomenta a criação de instrumentos
Que elevem a alma dos homens.

E quanto mais e mais eles tomem
Mais se multiplicam seus efeitos.
No pleito do viver com dignidade,
No elevar sentir junto ao próximo.

Estará disponível em instantes
No fechar dos teus olhos,
Levada a ti pelas asas coloridas
Da tua imaginação!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A DÁDIVA DA REFLEXÃO

Era de extremos...
Tremo ao pensar
Que tolerância
E caminho do meio
São vistos como
Fraqueza.

Franqueza sem delicadeza
Fere.
Aprendizado pressupõe
Meditação...

O silêncio
(Por vezes)
Ensina mais
Que a palavra.

Ele é a boca sábia
Do pensamento.

Ah se a pauta sensível
Dos que laboram a revolução
Se desse em sal e flor.

Curaria as chagas
Nas águas salgadas
E no chão
Plantaria amor.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O AMOR - ESSA SURPRESA!


Cítrico é o amor tão ambivalente
Que antes que eu percebesse
Mostrou-se covarde e valente
Testando os meus limites.

Quando pensei que ele não me amava
Fiz-me chá de esquecimento,
Mas o amor voltou e reavaliei
O que eu ainda era por dentro...

Hoje o amor ainda viaja,
Eterno andarilho matreiro.
Como se não tivesse destino.

Mal sabe que sou sua asa
E ele
Meu terno menino.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

DELICADEZA

Em tempos tão duros
Em que afeto é artigo
Raro eu paro e penso
Na brevidade de tudo.

Quero ver mais risos largos,
Mais afagos e tragos,
Coisas escondidas na vida
Que se diz sem tempo...

Talvez sentar-me à borda
De algum oceano e divagar
Os enganos, os acertos,
E sem planos viver o instante.

Ser o que fui antes
Sem deixar de ser o que sou agora.
Resgatar a flor selvagem que mora
Num vazio cercada de diamante...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

ÉTICA

Em tempos cuja batalha,
Mais que o gume da navalha,
É o embate pela pátria,
A defesa das convicções,
Tratam alguns de forma patética
No que se refere
A legalidade, moral e ética
Como se tudo fosse
Uma coisa só.

Sendo ética uma dama,
Há que se tratá-la com respeito.
Sendo um cavalheiro,
Há que se ter o fino trato.
Sendo uma criança
É ela quem nos ensina.

Que no entrave de ideias
No nobre uso da pena
A dialética não é pequena
É a arma que não fere.

Assim para que não se
Destempere
Animos, honras e famílias
Há que ter ética como filha
Num templo
Entre as flores que plantamos
Entre o mel da sabedoria
Como o maior dos amores!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

REMINISCÊNCIAS

Em algum lugar do passado,
Sem enfado, de que minha alma
Se recorde, feito acorde
De manhã chuvosa,
Sou feita de prosa
Brincando com trêmulas gotas
Em minha pele.
De tantas vidas não vividas,
Tantas existências deixadas
Preteridas,
Lembro do beijo não dado,
Do sentimento esquecido,
Daquilo que deixado me evoluiu,
E do amor que retomado
Fez de mim estrela.

A minha luz é recente
A minha mágoa...Se apagou
O meu amor
Inocente
Puro
Como quem nunca...Amou!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

GRATIDÃO

A serenidade atingiu-me a pleura
Mostrou-me quão imperfeita sou
E que não mais sozinha estou
Nesta estrada estreita.
Tantos caminhos percorridos,
E destempero revolvidos
Olvidados em alguma imensidão.
O amor verdadeiro enfim veio,
Tão puro como o leite
Que brota do seio
Deu ao meu lábio mais que água!
Acalmou um estado de mágoas
Naufragando a minha presunção.

Muito mais eficazes que simples manifestos
A alma evoluí  em concretos gestos
Nascidos e gerados
Na nobreza do coração.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

MÃEZINHA DO CÉU

Mãe Maria
Mãe Preta
Da seiva de sal
Dos seus olhos
Iluminai os caminhos.

Meu coração peregrino
Imerso em teu colo
Bendito
No teu manto
Se sente menino
Numa paz sem precedente!

Teu semblante sereno
É lembrança da minha infância
Quando eu ainda sem saber rezar
Aprendi teu canto com minha mãe.

Serias tu Maria Preta
O acalanto da minha solidão?
O anjo que me acarinha
A maternidade em meu coração...

sábado, 10 de outubro de 2015

BRINCO DE PRINCESA

Do cálice doce que é teu lábio
Do cálido encontro entre profano
E sábio, ouço a brisa que me brinda
Alguma música da década de ointenta.

E como a vida se reinventa
Eu reencontro antigos amigos.
Uns brindam comigo as memórias
E o colo que o tempo me representa.

E vislumbro que nunca partimos
Que nunca deixamos o que fluímos
E que a delicadeza da chuva alimenta.

Como a mãe que se faz presente
Nos gestos compostos herdados
E acalentados num brinco de princesa...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

METAMORFOSE

Preciso preparar a alma para algo novo!
Mesclar a púrpura das borboletas
Ao celeste do meu jardim.
Ser flor de raízes móveis
E me transplantar além do limbo.
Mergulhar na semiótica líquida,
Vasculhando além dos limites
O canto espectral.

Enquanto meus olhos
Se escondem
Eu sou onda,
Mística
Indomesticada
E
Sem
Fim.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Setembro

Música, música, música
Bálsamo aos meus ouvidos!
E os sentidos, tão...sentidos,
Restam embevecidos
Ao breve toque da canção.

Dá-me música, som sublime ao
Silêncio dos esquecidos!
E dança-me, dança-me
Neste setembro, como se chuva
Molhasse meus olhos
Temperasse meus molhos
Refrescasse minha alma...

Enquanto lavo os versos em mel
Olho o céu cinza de fumaça
A vida cheia de graça
E velo o sono da menina que crece
E se parece
Tanto comigo.

Num dia nublado
De setembro
Eu ainda me lembro
Da poesia vazia,
Sem o doce beijo
Da minha filha!

E como a vida se transmuta
Feito um ciclo de jazz que acalma
O espírito inquieto
Do poeta.



terça-feira, 4 de agosto de 2015

TEMPLO DA ALMA

Encanta-me teu tom sereno menina,
Teu sorrir traz a forma oculta
Descendente minha,
E avizinha teu ser
Da minha alma.

Teus delicados traços contrastam,
Os dias quentes e a correria,
Que a vida alucina
Menina... A vida sozinha
Alucina.
Sei apenas que velo,
Tua viagem sendo
O castelo
O elo
O templo
E o ventre
Que te carregou.

Entre nós o materno vínculo
Suplantando minhas dores.
Tu colhes flores,
Faz som e paz,
Reformou meu jardim
E tornou terno
Nosso jardineiro.

Olha ao longe menina
As amorosas manifestações,
A delicadeza da rosa
A leveza dos que volitam
O frescor bendito
Das águas que te aguardam.

És mais qua minha metade
Ou a essência que me habita.

És a borboleta
Que transforma
O coração
De quem
Acredita.

domingo, 26 de julho de 2015

POEMA PARA VOVÔ

Querido vovô hoje é seu dia
Com imensa alegria mamãe escreve
Por mim. Eu que ainda sou criança,
Cheia de graça e pureza.
Em mim há a certeza da nossa amizade,
Uma afetividade que se nutre,
Planta viva!
Quero contigo correr pelos campos,
Andar a cavalo,
Fazer piquinique nos prados
E churrasco no almoço!
Comer bolo de tardinha
Recolher as ovelhinhas
E ver os passarinhos.
Minha mãe diz que sou rica
Cheia de avós e bisavós,
Uma florzinha com raiz.

Minha mãe deve ter razão
pois dentro do meu coração
Todo esse amor
Me faz
Feliz!



quarta-feira, 22 de julho de 2015

Sem decadência mas com elegância!



Tentando entender gente fútil
Inútil se faz a tentativa de os transformar
É pura utopia!

Prefiro o lúdico
Ao púdico,
A pureza
Ao artifício.

Ao desperdício de tempo com o raso
Resta juntar novos acasos, 
Refazer as teias
Nutrir novas ceias
Onde asas e luzes
Transformem-se em amplitudes.
Volitar ante o efêmero,
Às estátuas decadentes
Da hight society.

Mergulho no íntimo cintilante
No perfume cativante de um filho
Nas relações benignas
Nas pessoas amigas
No combate límpido.

Em dialéticas 
Que inspirem.

Pois a Elegância das duas uma:
Ou se tem de berço
Ou-a duras penas-
Talvez a vida ensine.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Futuro


Em frente ao espelho enfrento
Meus medos e desapegos
E se me esqueço do efêmero
Entre termos o céu cinza 
E a noite que me aproxima 
Da menina
Atrás do espelho.

Adormeceram os versos
Em berços
Esplêndidos.

Deram a lábios
Leite farto
E ambrosia.

Sim, a poesia cresce saudável
Já caminha pela casa
E atende
Por minha filha!

Renasceu em mim
A esperança
De dias que acontecerão
No tempo
Do amanhã.




domingo, 29 de junho de 2014

O maior amor do mundo


A minha vida
É ser o tudo
Dela.
Vejo o lúdico em seu riso
Poema no olhar
Que ela me lança.
Boba que estou
Perdi-me em versos.
É o significado
Da palavra amor 
Em meus braços, 
Lançando raios de luz
Na menina
Dos meus olhos.

Ser mãe poeta
É ter o melhor mote poético
Tirando um cochilo
Nos meus braços.

segunda-feira, 10 de março de 2014

POÇO DE SAUDADES


Ah eu sou só em mim esse alvoroço
Feito poço destilado no papel
Um esboço, uma saudade que se lembra
Ainda quando tudo que se queria
Era viver plena.
Feito arena, nesse palco que chamam vida
Uma partida que nunca se foi totalmente...
Permanece viva na mente, mensurando
A própria vida entre idas e vindas
Vida minha, e tua entrelaçadas no permanente.
Ah eu sou nessas horas solitária, feito estrela,
Um brilho dolorido por não vê-la
Um colorido perdido apagado da centelha mãe.
E não faz pouco, faz eras que nesta esfera
Tão dinâmica uma querência oceânica
Tem nome, tem um buraco no peito.
Não, não tem jeito sabemos...
Nascemos e um dia morreremos
Como se nem tivéssemos vindo,
Se não estivermos evoluindo
E reconstruindo essas faltas
Dos amores dados e eleitos.
Em minha mente ela senta ao meu lado
E recolhe as lágrimas que ainda rolam
Desafogando o coração, colhendo o soluço
E plantando o futuro, ainda que regado
Da água salgada

Naqueles braços
E naquele colo seguro.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

REPLETA DE GRAÇA



Sob qual anjo e qual lua
Nascerá a menina dos meus sonhos?
Neste tempo quase cabalístico
Onde és detentora de 33 semanas
E da minha vida toda.
Ouço em meu corpo teu soluço
Em meu pulso o teu batimento
No meu contentamento quase convulso
Tranquilamente serei apenas o solo
Do teu nascimento.
Serena...Serenata que te aguarda,
Enquanto brincarás de encanto
Junto ao meu violão.
Repetindo as cantigas
Que ouvistes no ventre
A voz materna em oração.
Sob qual hora e sentimento
Haverá de se dar o desabrochar da flor?
E assim serei aquela a verter
O teu reconhecimento
Diante do mundo
Que já te espera

Repleto de amor.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

8º mês



Quando imaginaria que tudo passaria depressa,
Que a vida pregressa seria apenas um preparo
E que em meu amparo havia uma linda taça
A preparar-nos um mundo tão cheio de graça!?

Que o licor do amor adoçaria minha alma
Tão calma quando eu mesma era criança
E que a esperança coloriria meu dia,
Serenado por doces lembranças?

Sim ainda falta tempo para que eu veja tua face
Nesse enlace que temos de mãe e filha.
Em sonhos que já te encontro e amamento
Neste tempo terno de ternura.

Em mim te sou flores de pétalas macias,
Em mim tu és a poesia dos meus dias,
O amor menina que me arranca lágrimas
De cristal.

Cresce pequena, cresce
Que o mundo no outono te espera,
Numa era nova somos tua família
E tu já és nosso amor mais que especial...


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

EMPODERADA

Eu poderia falar do tempo, da paixão que já vivi ao relento,
Quando brincava com fogo em minhas mãos,
Das madrugadas que não dormia por dor, e que - ressentida
Fizeram que eu partisse e só retornasse pelo teu amor.
Eu poderia recordar alguns anos sombrios, quando calafrios
Faziam parte das minhas angústias, me prendiam, sufocavam
E a boca amortecida calava -  eu me via ali ferida viva e feria
Como o vento cortante que amortecia em alguma latrina.

Caminho hoje entre águas, sem mágoas ou ressentimentos
Fiz as pazes com o sublime dos ventos, reneguei escritos.
Deleguei o fogo aos aflitos, fiz-me senhora das minhas decisões.
É explícito que meus dias são feitos de paz, essa sequiosa
Dos beijos da tez de jambo.
Hoje eu não ando, eu flutuo apesar da forma,
Da candura que me contorna,
Desse corpo transformado pelo milagre da vida.

Eu poderia trazer algum eu lírico, como tantos já vividos,
Nas linhas que contornaram a minha desilusão comigo,
Recorrer a algum amigo e falar de algum arrependimento,
Dos lírios dos campos que ainda restam ser vistos.
Mas eu hoje sou só o espelho do desvelo que trago dentro,
Quando reflito o amor que recebo além do tempo,
Livre da obsessão de um futuro que eu nunca soube se seria vivido
Eu hoje me contento com o meu cotidiano, meu mágico agora!
Meu divino!!!

E espero que possa vivê-lo  a cada segundo
Na intensidade sublime, senti-lo!
E que  eu não me resuma a regras determinadas
Ou que use a desculpa do destino
Que já sou bem mais do que esperava
Quando pensava que controlava o tempo

Escondido num sorriso de menino.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

MARLI

                                                              (Minha mãe Marli e eu)

Seria ela uma anjo disfarçado, passando rápido por este plano?
Ou era meu  o engano de assim pensar só porquê ainda a amo.
Talvez eu use a figura do tempo, esse que parece voltar além de nós,
E que alguma voz da minha infância seja o pêndulo
A dizer que nunca estamos a sós.
Ainda através desse cordão umbilical, sou semente fruto do amor,
Brotando minha própria corrente,
Semeando tal qual uma flor.
De quando em quando ainda me pego
Recordando, apenas recordando...
Das tardes de cachoeira, dos natais abençoados
Das páscoas com ninhos e coelhinhos,
Das festas juninas e demais feriados.
Da sua simplicidade instigante
Do seu sorriso adorável...
Dos instantes que ainda tenho claros
Dos ensinamentos que restam tão caros
De toda a  doçura e do riso,
Meu peito é apenas a pista de pouso
De um sentimento que jamais foi embargado.
Das certezas que trago na vida,
Sempre estivestes ao meu lado,
Mas  permaneces mais que mãe e amiga,
Segues como meu lindo anjo disfarçado...


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

30 SEMANAS



A semana é longa,
O dia ainda nem começou e meu sonho
É suplantar o tempo. 
O mês que virá poderá ser como este,
Rápido! Ainda que eu imaginasse lento.

Virando horas e brincando com seu tempo

Uma menina em minha barriga,
Imagina-se em um jardim de flores - talvez
Assim como a mãe dela imagina a vida.

Algumas coisas ainda precisam ser arrumadas,

Inclusive uma dose extra de força,
De calma e de inspiração na estrada...

Não, não é fácil  - nem mesmo difícil, 

Apenas único quando é com  a gente
Viver cada etapa de uma espera,
Com suas incertezas e dúvidas frequentes.

De certo em mim apenas o amor que vivo

Uma entrega ao que pouco domino
Uma necessidade a qual denomino
De estar em paz e aguardar
O maravilhoso despertar do amor
Que em breve irá nascer.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

6 MESES



Em teus poucos centímetros
Residem meus sentimentos
Mais íntimos,
Incidem as graciosas luminosidades
De verdades que redescobriremos
Juntas.
Já se passaram tantas luas,
E outras tantas serão do nosso porvir...
E já estas tão aqui - ainda que no teu preparo
No teu crescer  - em meu amparo
Que sou puro açúcar derretido por ti.
Redobro os sorrisos no meu despertar
Redobras tuas forças nesta jornada
Sou o fio de prata que te traz à terra
És o fio de ouro que me faz apaixonada!
Já se passaram tantas luas
Quais serão os sonhos teus
As aventuras tuas?
Nesse berço que te sou hoje
Na oferenda da minha proteção
És tu que me devolveu a esperança
Quando te aninhastes a favorita

Princesa do meu coração...

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

22 SEMANAS



Nesta caminhada, tu e eu,
Antes eu e o nada...
A estrada vestiu-se de flores
Meu ventre apossou-se de amores
E os candelabros suspensos
Aguardam serem a luz do nosso baile.
Meus olhos são teu profundo berço
O começo ainda que no futuro
Quando o destino seguro der-te a mão
Eu ainda serei refém do teu sorriso
E tu a guardiã do meu coração.
Entre nós ainda o tempo,
E todo sentimento tão próprio
Que acompanha a desejada espera.
De tantas eras em que o mundo caminha
Tu singela filha minha
É o acontecimento maior
Do meu espírito.
Saída dos meus sonhos mais puros
Na delicadeza com que te nomino
A razão além de qualquer desatino
A loucura mais doce de alguém
Que a vida gera,
Meu milagre,
O poder,

A redenção!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

PARA ANA AMÉLIA



A todos os pseudo amores
Que me fizeram pensar que o amor
Um dia tive, digo sem pesar do meu engano
Posto que hoje, enfim, o amor em mim vive.
De fato é o amor que me ilumina,
Essa menina, filha do sol, afilhada da lua
Que me nina, pequenina, e me desperta
Aurora pura.
Da vida quase louca, corrida que me permeia
Tudo deveras fora um castelo de areia
Antes desta existência.
A todos os quase amados
Sem enfado resta em mim guardado
A lembrança
E o exercício da ternura.
Nunca amei antes,
Com tamanha intensidade
Como já amo minha filha
Pedaço de mim e do meu amor
Essência da mais sublime
Doçura.
(Mamãe)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

ENQUANTO TE ESPERO



Discípulo da ternura é amor, aluno e professor ensina-me a viver, a me reconstruir aos poucos mais serena, pacífica nas pequenas coisas, guerreira no que demanda vigor. Eu que hoje caminho lentamente, que me ergo com delicadeza e cuidado vejo na vida que sou e a que levo um grande ensinamento.

Todas as memórias acalentadoras que trago foram importantes para que nesta fase da vida eu me visse com plenitude no espelho do tempo. Amo meus sinais do tempo, não tenho qualquer vergonha dos mesmos. Os aceito como parte de mim e do todo que se manifesta na minha existência.

Meu corpo que não é mais o mesmo celebra a vida. Ultrapassei a estética do instante e, constante aceitei cada mudança necessária nesta busca de "nós".

Pego-me divagando pequenas coisas, antes sem sentido, e que hoje incorporo como etapas do meu porvir.

Eu aguardo quase pacientemente a chegada da luz, eu rogo braços fortes que embalem sonhos, eu oro para que o maior de todos os tesouros me receba, assim como eu já o recebo em profunda gratidão para com o universo.

Mas sei que o amor que hoje vislumbro é parcial, que esta em formação e promovendo uma transformação que eu já havia ouvido falar, mas que jamais havia experimentado.

Tudo que eu concebia como sendo amor parece ter sido uma certeza momentânea, dessas que fez sentido por algum tempo, mas que a vida que vivo agora aponta como sendo relativo, um conceito que se tornou insuficiente quando penso no amar que, enfim, dure.

De tudo que ainda não sei, mas que aguardo é que o amor ultrapassa a eternidade, e que te aguarda no meu peito, no maior de todos os gestos de infinita ternidade.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

DAS CAUSAS E DOS EFEITOS



Desses dias meio parados e azedos
Dos cheiros que me chegam estranhos
Do frio sem razão
Dos tamanhos
Dos medos
Do descontrole que me rodeia
Eu espreito o semblante do tempo.
Como sempre ele me pede mais paciência
Que eu divido em:

(PÁz+CIÊNCIA)

Essa arte de me desligar das  causas
De tentar controlar os efeitos.
Eu mudei a minha forma de ver a poesia
De sentir que o sentido precisa ser claro
De tentar desvendar enigmas.

Eu não desafio o tempo
Eu não construo templos
Nem faço apologia.
Não posso dizer do vazio da noite
Que agora durmo
Não posso dizer da solidão do dia
Que agora tenho companhia.

Que dizer quando não se tem nada,
Quando todo exercício intrínseco parece
Forçar a pseudo intelectualidade que inspira?

Meus pensamentos já soaram liras
Já entoaram paixões
Já mataram amores
E ressuscitaram razões.

Meus pensamentos já atearam piras
Já fomentaram dragões
Além de figuras
E me apaziguaram na ciência
Que construo

Sem teoremas ou regras rígidas. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Devaneios



Eu que por hora sou feita de sonhos, daqueles que não imaginava que poderia criar, eu que embalo uma porção do infinito, a qual já não suponho viver sem amar, eu sou um ser entregue na providência superior e apenas espero... Espero que as noites cheguem mansas, que acolham a doçura das crianças que brincam inocentemente de fazer comidinhas  num quarto ou na sala de estar. Eu que recrio em mim um pedaço do universo, uma rotina de candura além de versos, que priorizo minha condição como uma graça de vida sigo brincando de ser estrela. Em mim essa constelação que parece entender minhas imperfeições e que contempla o divino, o essencial, a inspiração como uma ligação sublime com algo maior que nós. Assim, feita de metáforas e figuras, semeio pontos de luz que sustentem além das alturas, no aconchego do meu ventre, onde o amor há de ser maior que meus anseios, a repelir as sombras e os buracos negros. Perdoe-me a imperfeição deste cenário, o lúdico que em mim desde sempre trago, é que sou feita...De Sonhos. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

SEGUIR ADIANTE




Via-se mais como um espectador de um recital enigmático feito em prosa lírica do que como um eu guardado e emoldurado...
Quanto de si ainda era fruto do passado, quanto era o desejo de se tornar algo que ainda não tinha...? Entre os breves momentos em que sabia-se mais ser do que ter, nessa transitoriedade, ordenava-se pelos pequenos fragmentos do dia.
Uma estrada que mais tarde viria, o vinho que beberia, o sono no leito eleito. Ainda assim tomava certas formas mitológicas internamente, sem transparecer ausências.
Parou de se cobrar resultados a longo tempo. Ficou evidente demais saber do amanhã quando o desfecho do hoje ainda não foi escrito!
É tão inverídico planejar, viver restrições que na realidade são reflexos sociais, quando aquilo que realmente nos dá paz é simples. O eu, o tu, o nós, essa voz que arrebata chamada consciência não pode ser moldada como se fossemos produtos fabricados em larga escala.
Nesse palco em que nem sempre a sinceridade pauta os atos, em que o status é exacerbado a essência única de cada um transbordou-me a forma pronta e reordenei espaços.
Não, não mudara o estilo do meu pensamento, apenas verteu uma escrita que passou a ser livre, sem máscaras metafóricas além do necessário.
A alma passou a ser soberana até das dúvidas, porque as certezas não traziam tranquilidade. A brevidade de tudo é clara e não assusta. A impossibilidade de mudar, para melhor ou para pior sempre foi o maior pesadelo, o entrave no processo de evoluir.
Aquilo que parecia ser clichê - de que as pessoas são o que são continuava a provar-se ser clichê.
Cada coisa tem seu lugar no espaço apenas por um tempo. Para que perpetue o seu valor e seu reconhecimento precisa desconstruir-se, reparar falhas, falas...
De tudo que habita o ser, da mística velada, da moral, a ideia de plenitude temporal do agora deveria ser uma constante, sem imaturidades ou impulsos incoerentes.

Mudar nem sempre é melhorar, ainda que às vezes sejam processos idênticos em suas causas e efeitos, o fato é que nada permanece inalterado quando verdadeiramente passamos a conhecer a nós mesmos.

domingo, 7 de julho de 2013

QUASE ONTEM



A face pintada ao tempo do riso,
Quando no dia ímpar
Meus pares eram o paraíso.
Uma chama em forma de fâmula,
A sede dos tempos.
Preciso ouvir as canções
Da minha mocidade,
Olhar a verdade das paixões
Sem veleidade
Reconhecer que a verdade é posta
Apenas quando não se busca resposta
E que a fantasia é parte da carne
Que arde.

domingo, 9 de junho de 2013

SIM




Se ambos nos amamos e este amor há anos
É razão de estarmos juntos, deita hoje 
-Sem cerimônia em meu colo meu amigo.
Que se digo que a vida precisa ser simples
Leve como uma tarde de domingo
Seja breve - então vem,
Que o tempo é o medalhão
Que carrego no busto
Um artefato
Medidor de agoras.

Se ambos nos queremos e nos inflamamos
E não não existem mais enganos
Nem restamos mais aflitos
Faça um futuro comigo, beba da minha taça!
Dá-me a graça de ser teu abrigo,
Abre tua alma sem reservas
Libera-te das catervas da existência!
Semeia o grão do infinito,
Faz do presente um filho
Renega a velha paixão
Transforma-te em meu fim.

Que se por ventura 
Alguma vez fui teu não
Mil nãos são quebrados 
Por um único sim.