segunda-feira, 18 de setembro de 2017

ELEGIA

Como perscrutar a solidão e o tempo, quando o sentido de todas as coisas
Torna-se vazio diante da ausência imposta? Digo isso apesar do silêncio das palavras.
Algum oráculo, talvez, compreenderia a aflição diuturna de uma conexão sensível demais?
E se meus apelos são cantigas, calariam a música cujo verbo se faz não dito,
E o mais melancólico diálogo suprimido?
Fui ao chão sem sair de mim,
Um furacão atemporal é o estopim
Das tempestades da alma...
Enfim, revela-se a síntese do meu estado de espírito:
Tergiversando estou, em busca do alívio de minhas indagações.
Percebo-me absorta além do devaneio: em alguma bruma, de folhas esmaecidas,
Com gotículas e borbulhas refrescantes... Onde tudo é passageiro,
A ira, a decepção e o amargor, sendo que o perdão precisa ser o fim de tudo.
(Ainda que o fim seja um novo princípio)

Olho nos olhos do tempo, devorador de sentimentos,
Como se cada parte de mim flutuasse para depois deste instante.
As coisas mais delicadas me representam.
Os defeitos mais imperfeitos me representam...
Todo o muito, o incomensurável e inestimável...

Muito pouco
De mim é matéria, dou-me à leveza
Da borboleta que me guia.

Na verdade
Eu habito
A não substância
Também denominada... Poesia...

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Perspectiva


Há mais solidão
No coração que
Abandona
Do que no peito
Deixado.
Aquele que fica
Transforma-se
Pós tempestade.

A poesia
É a casa
Dos corações
Aflitos.

E que precisam
De colo.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

POEMA DOS APAIXONADOS

Ah...Tua boca na minha
Sacra santa ladainha
De um entardecer doce.
É essa boca que trouxe
O sabor da ambrosia,
Deleito-me em teus braços
O melhor dos espaços
De almas que já não caminham
Sozinhas.
Ouço o balanço do vento
À janela, os pássaros,
E de lampejo, suspeito,
Que teu beijo
Contra teu consentimento
Será roubado!

E se ainda houver espaço
E tempo,
Como numa canção de Cole Poter,
Ou de um filme retrô
Sem ser demode,
Ter o que ainda pode
Acontecer
Impresso na palma da mão
Como um descompasso
Incontrolável
Desse insondável
Rastro de paixão.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

POEMA DAQUELE QUE PENSA




Há uma inquietude intrínseca na boca no pensador.
Lambendo sobrancelhas e centelhas de sinapses.
Uma fala pausada pelas coisas sentidas,
Uma fama fadada de que a razão e o tempo caminham 
Juntos.
(Há separação de nós mesmos amparada pela metafísica?)

O pensador é o cantor mudo que perdeu a voz?
Ou que rouco de tanto gritar pela razão em nós
Está suspenso de si mesmo no direito de propagar
Seu pensamento?

Enquanto lá fora alguns lamentam
Não possuir o carro do ano,
A roupa da moda
O corpo em voga
O pensador espreme
Desesperadamente a ampulheta
Para que o tempo possa parir
Alguma seta que lhe indique
Coerência.

Enquanto lá fora alguns se apegam
Apenas à casca do ovo,
Ao consumismo como um todo,
Aqui dentro
Alguns ainda se dão as mãos
Mesmo que distantes 
Em bites, quilômetros, 
Espaço e tempos diferentes
Realidades e "classes"
Lutas mais do que íntimas...

E se em algum tempo o nó
Que aos poucos se percebe não estar só
No emaranhado turbulento do coração
Puder se soltar, liberto pela verdade objetiva,
Restará esperança
E a poesia do pensador
Não mais será do tempo 
Cativa.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

POEMA DA TRANSFORMAÇÃO



Ainda é outono e meu sono pertence à liberdade.
A saudade me reconhece além do abandono,
Aquilo que antes foi posto como regra,
Tornou-se a exceção.

Abraço longamente esperança todas as manhãs.
O despertar  vagaroso e sorridente, tem o efeito
O qual nenhum compêndio consegue descrever
Revigorando o meu existir dou-me ao princípio...

Reverbero sabores de maçãs, cafés e morango,
Notas de almíscar e temperos que desconheço,
O pouco que me reservo de sonho eu adoço
E aos poucos recolho o orvalho que me banha.

Na mística que insisto mergulhar meu corpo,
Na quântica que inspiro meus pensamentos,
Na lógica que fulcro cada ato sacro
Recrio a vanguarda do espírito.

Nada é posto até que a palavra seja plantada
Feito lenha do porvir
A acender meu coração
Na busca do inescrutável
Que domina a imensidão...

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Mudança (CHANGE)




Quando tudo rola solto e a fé te olha nos olhos
E todas as barreiras de esperança são erguidas
Protegendo o casulo para aquilo que virá... 
Ouço o sopro do tempo trazer a lembrança
Das coisas que mudaram pelo simples fato
Do acreditar.

E se aquilo que está posto impede
É a mudança de paradigmas que impele
O ser na sua rota de transformação.

Não, não deixo mais nada para amanhã,
Nem a lágrima imprecisa,
Nem o riso tolo que me transborde.

Não escuto o oráculo da sabedoria.
Somente algum hit da década de oitenta
Que magnetize e sintetize
Os mais belos acordes...


It's possible to make a difference
Thinking better and 
Making changes.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

PAPO RETO



Talvez o amor viva mesmo em mundos paralelos,
Onde castelos de princesa ainda sejam vistos,
Com salões de espelhos
Que reflitam nossa alma.
Talvez em algum palácio francês,
Ou em alguma praça da Toscana, com seus magníficos
Deuses esculpidos e despidos das artificialidades sociais.
E no meio disso, nós, meros mortais,
Caminhando por entre a sombra dos que nada sabem
E dos que acham que sabem demais,
Sejamos os gladiadores em busca da salvação,
Através do tão manjado caminho do meio.
O que é a verdade e a beleza no seio
De uma era em que o instantâneo alimenta
A inquietação metafórica de cada pseudo-razão?

Preciso mesmo da leveza de algo, ou alguém,
Que se compraza com um abraço sincero,
Com o mistério de uma estória que se desvele,
E que transmita a possibilidade de mutação.

Que o conhecimento sozinho não liberta.
A liberdade é um sentimento muito mais sofisticado:
É a linha tênue entre o que te melhora
De dentro para fora
Também conhecido como princípio da evolução...

quarta-feira, 5 de abril de 2017

POEMA PARA UM FILHO

O amor que tenho e trago
É um rasgo no peito de um cravo
Grafado em letras de amor.
Que se eu sou esse peito em flor
Derramando semente por onde passo,
É no abraço de um filho que repousa
O meu mundo.
E se dou luz em poesia
É em carne minha
Que repousa a suprema alegria.
Moldada na fineza delicada
De cristais de murano,
De bolhas de sabão,
Em renda francesa,
Na transitoriedade de um não
Com o qual educo,
Em que desejo que aprenda
Que o respeito vem antes de tudo
E que o amor é consequência da jornada.

Que eu sem meu filho
Sou o nada
E com ele sou superação.

Que eu sou o esplendor
Em seu sorriso, o canto
A concretude da sublimação.

domingo, 2 de abril de 2017

GIRA MUNDO

O jazz quebrou o silêncio
Que se vestia de pássaro
E um lastro de sol ardia
Entre o misto
De cortina de nuvem.
Nunca vi alguém reclamar
De bonança, naquele canto
Chamado de lar.
Enquanto isso as amoras,
Ainda verdes,
Eram a única espera válida.
Como uma música viciante
De Rod Stewart
Cuja letra eu nunca viveria
(Mesmo à custa de muita imaginação).
Uma coisa ainda me atrela ao chão:
O perfume do ser amado,
A seda da pele ao toque-discreto-
O olhar que não se entrega
Por completo...
Deixando um gosto
Cálido
De porvir.

E se o dia parece lânguido
Despido de objetivos, conceitos
E esperanças
O sentimento é outro...
De uma paz despertencente
A este instante
Onde a quietude
Beija minha boca.

sexta-feira, 31 de março de 2017

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

Tem gente de toda sorte
Tem gente que é feito
Corte cinza do céu
E destrói a seiva,
Ceifa e desajeita
A colheita da temperança.

Mas tem gente que é bonança
E dança nas cores
Plantando os amores
Recolhendo as dores,
Filtrando rancores
E desvestindo o papel
De vítima.

Sacudindo o espírito
E buscando
Ser melhor
De verdade
Ao invés de discursar
A pseudo virtude.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

DONA AVÓ





Há um poema que dorme
Sobre o travesseiro dos meus sonhos.
Ele tem olhos como os meus,
Manias, imperfeições
E um encantamento único.
Esse poema me inspira,
Nos dias frios sem lira,
Na doce embriaguez dos sentidos
Quando a minha direção
É a de ficar perpetuamente
A seu dispor.
Chamá-lo-ia de amor,
De uma perfeita conjunção de fatores,
Mas ele é algo sintético,
Bem poético,
É a moça do retrato
Que amo.
É a dama do teatro
É a raiz do meu
Contato com o mundo.
É a rosa mais linda
Ainda que só.

É minha partida e
Chegada,
Dona Avó.

PARABÉNS PELOS SEUS 83 ANINHOS!


sábado, 24 de dezembro de 2016

ESTE NÃO É UM SIMPLES TEXTO DE NATAL

Talvez o amor seja mesmo uma coisa estranha. De difícil explicação e significado ainda a ser desvendado.
Feito sentença simples, sem enfado, feito presente do qual não se espera qualquer agrado, e, por isso mesmo mereça a melhor de todas as retribuições possíveis.
E esse amor, este ano, esteja deitado no sofá da nossa sala.
Olhando a árvore de natal, sentindo-se feliz por crianças que brincam, pelos ancestrais que estão com saúde, pela paixão dos enamorados...
O amor não é produto ou coisa feita com manual de instruções, especialmente nesta época do ano em que cristãos comemoram o nascimento de seu salvador.
Para alguns o Natal nada mais é do que uma data comercial, muito menos um tempo de se celebrar o amor.
Tristemente alguns barganham Natal e Amor como moedas de troca.
Nas conjecturas íntimas dos seres sensíveis, pode o Natal ser um tempo de reflexão, uma prévia de um balanço interno de como podemos ser melhores do ano que se aproxima.
Cada um passa por um Natal diferente ao longo dos tempos, alguns natais poderiam ser apagados, outros trazidos e reavivados.
Dos natais que eu trago vivos na memória, tenho minha mãe fazendo os enfeites com papelão, cera, spray de tinta e bolas natalinas. Ela era a própria luz. Ela retirava as sombras do meu coração.
Este Natal, que já data quase 30 anos, permanece real, palpável e inestimável.
Ele demorou para retornar a mim, na figura da minha amada filha Ana.
Ele está também presente na figura de quem cuida dos acamados, de quem cresce e amadurece no amor, de quem sabe que a saudade se transforma e é compensada por atos amorosos, por pessoas novas que chegam e acalentam o espírito.
Longe de mim, fazer um conceito definitivo sobre Natal e Amor, que compreendo pessoalmente com instrumentos divinos do evoluir.
Essas palavras são apenas a centelha do porvir.
Porque amar e melhorar, em qualquer época no ano, em qualquer fragmento de tempo serão sempre bem-vindos.
Apenas uma coisa definitivamente a vida me ensinou e trago como uma máxima inexorável:
É SEMPRE POSSÍVEL AMAR MAIS E MELHOR, seja no Natal, ou no tempo que chegará.
E o amor, não sendo um discurso teórico apenas, mas feito de demonstrações, inclusive, precisa ser dito.

Assim, receba,o meu  “TE AMO”.

Feliz Natal, Feliz Amor, Feliz seja o seu Sempre!


terça-feira, 22 de novembro de 2016

TEOLOGIA POÉTICA



Poderia o poema ser a paz
De uma alma inquieta, incapaz
De se dar por satisfeita com o trivial?
Seria ideal ter-se porções medicinais
De tenra poesia.
Valeria encapsular em homeopáticas doses
As andanças sensíveis dos olhos impertinentes,
E fazê-los meditar
Além dos singelos registros históricos.

Mas o poema não pacifica.
O poema é a solidez
Sem amarra formal.

E assim, em busca de paz
Jaz o poeta em conflito - íntimo-
Da mesma forma que o médico
O pedreiro
O padeiro
O pó

Permeiam
A alma de quem
Sente
De verdade

Todas as dores
Além mundo.

domingo, 13 de novembro de 2016

PARA A LINDA BAILARINA

O amor minúsculo cresce
Parece a miniatura do amor
Maiúsculo.
Canta o dia todo,
Sabe números em inglês,
Compreende mais do que eu
Responde os meus porquês.
E me aquece.
Nas noites frias das incertezas
Da vida, esse amor me dá forças.
Ele transmuta o céu cinza
Em arco-íris de massinha.
Recita poesia
Receita alegria.
E apesar de uma lista de imperfeições
Que compõem minha alma
É a síntese perfeita
Das minhas melhores qualidades.

Ela se diz
Uma linda bailarina.

E é...

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O VELHO NOVO AMOR




Talvez daqui a mil anos, livre de todos os enganos
Meu coração se liberte, posto que hoje, inerte, meu espírito
Apenas se compraz de falíveis planos.
E quando os panos que hoje me cegam,
Além das tempestades que me navegam,
Caírem como as falsas afirmações do amar,
Talvez a criança já tenha crescido,
E sejamos pessoas totalmente diferentes
Sem que nenhum fantasma nos torne a assombrar.

Há uma ruptura indelével no amor ferido.
E se a proximidade do fim restaura o começo,
Prefiro crer que o levantar sublime justifica o tropeço,
O perfume das nuvens equilibra e prepara
Para sermos mais profundos que a cova rasa
Onde jazem os amores perdidos.

Há, além das conjecturas, um caminho no qual acredito,
Uma forma de amar, um sentido,
Tão profundo quanto o túnel imaginário
Que me conecta além mar.

E é neste espaço que eu te encontro
Além do infinito, na fala que faz o espírito pacífico
Pelo olhar com o qual desmistifico
Meu simples gesto de amar.


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

COMO DEVE SER O PARAÍSO






Como deve ser o paraíso
Aos olhos de uma criança?
Haverá dança, o que será preciso
Para que a felicidade esteja estampada?
Será a paz a plenitude, 
Ou o festejo do reencontro esperado?
Haverá um caminho de folhas amarelas?
E o frescor das tardes entre amigos?
E se o impreciso povoa o coração,
Enquanto as lágrimas da separação 
Ainda caem, somente a fé 
Ensinada pela mãe
Acalenta a criança.
Como deve ser o paraíso?
Que perfume será sentido 
Que tato será perpetuado
Que palavra romperá 
O silêncio do vazio...?

Do pouco que anseio
Pelo acolhimento que pranteio
Apenas uma certeza tenho:

O paraíso
Será o colo
Da minha mãe.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

POESIA MINHA RELIGIÃO


Houvesse em mim uma razão para escrever
Que não fosse o próprio ato da escrita,
Esse exercício louco de lucidez
Que “ad eternum” na alma crepita!
Nenhuma linha de mim
Jamais sairia.

Morressem todos os poetas
De que cor seria a agonia?
Como se expressaria a ilusão da lágrima
Ou até mesmo a morte de uma estrela.

E ainda me pergunto: Por que escrevo?
Quando o mundo cada vez mais
Torna-se monossilábico.

Não há dogma maior
Que emergir 
Da doma 
Da ignorância. 


Percebo que teimo no gracejo de um tango triste,
Enquanto que talvez de fato fosse essencial
Estabelecer se um tango alegre existe.
Se o sol é belo
E a lua é a musa nua da ausência de inspiração.

No meu silêncio
Ainda escrevo,
Talvez seja vício,
Ou um artifício
Da minha própria

Salvação.


(POESIA MINHA RELIGIÃO - Livro Inacabado) 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

BALADA DO AMOR VERDADEIRO


Quando ouvi seu chamado,
Dizendo que realmente me amava,
Acordei do pesadelo,
E retornei a você com minhas próprias asas.
E se a correria da vida
Não nos permite perceber
Que nossos cantores prediletos
Já morreram,
Restaram-nos suas canções,
Sinos que rompem o selo dos iludidos,
Aturdidos pelo silêncio de falsas promessas do destino.
Destilei o veneno
De ardilosas emoções,
E assim, como se tudo fosse
Pacível de se sorver,
Feito suco verde que fortalece,
Refiz a prece e vivi
Como se não tivesse acontecido.
Absorvi a dor inerente da evolução.

E daqui a muitos anos
Quando meu amor for
Lembrança,
Quando o que restar de mim for
A criança
Eu saiba a dimensão
De não sentir temor ou dó.

Acalentada por alguma
Balada que me inspire
A transmutar o amor
Além do ser
Que nunca esteve só...

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

TIC TAC

Ainda dá tempo
De ser reinvento
De amar a contento
Sem desalento.

De ser Drummond
De ouvir outro som
De ser bom
Por dentro.

De retirar a ressalva
Cobrir a pele de malva
De mergulhar no mar de amor.

De ser mais do que o ter
E renascer
Alguém de valor.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

DELICADEZA, EU ESCOLHO VOCÊ



Tentando compreender essa polêmica sobre "Pokémon Go" fiz uma consulta informal à Delicadeza.  Sentada comigo em minha sala, enquanto degustávamos um café, ela me disse claramente: há assuntos mais que controversos, pontos de vista diversos que nunca chegarão a um denominador comum.
Ela me falou sobre ponderação de pensamento, que o sarcasmo é para fracos e quase que redundante me disse: Gentileza é coisa para fortes.
Meio que sem entender o motivo de tudo isto, destes memes de internet tecendo críticas contra os que jogam, bem como dos excessos de quem joga e daqueles que nem conhecem não apenas este jogo, mas os jogos que os filhos jogam e saem detonando (não o jogo), mas comportamentos, dei mais uma vez a palavra àquela moça delicada que traz substância ao meu mundo.
Ela me disse que tudo é o equilíbrio. Que não podemos deixar de amar os nossos e de com eles convivermos em detrimento de qualquer ferramenta seja ela real ou virtual.
Que sim, há um elemento lúdico e de entretenimento nos jogos virtuais, que se bem usados ajudam a desenvolver o indivíduo.
Eu, que me preocupo mais com minha filha, que está em formação, do que comigo mesma que confesso adoro eletrônicos, mas já sou formada e tenho consciência de prós e contras recebi uma última lição de Delicadeza.
Ela me perguntou com que frequência brinco com minha filha, que tipo de brincadeira ela mais gosta.
Respondi que brinco todos os dias, várias vezes e que adoramos fazer papa e chá para as bonecas.
Delicadeza afirmou que eu não deveria me preocupar, que estamos no caminho certo, o do meio, o de saber que há uma dose para tudo.

Preciso aprender mais com Delicadeza. Ela transforma quem a toca. Ela melhora o mundo...

sexta-feira, 29 de julho de 2016

DOCES SONHOS

Em minha mão seguro a estrela das horas.
Cinco pontas
Quatro direções
E a esperança que não quer ir embora.

E apesar de ser tão distante
O berço das minhas razões
Sinto-me viajante de mim mesma.

Percorro céus em pássaros
Que me emprestam asas invisíveis,
Comemoro cometas
Como se fossem aniversários.

Adormeço entre doces
De cremes de ovos e nozes,
Confeitados em sonhos.

O céu é meu cobertor
E adormeço
Ao lado do meu amor.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

LÚDICO MODO DE AMAR

E contarás a teus filhos
Sobre o dia de hoje.
Sobre como esperei
Pacientemente
Pelo choro incessante
Que não veio.

Tu crescerás e falarás do sonho,
Das coisas novas,
Das provas da escola,
Dos amiguinhos,
Da professora.

E assim, como tudo
É tão novo para ti,
Tudo será inusitado
Para mim.

Pois reaprendo contigo,
Renasço,
Sou criança
Vivendo
Tudo de novo
Tudo de bom.

Sou sua mamãe pig
E você minha menininha
Nesse mundo mítico
De Pokémon!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

VÉSPERA DE UM BEIJO

Do fruto de um beijo
Um filho.
Feito trilho
De uma lógica louca,
Tua boca na minha,
Sem heresia,
Tua pele fez
Flor e lirismo.
E se assim é preciso
Um jardim de amores
Seremos flores
Para nossas flores
Que carregam
A semente
De algo plantado,
Entre gentes
Há tanto tempo.

Tua pele
Na minha
Flor lírica
Que ao meu lado
Caminha,
Além dos anos.

Terno
É o afeto
Descoberto
Ainda que o fogo
Fira a flor,
Mas as raízes
Se encarreguem
De reflorestar
O dom do amor.

terça-feira, 29 de março de 2016

Pelos 2 Anos Dela...

Talvez como uma canção leve, sem neve no campo, sem canto mas com encanto
Meu coração marejado tenha sido reabilitado ao amor pela sua existência.
E quando me imagino sem você há alguns anos atrás, eu me dizia o nada,
Pois assim me sentia por dentro. Vazia era minha poesia.

Hoje com a sala cheia de brinquedos, meus tablets repletos de desenhos,
Minha cama desarrumada continuamente eu tente restabelecer a ordem das coisas
Sendo minha pequena sempre em primeiro lugar.

Talvez como uma canção leve, eu não me negue o reinvento.
Eu seja menos do que prego, mais fluída que o vento.
Destituída da profundidade das coisas
Na fina estampa
Do amor que aprende as cores.

E a menina que alterna entre o balé ensaiado,
E o dependurar-se na mobília
Eis que tenho na minha filha
O maior de todos os tesouros.

segunda-feira, 21 de março de 2016

39

Há uma menina que habita a mulher
Que se desfaz no tempo do refazimento.
Ainda me lembro, como se fosse ontem,
Dos meus primeiros bolos,
Das festas simples e tão cheias de amor.
No álbum telúrico de minhas memórias
Histórias tantas de esperanças,
De minha mãe brincando comigo
No aniversário de nove anos,
Há 30 anos atrás...
A câmera acelera, ultrapassando o vácuo
Do lamento de um vazio em mim, o qual
Sei nunca encontrará remendo suficiente.
Ultrapasso minhas próprias falhas,
E enquanto ensino a menina pequena
A rezar...Rezo junto:
Para que o próximo ano seja feliz,
Que o dia de amanhã seja amoroso
E que eu não me lamurie de saudade.
(Não mais do que o necessário).

Há uma pausa inexorável
Nos meus pensamentos.

.......................................

O que farei do tempo que me versa,
Como se eu corresse ao encontro
Dos abraços negados pelo destino?

Haverão tantos beijos quanto os
Sonhados pela menina
Que fazia bolos de terra ao cinco anos
Como se fossem delícias de morangos?

Uma lista de músicas nostálgicas
É a trilha
Do filme de uma filha tão amada
Quanto o amor com o qual alimento
A pequena que pede "a bença"
E cristaliza o melhor do que trago
Por toda minha existência.

quarta-feira, 9 de março de 2016

CAFÉ COM POESIA

Queria viver da colheita de versos.
Como se rosas fossem a compor
As notas suaves e enigmáticas.
Ser asa leve feito pétala.
Sentar-me com uma xícara de chá
E falar de amor sem ser sintética.
Haveria gentileza em buquês,
Riso orvalhado entre gentes.

E mesmo que o sol tornasse
Árduo o cultivo das amizades,
Das formas como se comportam
As flores, haveria uma trégua de dores,
Na quietude desse quintal.

Pois poesia precisa
De um templo sagrado
Para se rezar a oração
Do que de fato é
Essencial.

quinta-feira, 3 de março de 2016

BORBOLETA EM FOLHAS

Entre folhas me vejo, arpejo além do casulo, e num pulo volto a me procurar.
E assim menina leve como bolha
Numa folha me rabisco cisco alado
Na imensidão que me desprende
Do fardo de um corpo cansado,
Sou alguém que compreende
A necessidade da inexatidão.
Aquarelo-me. Como se um galho
Desse o sustento, quase falho,
Para as coisas que teimam
Dentro de mim buscar
O grito da multidão.
Silencio novamente a busca,
Delineio nova dúvidas...Inquieta...
Natureza intrínseca poética
Que me faz volitar além
Da massa cinzenta daquilo que sou.

Figura metamórfica
Que me escreve no papel
Como uma alma
Que se reinventou...

domingo, 14 de fevereiro de 2016

DOCE ÓPIO

Das indubitáveis sendas em que me escondo
Ainda sondo os filhos do silêncio. E sem consenso,
Tampouco consentimento, tomo conta
Da pérola negra. Chove lá fora, enquanto me desoriento,
Feito bússola quebrada me guio,
Num navio sem convés, como trem sem trilho,
Sombra de um mundo sem sol em cores carnais,
Rubras,
Mesclo figuras que vejo, no álbum de recortes
Da minha filha Poesia, que por hora dança balé
Apenas com um pé.
Empoeirados estão meus livros e dedos,
Mas minha língua canta, como se apenas
Os anjos me ouvissem. E de fadiga, sob nuvens
De algum filme quase épico, eternizo folhas
Em tom de ocre, como se algum chá amarelo
Devolvesse-me o tempo que já passou.
(Em meio a tudo isso me questiono: o que fiz,
Para onde vou? Será que posso? Ainda sou?)
Suspensos assim seguem meus suspiros e
Tentativas de discernimentos...

Quando minha única certeza é
De que hoje meu corpo descansa
Nos arcos da ilusão.

domingo, 24 de janeiro de 2016

UM POEMA DE DOMINGO

Quanto tempo nos restará antes
Que se ergam sobre nós os oceanos?
E que nossos enganos nos cobrem
Acertos, enquanto estudamos
Um meio de desmaterializar o destino?
Existe ainda vanguarda no sopro
Que reverbera o meu espírito
Ou sou réplica
De um consensualismo banal?
Será possível
Suplantar minhas próprias expectativas
Incrustando realizações,
Além da ansiedade e do desassossego?
Como alguma graça metafísica
Traduzindo novas premissas
Antes do derradeiro descortinamento!
Quando, por fim, eu apazigue
Sonhos e cada um
Dos meus desvelamentos.
E eu viva mais aqui e agora
Plena entre o que fica
E o que jogo fora
No eterno ciclo do refazimento.

domingo, 10 de janeiro de 2016

QUASE HORA DE PARTIR

Vida cheia de retornos, assim somos,
Mais que frutos do nosso meio, creio,
Somos produto da nossa intenção...
O tempo passa além de nossos veios
E as estrelas, testemunham ceias
Nas quais se bendizem orações...

Permeiam assim em mim evoluções
Que reluzem meu sonho nascedouro
Levo na mala lembranças do sonho,
Relíquias dos antepassados, escudos
Que meus traços claros deixaram
Para minha semente filha do novo sol.

Já sou lágrima antes da despedida
Abandono antes da partida
Saudade dessa e de outra vida
Chuva a cair sem descanso.

Sou flor caída de uma tela antiga...

Meu único alento é saber de onde venho
Que tantas casas carrego no senho
E que em minhas mãos
Repousa minha morada.

E minha filha, feito eu
Andarilha
Percorre comigo
A mesma estrada...

(Tela à óleo por Mirian Marclay Fraga)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

BORBOLETA NATALINA

Quando a ternura descansa em minhas mãos e meu coração se esvazia, talvez eu possa me entregar ao que chamam de espírito natalino. Não aprecio os extremos de nenhuma data, quer seja o consumo desenfreado ou a total alienação sobre aquele dia. Gosto mais da serenidade que cada coisa, pessoa ou dia refletem em minha alma do que o impulso automático e imediatista. Acho também piegas quem tudo enaltece ou critica. Essa espécie de conflito transparece algo meio que entalado na garganta. Uns não gostam do Natal porque lhe traz recordações amargas ou um bocado de saudade. Uma saudade irremediável. Intransponível.

Somos feitos dessas saudades mais do que gostaríamos. Saudades de tempos, pessoas, instantes inatingíveis. Tenho dentro de mim ao menos três grandes saudades que me deram vida, educação e princípios. E pelo menos uma delas adorava o Natal. Fazia enfeites de cartolina com cera de vela e tingia com spray suas obras. Ensinou-me a fazer velas com aquelas bolas que adornam árvore de natal e guirlanda com materiais simples. Esta saudade se chama mãe. Meu consolo, meu único consolo é saber que um dia ainda que distante iremos abrir nossos corações e presentear-nos além das lágrimas e dos anos que se passaram após nosso último natal juntas neste plano. O tempo cura quando a alma assim procura.

Percebo, por experiência própria, que a solidão, quer seja pela saudade ou pelo desapontamento é um grande fator do desgostar natalino para alguns. E os compreendo. E os acolho no sentir, pois assim pulsou em mim por tanto tempo...Um tempo em que eu não esvaziava meu coração, mas o entulhava de desculpas e culpas. Em que meu julgamento era superior e que eu me isolava por imaginar ser incompreensível meu próprio ser.

Distância, saudade, desapontamento. Esses sim são os verdadeiros fantasmas natalinos que precisam ser iluminados, lapidados, curados. Julgar não eleva, não causa evolução. É preciso coragem para sair do casulo, para ser borboleta e se dar novas cores. Essa permissão a novos amores, novas histórias é que modifica o significado destas datas.

O novo sopro de esperança a me fazer reapaixonar pelo Natal foi minha filha. Ver como ela adora essas pequenas luzes, como se sente feliz em festas e dançando, sentir sua meiguice e inocência diante de tanta coisa nova.

De como vê uma sacola e diz "pesenti". Não no sentido consumista, visto que um bebê de 1 ano e 8 meses desconhece isto. Seu maravilhar é com a surpresa que se guarda dentro do embrulho, assim como guardamos tantas dádivas e presentes dentro de nós.

Este foi o meu gatilho-a maternidade- para transpor a cortina do isolamento. A crer no sentido metafísico que esta data precisa ter.

Nesta esteira idílica e nada utópica onde a riqueza é estar feliz mesmo sem esperar presentes, mas na alegria de presentear, surpreender e revolver beneficamente o ser amado com a própria presença, carinho, afeição e acolhimento, que acredito que cada um de nós que se sente não incluído nessa coisa natalina possa ser abraçado, possa  ainda se sentir amado, encontrar uma razão para estar feliz e ser completo.

Nunca iremos apagar a saudade. Talvez possamos encurtar distâncias, encontrar novas pessoas bacanas que façam a vida valer a pena pela partilha sem substituir quem já foi, mas oxigenando a alma nesta vida.

É tempo de metamorfose, de destilar esse mundo que passa por nós e nos deixa marcas. De escolhermos nossas asas, com purpurina, música, poesia, risos de crianças...De se dar ao direito de mimos mínimos...E máximos!

A figura natalina mais antiga de que me recordo era uma manjedoura trazida dos EUA pela minha bisavó. Eu ajudava minha mãe a montá-la todos os anos com seus personagens ao pé de um pinheirinho.
Eu adorava fixar a estrela de Belém no preguinho que ficava no telhado da manjedoura sinalizando que ali estava o Amor na figura do salvador.

Com o tempo esse presépio se perdeu. Tantas mudanças, casas, pessoas indo e vindo. Fiquei borboleta sem estrela...

Então a luz de uma outra Ana, menina,  tornou-se minha estrela de Belém, como aquela que brilhava no céu quando o grande profeta nasceu.

Procure a sua estrela pessoal. Ela brilha dentro do céu do seu eu. Ela aguarda pela pequena borboleta que acabou de renascer...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

VOLTA LOGO

Talvez seja a distância, derradeira figura piégas,
Muito mais que tema e motivadora de entregas
Inimagináveis.
Tecelã indefectível entre pontos amantes,
Fomentadora de doses de saudade cortantes,
Seiva que bebo da boca cativante.
(Feito absinto)....
E aquilo que não toco imagino.
Desatino num rompante lânguido
(Quase cálido)
Do ato de amar a  ser revivido.
Enquanto te escrevo ouço
Um sopro de alguma gaita que ecoa,
Em algum arranjo simples e banal.
Não preciso de lindas sinfonias
Para escrever que meu desejo
Tem teu nome.

Estremeço em recordar que tua tez
É o alimento dileto,
Da minha fome...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

ROTINA

Quero a paixão de sóis
Feito estrelas que colidem.
Quero o palpitar dos corações
Ansiosos que saltam
Pela boca.
Quero o perfume das maçãs
Do rosto do meu amor
Nas tramas de algodão
Que me aquecem.
Quero que meu amor
Conheça da saudade
Essa súplica silenciosa
E inquieta em meus olhos.

Gosto mesmo é quando
Meu amor senta-se a meu lado,
Na sala e fala do seu dia.

Sem juras, sem máscaras
Sem pressa.
(Nestas horas o vazio do universo
Se dispersa)

E ultrapasso
Os limites
Da criação.

domingo, 13 de dezembro de 2015

POEMA ENTRE MÃES E FILHAS

De todas as saudades que me embarcam
Em alguma nave, nau ou carruagem,
Há uma Ana, cuja imagem dentro de mim procuro.
E se o choro seguro, no recorte ancestral,
Sou água e sal vislumbrando o passado.
Bolos e doces numa cozinha pequena,
Mesas de baralho e drinks bacanas
São Anas , Marlis  e Verônicas
Algumas das senhoras e meninas
Que me amam em silêncio.
Quantas de nós ainda seremos lembradas,
Mais de um século depois do nascimento?
Quanta sede trará  a falta desse matriarcado
Que ainda enfeita as nossas paredes?

Talvez daqui a cem anos, eu seja contada,
Por uma anciã que hoje é menina
Como uma saga que se reinicia no
Tempo do amor que nunca termina.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

UM AMOR SEM PUDORES

Sou um amor em construção
Tenho meu próprio ritmo,
Desconheço ainda meu princípio
E os limites do teu ciúme.
Sou um sentimento de início
Um vício bom como de chocolate
Um compasso que bate
Vermelho escarlate.

Sou a clareira após o precipício
O véu que cobre os teus pudores
O amor maior de todos os amores
A dama coberta de flores!

Sou um amor além dessa imagem,
Dessa viagem que se  chama vida,
Quando a partida é a batida da ilusão
E o som é o mesmo intra uterino
Que acalenta o menino
Tão além da imensidão.

Sou um amor de uma
Iconografia demasiada insana,
Inconcebivelmente indomado,
Momentaneamente domesticado
Nesta paisagem humana...

domingo, 6 de dezembro de 2015

O SONHO NÃO ACABOU

Hoje tudo que quero, nesta tarde
Que me invade...É voltar ao tempo,
Para o colo do aconchego,
Quando alguma velha canção
Da década de oitenta nos traga
A sensação de acolhimento.
Minha matéria prima é a saudade,
Gratuita dama que me arde
E me furta o vigor da hora.
O amor é o que me resta apenas,
Trabalho com meios próprios
Não necessito de mecenas.
Transporto-me para alguns anos atrás,
Ou um pouco menos,
Quando éramos simples, só nós mesmos.
Em algum espaço ainda a vejo,
Lendo seus livros de Jorge Amado,
Ouvindo suas fitas cassetes,
Fazendo bolo de Coca Cola,
E chá mate de tardinha...
Tudo tão déjà vu.

Nesta viagem em mim, em ti, percebo
Que estou trabalhando nesta máquina do tempo,
Que lapida lembranças e as eterniza,
Em cápsulas de ternura
Ministradas no presente do renascimento.

domingo, 29 de novembro de 2015

POEMA PARA DAQUI A 20 ANOS

Filha querida filha, meu tesouro
Minha criança teu peso em ouro
Não alcança o peso da tua alma.
Feita da mais pura ternura, calma,
Adormecida em encantos de amor.
Fosse flor seria uma rosa,
Fosse pássaro um beija-flor
Mas como é feita de amor
E prosa és inspiração da minha poesia.
Com 20 meses se dependura pela casa
Faz a mãe correr feito louca
E a alegria que nunca é pouca
Faz seu sorrisso único e bendito.
Como a mãe vai ser faladeira,
Pergunta dos bichos, brinca de esconder
Faz da casa um recanto iluminado.
Forma frases com a voz mais aguda
E açucarada na mesma toada que
Grita pela mãe quando não a vê.
Transpõe tudo o que sou e o que fui
E me faz cada vez mais
Amar você.

sábado, 21 de novembro de 2015

CRÔNICA DO AMOR (AO) SERENO

São estes dias chuvosos, de silêncio que antecede a criança que despertará o bálsamo do espírito. Comigo uma xícara de chá, um amor lendo na rede e a memória de alguma música que ouço internamente. De toda concordância explícita ou tácita o regozijo dos prados com leves brisas é unânime. Há uma crescente onda em mim de amor. Amor pelas coisas singelas, feito flores em janelas, pássaros cuidando de seus ninhos, bordadeiras fazendo poesia e artistas estampando fantasias.
O tempo continua sendo a figura ambígua, que testemunha e permite o espetáculo da vida. O curador das feridas, o diretor das cenas em que atuamos sem fingir.
Numa rede verde o tempo segue balançando, enquanto faço um balanço da semana, da ternura vinda de longe em caixas com vestidos e sacolas de princesas.
Sem mais o que dizer -apenas registro- paz é um sentimento que se nutre, longe de mágoas, em gotículas de benevolência e que nos faz aprendizes da arte de viver bem.
P.S: Aquele dia sobre o qual conversamos -o da felicidade- finalmente chegou...

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

SUSSURROS DO ENTARDECER

Eu me escondo, na delicadeza das coisas não ditas.
E se a alma ainda acredita ser solúvel, em brumas,
Ou algo ainda mais volúvel,
Talvez eu assuma toda impaciência e fadiga
Essa que liga meu espírito ao suspiro do eu que habito.
De toda tolice que ouço no outro é em mim que deposito
O eco do vazio e das faltas que não preencho.
Andaria contigo novamente a minha poesia,
Em qual ponto de nós mesmos nos desencontramos?
Tem anos que sonhamos ver árvores que plantamos,
Divagar sobre alguma rica filosofia, redescobrir
Verdades ocultas mas explícitas em fotografias...
Eu me escondo no oposto da luz,
Na imagem da cruz
Em alguma estrada que abafa a lágrima...

Mas minha última lástima
Eu guardo
Para as lacunas de nós.

Esse sopro de esperança
Que de mim a ti chegue
Ao menos...A minha voz.


Para Gil Façanha

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

TOLERÂNCIA

Talvez se as pessoas
Ajudassem mais a si mesmas,
Aos outros caídos nas pequenas desgraças,
Aquilo que fere o mundo
Dissolvido fosse.

E se elas pedissem mais vezes desculpas
E se livrassem das causas e da culpa
E se vestissem de dignidade
Houvesse mais verdade
Em laços atados,
Mais pureza nas conciliações.

E eu ouvisse nos teus passos
Os abraços dos quais sinto falta,
E nas taças sacras além do meu sangue
A esperança
De que transcendi...

domingo, 15 de novembro de 2015

A PÍLULA DOS BONS PENSAMENTOS

Encontrei a cura para desordem humana.
Colhi temperança no Vale da benção,
Esperança no Morro dos Ventos
Sabedoria junto a um coração inocente
E criei mais que um repelente,
Eis a pílula dos bons pensamentos!

Sem efeitos colaterais ela proporciona
Alegria e paz,
Fomenta a criação de instrumentos
Que elevem a alma dos homens.

E quanto mais e mais eles tomem
Mais se multiplicam seus efeitos.
No pleito do viver com dignidade,
No elevar sentir junto ao próximo.

Estará disponível em instantes
No fechar dos teus olhos,
Levada a ti pelas asas coloridas
Da tua imaginação!

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A DÁDIVA DA REFLEXÃO

Era de extremos...
Tremo ao pensar
Que tolerância
E caminho do meio
São vistos como
Fraqueza.

Franqueza sem delicadeza
Fere.
Aprendizado pressupõe
Meditação...

O silêncio
(Por vezes)
Ensina mais
Que a palavra.

Ele é a boca sábia
Do pensamento.

Ah se a pauta sensível
Dos que laboram a revolução
Se desse em sal e flor.

Curaria as chagas
Nas águas salgadas
E no chão
Plantaria amor.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O AMOR - ESSA SURPRESA!


Cítrico é o amor tão ambivalente
Que antes que eu percebesse
Mostrou-se covarde e valente
Testando os meus limites.

Quando pensei que ele não me amava
Fiz-me chá de esquecimento,
Mas o amor voltou e reavaliei
O que eu ainda era por dentro...

Hoje o amor ainda viaja,
Eterno andarilho matreiro.
Como se não tivesse destino.

Mal sabe que sou sua asa
E ele
Meu terno menino.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

DELICADEZA

Em tempos tão duros
Em que afeto é artigo
Raro eu paro e penso
Na brevidade de tudo.

Quero ver mais risos largos,
Mais afagos e tragos,
Coisas escondidas na vida
Que se diz sem tempo...

Talvez sentar-me à borda
De algum oceano e divagar
Os enganos, os acertos,
E sem planos viver o instante.

Ser o que fui antes
Sem deixar de ser o que sou agora.
Resgatar a flor selvagem que mora
Num vazio cercada de diamante...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

ÉTICA

Em tempos cuja batalha,
Mais que o gume da navalha,
É o embate pela pátria,
A defesa das convicções,
Tratam alguns de forma patética
No que se refere
A legalidade, moral e ética
Como se tudo fosse
Uma coisa só.

Sendo ética uma dama,
Há que se tratá-la com respeito.
Sendo um cavalheiro,
Há que se ter o fino trato.
Sendo uma criança
É ela quem nos ensina.

Que no entrave de ideias
No nobre uso da pena
A dialética não é pequena
É a arma que não fere.

Assim para que não se
Destempere
Animos, honras e famílias
Há que ter ética como filha
Num templo
Entre as flores que plantamos
Entre o mel da sabedoria
Como o maior dos amores!

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

REMINISCÊNCIAS

Em algum lugar do passado,
Sem enfado, de que minha alma
Se recorde, feito acorde
De manhã chuvosa,
Sou feita de prosa
Brincando com trêmulas gotas
Em minha pele.
De tantas vidas não vividas,
Tantas existências deixadas
Preteridas,
Lembro do beijo não dado,
Do sentimento esquecido,
Daquilo que deixado me evoluiu,
E do amor que retomado
Fez de mim estrela.

A minha luz é recente
A minha mágoa...Se apagou
O meu amor
Inocente
Puro
Como quem nunca...Amou!

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

GRATIDÃO

A serenidade atingiu-me a pleura
Mostrou-me quão imperfeita sou
E que não mais sozinha estou
Nesta estrada estreita.
Tantos caminhos percorridos,
E destempero revolvidos
Olvidados em alguma imensidão.
O amor verdadeiro enfim veio,
Tão puro como o leite
Que brota do seio
Deu ao meu lábio mais que água!
Acalmou um estado de mágoas
Naufragando a minha presunção.

Muito mais eficazes que simples manifestos
A alma evoluí  em concretos gestos
Nascidos e gerados
Na nobreza do coração.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

MÃEZINHA DO CÉU

Mãe Maria
Mãe Preta
Da seiva de sal
Dos seus olhos
Iluminai os caminhos.

Meu coração peregrino
Imerso em teu colo
Bendito
No teu manto
Se sente menino
Numa paz sem precedente!

Teu semblante sereno
É lembrança da minha infância
Quando eu ainda sem saber rezar
Aprendi teu canto com minha mãe.

Serias tu Maria Preta
O acalanto da minha solidão?
O anjo que me acarinha
A maternidade em meu coração...

sábado, 10 de outubro de 2015

BRINCO DE PRINCESA

Do cálice doce que é teu lábio
Do cálido encontro entre profano
E sábio, ouço a brisa que me brinda
Alguma música da década de ointenta.

E como a vida se reinventa
Eu reencontro antigos amigos.
Uns brindam comigo as memórias
E o colo que o tempo me representa.

E vislumbro que nunca partimos
Que nunca deixamos o que fluímos
E que a delicadeza da chuva alimenta.

Como a mãe que se faz presente
Nos gestos compostos herdados
E acalentados num brinco de princesa...

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

METAMORFOSE

Preciso preparar a alma para algo novo!
Mesclar a púrpura das borboletas
Ao celeste do meu jardim.
Ser flor de raízes móveis
E me transplantar além do limbo.
Mergulhar na semiótica líquida,
Vasculhando além dos limites
O canto espectral.

Enquanto meus olhos
Se escondem
Eu sou onda,
Mística
Indomesticada
E
Sem
Fim.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Setembro

Música, música, música
Bálsamo aos meus ouvidos!
E os sentidos, tão...sentidos,
Restam embevecidos
Ao breve toque da canção.

Dá-me música, som sublime ao
Silêncio dos esquecidos!
E dança-me, dança-me
Neste setembro, como se chuva
Molhasse meus olhos
Temperasse meus molhos
Refrescasse minha alma...

Enquanto lavo os versos em mel
Olho o céu cinza de fumaça
A vida cheia de graça
E velo o sono da menina que crece
E se parece
Tanto comigo.

Num dia nublado
De setembro
Eu ainda me lembro
Da poesia vazia,
Sem o doce beijo
Da minha filha!

E como a vida se transmuta
Feito um ciclo de jazz que acalma
O espírito inquieto
Do poeta.



terça-feira, 4 de agosto de 2015

TEMPLO DA ALMA

Encanta-me teu tom sereno menina,
Teu sorrir traz a forma oculta
Descendente minha,
E avizinha teu ser
Da minha alma.

Teus delicados traços contrastam,
Os dias quentes e a correria,
Que a vida alucina
Menina... A vida sozinha
Alucina.
Sei apenas que velo,
Tua viagem sendo
O castelo
O elo
O templo
E o ventre
Que te carregou.

Entre nós o materno vínculo
Suplantando minhas dores.
Tu colhes flores,
Faz som e paz,
Reformou meu jardim
E tornou terno
Nosso jardineiro.

Olha ao longe menina
As amorosas manifestações,
A delicadeza da rosa
A leveza dos que volitam
O frescor bendito
Das águas que te aguardam.

És mais qua minha metade
Ou a essência que me habita.

És a borboleta
Que transforma
O coração
De quem
Acredita.

domingo, 26 de julho de 2015

POEMA PARA VOVÔ

Querido vovô hoje é seu dia
Com imensa alegria mamãe escreve
Por mim. Eu que ainda sou criança,
Cheia de graça e pureza.
Em mim há a certeza da nossa amizade,
Uma afetividade que se nutre,
Planta viva!
Quero contigo correr pelos campos,
Andar a cavalo,
Fazer piquinique nos prados
E churrasco no almoço!
Comer bolo de tardinha
Recolher as ovelhinhas
E ver os passarinhos.
Minha mãe diz que sou rica
Cheia de avós e bisavós,
Uma florzinha com raiz.

Minha mãe deve ter razão
pois dentro do meu coração
Todo esse amor
Me faz
Feliz!



quarta-feira, 22 de julho de 2015

Sem decadência mas com elegância!



Tentando entender gente fútil
Inútil se faz a tentativa de os transformar
É pura utopia!

Prefiro o lúdico
Ao púdico,
A pureza
Ao artifício.

Ao desperdício de tempo com o raso
Resta juntar novos acasos, 
Refazer as teias
Nutrir novas ceias
Onde asas e luzes
Transformem-se em amplitudes.
Volitar ante o efêmero,
Às estátuas decadentes
Da hight society.

Mergulho no íntimo cintilante
No perfume cativante de um filho
Nas relações benignas
Nas pessoas amigas
No combate límpido.

Em dialéticas 
Que inspirem.

Pois a Elegância das duas uma:
Ou se tem de berço
Ou-a duras penas-
Talvez a vida ensine.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Futuro


Em frente ao espelho enfrento
Meus medos e desapegos
E se me esqueço do efêmero
Entre termos o céu cinza 
E a noite que me aproxima 
Da menina
Atrás do espelho.

Adormeceram os versos
Em berços
Esplêndidos.

Deram a lábios
Leite farto
E ambrosia.

Sim, a poesia cresce saudável
Já caminha pela casa
E atende
Por minha filha!

Renasceu em mim
A esperança
De dias que acontecerão
No tempo
Do amanhã.