segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

UM BREVE CONTO DE NATAL



  

A BRIEF CHRISTMAS TALE

The day has dawned raining and some of my loves still sleep. While some people are already starting to prepare the Christmas dinner, I am calm. I made my sweet treat yesterday. Strudel . An old recipe, passed on to my beloved great-grandmother and learned by me through my maternal grandmother. My mother never learned it, for it was always Bisa Ana who made the lovely candy on our natalies, and after the death of my mother who happened to do it was my grandmother, who, after much insistence taught me.
While Debussy's " Claire de Lune " cherishes my heart I still need to talk about this candy. I do it for innumerable reasons that not only aromatize the house with the lightness of odors of jellies, raisins (yes, I fear raisins) nuts and chocolate (the recipe has evolved and for children the version is Nutella).
I do it to fill my heart with love.
Love. They are hours opening and filling the dough, standing, in a delicate work so that it does not get too thin, because the art of this candy is to know how to open the dough, just as it is an art to know how to open the heart.
Love, despite being energy is matter also. According to the impenetrability theory two bodies can not occupy the same place in space. Thus, in order to fill ourselves with love, we need to empty our thoughts and hearts of negative energies in order to make room for love.
This is not an easy exercise. But it is possible. To love, truly is not easy. Sometimes we are doomed to the thought that we should seek the perfect person, to love the perfect person.
Uncomplicating the heart, forgiving, moving forward is the only way to overflow love.
So this sweet is my call to the ancestral and universal Love. It is as if I close my eyes and invite all my loves from the past and the present to receive the best in me.
Perhaps the secret of happiness, the remedy for melancholy is to love the imperfect, to forgive, and to free the heart so that it is occupied only with good things.
Forgiveness is the great deliverer of the one who forgives.
It is the divine gesture of infinite magnitude.
It is what sweetens life , which transforms and purifies. Forgiveness and love are essential to happiness.
So, this is my sweet wish to all of us. A heart full of love and perfume today and forever.

Merry Christmas
Mirian Marclay


O dia amanheceu chovendo e alguns de meus amores ainda dormem. Enquanto algumas pessoas já começam a preparar a ceia natalina estou tranquila. Fiz meu doce predileto ontem. Strudel. Receita antiga, passada a minha saudosa bisavó e aprendida por mim através da minha avó materna. Minha mãe jamais aprendeu, pois sempre era a bisa Ana quem fazia o adorável doce nos nossos natais, e após o falecimento de minha mãe quem passou a fazê-lo foi minha avó, que, depois de eu muito insistir ensinou-me.

Enquanto “Claire de Lune” de Debussy  acalenta meu coração ainda preciso falar desse doce. Eu o faço por inúmeras razões que não apenas aromatizar a casa com a leveza de odores de geleias, passas (sim, temo passas) nozes e chocolate (a receita evoluiu e para as crianças a versão é de Nutella).

Eu o faço para preencher meu coração de amor.

Amor. São horas abrindo e recheando a massa, em pé, num delicado trabalho para que a mesma não fique demasiadamente fina, pois a arte desse doce é saber abrir a massa, assim como é uma arte saber abrir o coração.

O amor, em que pese ser energia, é matéria também. Segundo a teoria da impenetrabilidade  dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Assim, para nos preenchermos de amor precisamos esvaziar pensamento e coração de energias negativas para abrirmos espaço ao amor.

Isso não é um exercício fácil. Mas é possível. Amar, verdadeiramente não é fácil. Por vezes estamos fadados ao pensamento de que devemos procurar a pessoa perfeita, amar a pessoa perfeita.

Descomplicar o coração, perdoar, seguir em frente é a única forma de transbordar amor.

Assim esse doce é o meu chamamento ao Amor ancestral e universal. É como se eu fechasse os olhos e convidasse todos os meus amores do passado e do presente para que recebessem o que há de melhor em mim.

Talvez o segredo da felicidade, o remédio para a melancolia seja amarmos os imperfeitos, perdoar e liberarmos o coração para que este seja ocupado apenas de coisas boas.

O perdão é o grande libertador de quem perdoa.

É o gesto divino de magnitude infinita.

É o que adoça a vida, que transforma e purifica. O perdão e o amor são essenciais à felicidade.

Assim, esse é meu doce desejo a todos nós. Um coração cheio de amor e perfume hoje e sempre.



Feliz Natal

Mirian Marclay



quinta-feira, 12 de abril de 2018

ALITERAÇÕES OU A DESNECESSIDADE DE DIZER QUE TE AMO TANTO




O que pode trazer mais felicidade
Que a brisa fresca que invade
A tarde que antes se fazia quente?
E se a gente vê contentamento
Em coisas como o pensamento
Que vagueia o arco-íris,
O beijo roubado ao pé da porta
Nos exorta a alegria.
Nasce, assim, um poema bobo
E tão cheio de poesia!

É um apuro da alma 
Apegar-se à leveza.
Acalentar-se na grandeza
Das pequenas coisas.
(Imensuráveis atos da paixão
Que se guardou no amor renovado).

O amor é o meu pequeno,
De olhar, sereno,
De gesto delicado,
De inteligência ímpar,
De crítica afiada,
De paciência quase fícta...

O amor, próprio, materno ou romântico
É parte deste instante quântico
Em que nada mais
Precisa de explicação...

quarta-feira, 21 de março de 2018

Paz Interior

Antes de mim,
Nasceu a Poesia.
Ainda que seja
Minha filha,
E que o ciclo da vida
A bendiga
Vivemos numa ciranda
Feito lavanda que perfuma
Ou terracota que esfuma
A tela da minha utopia.

Nas vésperas das minhas flores
Como bolos e doces
Ouço cantigas
Tão amigas que espantam
A própria solidão.

E brindo
Com espumante
A taça nobre:
Este corpo que acompanha a alma
Viajante de tantas vidas,
Em constante luta
Pela paz interior
E a quietude do telúrico
Coração...

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A MENINA E A FELICIDADE



Há um infinito em mim, aos poucos, sendo redescoberto. Os anos me trouxeram muito e levaram de mim algumas estórias e histórias que penso que poderiam ainda ser vividas. Mas, como tudo gira em torno do tempo e eu sou dele mera serva e observadora estagnei meu espírito neste intervalo.
Parei para olhar para a menina. Aquela antes de ser filha, neta, esposa ou mãe de alguém. A menina.
A música antes esquecida em algum LP riscado e colocado de lado (lembrem-se somo serviçais do tempo) voltou a tocar.
A menina antes da menina conversa longamente com minha alma. Sem pretensões, sem querer ensinar ou dar conselhos. Um exercício pessoal de conhecimento mútuo.
A menina realiza pequenos sonhos, lúdicos, considerados tolos por alguns, inclusive.
Dá-se ao luxo da felicidade. Sim, felicidade é daqueles luxos que precisam ser experimentados na surdina.
A felicidade é a coisa mais honesta que existe. E é assim mesmo. Silenciosa.
Tudo o que causa furor não vem da felicidade. Pode vir da ostentação, de algum sentimento menos digno do que aquilo que ela teria a intenção de revelar ou representar.
A felicidade é coisa que se aprende sozinho. Se nascemos e morremos sós, nossa consciência e nosso espírito, é preciso encontrar motivo para ser feliz primeiro na solidão, e, depois, rodeados por boas pessoas.
Sim, por boas pessoas, pois, nem sempre no meio da aldeia encontraremos nossos pares.
A menina que flerta entre a solidão e a felicidade não encontra mais enigmas, não revela nada que não seja essencial, não dramatiza seus excessos. 
A menina finalmente compreende que amor e perdão são plantas.
Precisam de água, dos olhos, 
E tempo para crescer
E florar.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

ACEITAÇÃO



Há uma ruptura temporal no meu espírito.
E assim, suspiro em horas que passam
Correndo além da velocidade da luz.
(Ainda que eu caminhe no vale das sombras)

Compreendo que todos partiremos um dia,
Que o coração ainda pesado
Encontrará razão plena.

E por mais que nada pareça ter sentido
Ou explicação
Eu permaneço no limbo da reflexão.

Tudo é um processo.
Tudo é recomeço.

E se uma fotografia antiga
Desperta a melhor das lembranças
É nos meus álbuns
Que me apego...


(Curitiba - Natal de 2007)

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

ELEGIA

Como perscrutar a solidão e o tempo, quando o sentido de todas as coisas
Torna-se vazio diante da ausência imposta? Digo isso apesar do silêncio das palavras.
Algum oráculo, talvez, compreenderia a aflição diuturna de uma conexão sensível demais?
E se meus apelos são cantigas, calariam a música cujo verbo se faz não dito,
E o mais melancólico diálogo suprimido?
Fui ao chão sem sair de mim,
Um furacão atemporal é o estopim
Das tempestades da alma...
Enfim, revela-se a síntese do meu estado de espírito:
Tergiversando estou, em busca do alívio de minhas indagações.
Percebo-me absorta além do devaneio: em alguma bruma, de folhas esmaecidas,
Com gotículas e borbulhas refrescantes... Onde tudo é passageiro,
A ira, a decepção e o amargor, sendo que o perdão precisa ser o fim de tudo.
(Ainda que o fim seja um novo princípio)

Olho nos olhos do tempo, devorador de sentimentos,
Como se cada parte de mim flutuasse para depois deste instante.
As coisas mais delicadas me representam.
Os defeitos mais imperfeitos me representam...
Todo o muito, o incomensurável e inestimável...

Muito pouco
De mim é matéria, dou-me à leveza
Da borboleta que me guia.

Na verdade
Eu habito
A não substância
Também denominada... Poesia...

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Perspectiva


Há mais solidão
No coração que
Abandona
Do que no peito
Deixado.
Aquele que fica
Transforma-se
Pós tempestade.

A poesia
É a casa
Dos corações
Aflitos.

E que precisam
De colo.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

POEMA DOS APAIXONADOS

Ah...Tua boca na minha
Sacra santa ladainha
De um entardecer doce.
É essa boca que trouxe
O sabor da ambrosia,
Deleito-me em teus braços
O melhor dos espaços
De almas que já não caminham
Sozinhas.
Ouço o balanço do vento
À janela, os pássaros,
E de lampejo, suspeito,
Que teu beijo
Contra teu consentimento
Será roubado!

E se ainda houver espaço
E tempo,
Como numa canção de Cole Poter,
Ou de um filme retrô
Sem ser demode,
Ter o que ainda pode
Acontecer
Impresso na palma da mão
Como um descompasso
Incontrolável
Desse insondável
Rastro de paixão.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

POEMA DAQUELE QUE PENSA




Há uma inquietude intrínseca na boca no pensador.
Lambendo sobrancelhas e centelhas de sinapses.
Uma fala pausada pelas coisas sentidas,
Uma fama fadada de que a razão e o tempo caminham 
Juntos.
(Há separação de nós mesmos amparada pela metafísica?)

O pensador é o cantor mudo que perdeu a voz?
Ou que rouco de tanto gritar pela razão em nós
Está suspenso de si mesmo no direito de propagar
Seu pensamento?

Enquanto lá fora alguns lamentam
Não possuir o carro do ano,
A roupa da moda
O corpo em voga
O pensador espreme
Desesperadamente a ampulheta
Para que o tempo possa parir
Alguma seta que lhe indique
Coerência.

Enquanto lá fora alguns se apegam
Apenas à casca do ovo,
Ao consumismo como um todo,
Aqui dentro
Alguns ainda se dão as mãos
Mesmo que distantes 
Em bites, quilômetros, 
Espaço e tempos diferentes
Realidades e "classes"
Lutas mais do que íntimas...

E se em algum tempo o nó
Que aos poucos se percebe não estar só
No emaranhado turbulento do coração
Puder se soltar, liberto pela verdade objetiva,
Restará esperança
E a poesia do pensador
Não mais será do tempo 
Cativa.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

POEMA DA TRANSFORMAÇÃO



Ainda é outono e meu sono pertence à liberdade.
A saudade me reconhece além do abandono,
Aquilo que antes foi posto como regra,
Tornou-se a exceção.

Abraço longamente esperança todas as manhãs.
O despertar  vagaroso e sorridente, tem o efeito
O qual nenhum compêndio consegue descrever
Revigorando o meu existir dou-me ao princípio...

Reverbero sabores de maçãs, cafés e morango,
Notas de almíscar e temperos que desconheço,
O pouco que me reservo de sonho eu adoço
E aos poucos recolho o orvalho que me banha.

Na mística que insisto mergulhar meu corpo,
Na quântica que inspiro meus pensamentos,
Na lógica que fulcro cada ato sacro
Recrio a vanguarda do espírito.

Nada é posto até que a palavra seja plantada
Feito lenha do porvir
A acender meu coração
Na busca do inescrutável
Que domina a imensidão...

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Mudança (CHANGE)




Quando tudo rola solto e a fé te olha nos olhos
E todas as barreiras de esperança são erguidas
Protegendo o casulo para aquilo que virá... 
Ouço o sopro do tempo trazer a lembrança
Das coisas que mudaram pelo simples fato
Do acreditar.

E se aquilo que está posto impede
É a mudança de paradigmas que impele
O ser na sua rota de transformação.

Não, não deixo mais nada para amanhã,
Nem a lágrima imprecisa,
Nem o riso tolo que me transborde.

Não escuto o oráculo da sabedoria.
Somente algum hit da década de oitenta
Que magnetize e sintetize
Os mais belos acordes...


It's possible to make a difference
Thinking better and 
Making changes.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

PAPO RETO



Talvez o amor viva mesmo em mundos paralelos,
Onde castelos de princesa ainda sejam vistos,
Com salões de espelhos
Que reflitam nossa alma.
Talvez em algum palácio francês,
Ou em alguma praça da Toscana, com seus magníficos
Deuses esculpidos e despidos das artificialidades sociais.
E no meio disso, nós, meros mortais,
Caminhando por entre a sombra dos que nada sabem
E dos que acham que sabem demais,
Sejamos os gladiadores em busca da salvação,
Através do tão manjado caminho do meio.
O que é a verdade e a beleza no seio
De uma era em que o instantâneo alimenta
A inquietação metafórica de cada pseudo-razão?

Preciso mesmo da leveza de algo, ou alguém,
Que se compraza com um abraço sincero,
Com o mistério de uma estória que se desvele,
E que transmita a possibilidade de mutação.

Que o conhecimento sozinho não liberta.
A liberdade é um sentimento muito mais sofisticado:
É a linha tênue entre o que te melhora
De dentro para fora
Também conhecido como princípio da evolução...

quarta-feira, 5 de abril de 2017

POEMA PARA UM FILHO

O amor que tenho e trago
É um rasgo no peito de um cravo
Grafado em letras de amor.
Que se eu sou esse peito em flor
Derramando semente por onde passo,
É no abraço de um filho que repousa
O meu mundo.
E se dou luz em poesia
É em carne minha
Que repousa a suprema alegria.
Moldada na fineza delicada
De cristais de murano,
De bolhas de sabão,
Em renda francesa,
Na transitoriedade de um não
Com o qual educo,
Em que desejo que aprenda
Que o respeito vem antes de tudo
E que o amor é consequência da jornada.

Que eu sem meu filho
Sou o nada
E com ele sou superação.

Que eu sou o esplendor
Em seu sorriso, o canto
A concretude da sublimação.

domingo, 2 de abril de 2017

GIRA MUNDO

O jazz quebrou o silêncio
Que se vestia de pássaro
E um lastro de sol ardia
Entre o misto
De cortina de nuvem.
Nunca vi alguém reclamar
De bonança, naquele canto
Chamado de lar.
Enquanto isso as amoras,
Ainda verdes,
Eram a única espera válida.
Como uma música viciante
De Rod Stewart
Cuja letra eu nunca viveria
(Mesmo à custa de muita imaginação).
Uma coisa ainda me atrela ao chão:
O perfume do ser amado,
A seda da pele ao toque-discreto-
O olhar que não se entrega
Por completo...
Deixando um gosto
Cálido
De porvir.

E se o dia parece lânguido
Despido de objetivos, conceitos
E esperanças
O sentimento é outro...
De uma paz despertencente
A este instante
Onde a quietude
Beija minha boca.

sexta-feira, 31 de março de 2017

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

Tem gente de toda sorte
Tem gente que é feito
Corte cinza do céu
E destrói a seiva,
Ceifa e desajeita
A colheita da temperança.

Mas tem gente que é bonança
E dança nas cores
Plantando os amores
Recolhendo as dores,
Filtrando rancores
E desvestindo o papel
De vítima.

Sacudindo o espírito
E buscando
Ser melhor
De verdade
Ao invés de discursar
A pseudo virtude.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

DONA AVÓ





Há um poema que dorme
Sobre o travesseiro dos meus sonhos.
Ele tem olhos como os meus,
Manias, imperfeições
E um encantamento único.
Esse poema me inspira,
Nos dias frios sem lira,
Na doce embriaguez dos sentidos
Quando a minha direção
É a de ficar perpetuamente
A seu dispor.
Chamá-lo-ia de amor,
De uma perfeita conjunção de fatores,
Mas ele é algo sintético,
Bem poético,
É a moça do retrato
Que amo.
É a dama do teatro
É a raiz do meu
Contato com o mundo.
É a rosa mais linda
Ainda que só.

É minha partida e
Chegada,
Dona Avó.

PARABÉNS PELOS SEUS 83 ANINHOS!


sábado, 24 de dezembro de 2016

ESTE NÃO É UM SIMPLES TEXTO DE NATAL

Talvez o amor seja mesmo uma coisa estranha. De difícil explicação e significado ainda a ser desvendado.
Feito sentença simples, sem enfado, feito presente do qual não se espera qualquer agrado, e, por isso mesmo mereça a melhor de todas as retribuições possíveis.
E esse amor, este ano, esteja deitado no sofá da nossa sala.
Olhando a árvore de natal, sentindo-se feliz por crianças que brincam, pelos ancestrais que estão com saúde, pela paixão dos enamorados...
O amor não é produto ou coisa feita com manual de instruções, especialmente nesta época do ano em que cristãos comemoram o nascimento de seu salvador.
Para alguns o Natal nada mais é do que uma data comercial, muito menos um tempo de se celebrar o amor.
Tristemente alguns barganham Natal e Amor como moedas de troca.
Nas conjecturas íntimas dos seres sensíveis, pode o Natal ser um tempo de reflexão, uma prévia de um balanço interno de como podemos ser melhores do ano que se aproxima.
Cada um passa por um Natal diferente ao longo dos tempos, alguns natais poderiam ser apagados, outros trazidos e reavivados.
Dos natais que eu trago vivos na memória, tenho minha mãe fazendo os enfeites com papelão, cera, spray de tinta e bolas natalinas. Ela era a própria luz. Ela retirava as sombras do meu coração.
Este Natal, que já data quase 30 anos, permanece real, palpável e inestimável.
Ele demorou para retornar a mim, na figura da minha amada filha Ana.
Ele está também presente na figura de quem cuida dos acamados, de quem cresce e amadurece no amor, de quem sabe que a saudade se transforma e é compensada por atos amorosos, por pessoas novas que chegam e acalentam o espírito.
Longe de mim, fazer um conceito definitivo sobre Natal e Amor, que compreendo pessoalmente com instrumentos divinos do evoluir.
Essas palavras são apenas a centelha do porvir.
Porque amar e melhorar, em qualquer época no ano, em qualquer fragmento de tempo serão sempre bem-vindos.
Apenas uma coisa definitivamente a vida me ensinou e trago como uma máxima inexorável:
É SEMPRE POSSÍVEL AMAR MAIS E MELHOR, seja no Natal, ou no tempo que chegará.
E o amor, não sendo um discurso teórico apenas, mas feito de demonstrações, inclusive, precisa ser dito.

Assim, receba,o meu  “TE AMO”.

Feliz Natal, Feliz Amor, Feliz seja o seu Sempre!


terça-feira, 22 de novembro de 2016

TEOLOGIA POÉTICA



Poderia o poema ser a paz
De uma alma inquieta, incapaz
De se dar por satisfeita com o trivial?
Seria ideal ter-se porções medicinais
De tenra poesia.
Valeria encapsular em homeopáticas doses
As andanças sensíveis dos olhos impertinentes,
E fazê-los meditar
Além dos singelos registros históricos.

Mas o poema não pacifica.
O poema é a solidez
Sem amarra formal.

E assim, em busca de paz
Jaz o poeta em conflito - íntimo-
Da mesma forma que o médico
O pedreiro
O padeiro
O pó

Permeiam
A alma de quem
Sente
De verdade

Todas as dores
Além mundo.

domingo, 13 de novembro de 2016

PARA A LINDA BAILARINA

O amor minúsculo cresce
Parece a miniatura do amor
Maiúsculo.
Canta o dia todo,
Sabe números em inglês,
Compreende mais do que eu
Responde os meus porquês.
E me aquece.
Nas noites frias das incertezas
Da vida, esse amor me dá forças.
Ele transmuta o céu cinza
Em arco-íris de massinha.
Recita poesia
Receita alegria.
E apesar de uma lista de imperfeições
Que compõem minha alma
É a síntese perfeita
Das minhas melhores qualidades.

Ela se diz
Uma linda bailarina.

E é...

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O VELHO NOVO AMOR




Talvez daqui a mil anos, livre de todos os enganos
Meu coração se liberte, posto que hoje, inerte, meu espírito
Apenas se compraz de falíveis planos.
E quando os panos que hoje me cegam,
Além das tempestades que me navegam,
Caírem como as falsas afirmações do amar,
Talvez a criança já tenha crescido,
E sejamos pessoas totalmente diferentes
Sem que nenhum fantasma nos torne a assombrar.

Há uma ruptura indelével no amor ferido.
E se a proximidade do fim restaura o começo,
Prefiro crer que o levantar sublime justifica o tropeço,
O perfume das nuvens equilibra e prepara
Para sermos mais profundos que a cova rasa
Onde jazem os amores perdidos.

Há, além das conjecturas, um caminho no qual acredito,
Uma forma de amar, um sentido,
Tão profundo quanto o túnel imaginário
Que me conecta além mar.

E é neste espaço que eu te encontro
Além do infinito, na fala que faz o espírito pacífico
Pelo olhar com o qual desmistifico
Meu simples gesto de amar.


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

COMO DEVE SER O PARAÍSO






Como deve ser o paraíso
Aos olhos de uma criança?
Haverá dança, o que será preciso
Para que a felicidade esteja estampada?
Será a paz a plenitude, 
Ou o festejo do reencontro esperado?
Haverá um caminho de folhas amarelas?
E o frescor das tardes entre amigos?
E se o impreciso povoa o coração,
Enquanto as lágrimas da separação 
Ainda caem, somente a fé 
Ensinada pela mãe
Acalenta a criança.
Como deve ser o paraíso?
Que perfume será sentido 
Que tato será perpetuado
Que palavra romperá 
O silêncio do vazio...?

Do pouco que anseio
Pelo acolhimento que pranteio
Apenas uma certeza tenho:

O paraíso
Será o colo
Da minha mãe.