quarta-feira, 30 de maio de 2012

Reinventando o Amor I




"Na minha alma há um verso de ritmo compassado
 Que fala no tempo presente:
 O amor precisa ser reinventado."
 (Mirian Marclay Melo)

terça-feira, 29 de maio de 2012

VERSOS DE AMOR




Talvez você esteja pela estrada do universo
Quando meu verso de amor lhe encontrar disperso
E lhe beijar por mim todo esse amor que verso.

E você olhe para dentro de si em busca de mim
Como se todo o amor tivesse princípio e fim
E nós não soubéssemos sequer onde estamos enfim.

Porque amar alguém precisa ser tanto querer
A ponto quase assim de se perder
Quando tudo o que se quer é amar até morrer.
Porque amar alguém precisa ser tanto querer
A ponto quase assim de se perder
Quando tudo o que se quer é de amor viver.

Talvez o vento leve esse verso de um coração quente
Que sai do peito vertendo paixão cravando latente
Na tua carne o meu perfume ardente
E o verso" eu ainda te amo"...
...Simplesmente...  

Porque amar alguém precisa ser tanto querer
A ponto quase assim de se derreter
Quando tudo o que se quer é amar até arder.
Porque amar alguém precisa ser tanto sofrer
A ponto quase assim de se desfazer
Quando tudo o que se quer é só desse amor viver.


Talvez meu canto te eleve além dessa saudade
Que sai do peito vertendo toda essa vontade de
Nos teus braços não saber onde começo e onde
Tenho fim, e ter você dentro de mim.
...Eternamente...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O ENCANTAMENTO DE EVA




Entre o delicado ofício de ser Eva
De ser uma face sem artifício ou treva
Transito na arte ambígua das palavras.

Domo-te pelo licor dos lábios
Dessa boca que ainda espera
O verso que os sábios
Plantaram nas nuvens de algodões
De áureos encantos
E que nos meus voos rasos busco
Leve canto...
Nesse flutuar lúdico que faço
Nos teus braços.

Quero os versos que te amem
Que te tramem em mim como pétalas.
Que me descubram e que te cubram
Amor meu,
Crendo que sou aquela  que ainda
Te ama
Porque o amor não perece!

Quero os versos que te teçam
Que meçam o perfume da carne
Que desvelem para mim - em segredo -
Que há mais de um mundo
E tantas formas de amar 
Posto que o amor é essa mágica
Muito além do absurdo.

BELLA DONNA




As lâminas de metais
Eram tecidos florais
Dos beijos suspirosos
Dos olhares gulosos.

Os feixes luminosos
Fizeram-se profusos
Em ondas doloridas
Das íris difundidas.

Só eu sei o quanto te quis
Só eu sei que te faria feliz
E do meu beijo pedirias bis!

Na calma da alma fui dama
Na trama da cama fui alma
Aquela bella donna que ama...

domingo, 27 de maio de 2012

UM DIA O AMOR HÁ DE ME EXPLICAR...




Um dia será que ainda haverá
O que se falar desse amor
Que ainda que não veja é poema
Que ainda que não tenha é dilema
Que brinca nas lacunas do tempo
Que recorda o que já não lembro
Que me reflete no espelho
Em algum lugar
Que me ilumine.

Um dia será que ainda haverá
A perfeição da alma desfeita
A emanação que me faça eleita
Que ainda que me retenha exale
Orvalho dá lágrima da flor
Que se sabe forte
Ainda que delicada
Nos caminhos de seus cortes
Profundamente amada.

Só queria entender
O porque desse sentir que me rasga
Como se fosse intrínseco desse eu
O sentir da solidão
Quando sinto tão em mim
O carinho da tua mão...

AMAR DEMAIS




O meu amor amou demais
Viajou pelos teu ais
Num jamais que nunca veio
No plantar sem semeio.

O meu amor amou demais
Como se amasse por dois
Como se o antes e o depois
Vicejassem assaz!

O meu amor amou demais
Aquele amor dilacerante
Que matou o amor amado.

O meu amor amou descompassado
O teu amor dissonante
Que no compasso de um passo dado
De promessas sem lastro
Levaram-me ao chão.

O meu amor amou demais desajeitado
Como febre sem cura de um mal indesejado
Perdido sôfrego no lábio doce
Daquela paixão!

O meu amor...amou...demais...
E levou...de...mim...o amor que eu tinha...
...Subjulgando a própria paz...

...Quem sabe...um verso novo que me leve...
Um sonho novo que me terme...traga a chama
Que me beba...na leveza suave dessa neve...
Na beleza...nova...das termas que não inflamem
Só aqueçam...a mente e o corpo...
De um amor que de mim
Nunca se esqueça.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

TRANSFORMAÇÃO




Para que meu ser não caminhe
Nas sombras da sobra dos caminhos
No caminhar sozinho dos desalinhos
Em que o perdão não seja luxo
Em que a paz não seja supérfluo
E que a alma flua no sentido da luz
Transmuto na poesia da alquimia
A dor que o mundo mudo causa.
Há constante pausa em meus movimentos
Unguentos aos desalentos
Flores que semeio nesse seio
Que ainda crê
Que nada é finito.
Assim transito, nos silêncios
Em que te levo cá dentro
Como no início em que renascestes
Em pureza, além da torpeza da pequenez
Porque dentro de mim
O amor se fez.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A PAIXÃO




Saberia teu ser não se entregar aos meus beijos
A manter-se incólume aos ardentes desejos
A não ceder às flâmulas dos pungentes ensejos?

Porque ainda que o tempo teça a sombra da distância
Da querência pontencializada qual ânsia...latência...
Há imanência dilatada em teus olhos...doce intangência.

Convulso soluço do teu corpo, a meia luz desse enfoque
Das estrelas que pincelam o céu do amar que te provoque
Focos de brilho de fogo que em rogo sucumbem ao toque.

Há perfume da pele a inebriar suspensa dança no ar
Há teu nome na carne a incendiar as plumas a bailar
Há toda fome das almas que se amam e não se podem olvidar...

Existo como o sentir além da razão
Que te instiga a entrega cega
Do impensado que a alma prega
Como orvalho da rosa que rega
O solo árido da paixão.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

AMAR É...





(Dueto  Mirian Marclay Melo
 e
 Claudia Morett)

Ainda que os horizontes tragam o floreio
De um grito insano que não quer calar
Há mais em mim nessa busca sem receio
De compreender a grandiosidade de amar.
Ainda que metafisicamente haja a minha fusão
Com a profusão das formas universais
E o sonho a esmo quebre o coração
Ouço rumores de vozes ancestrais.
E que algum anjo me leve, me eleve além
Das estrelas cujas pontas são meus ais
E sobre tudo que me sobrevém,
Além de tudo que não vejo mais,
É no sagrado de mim que habitam
As causas do amor que me são primordiais.
Saberiam os mesmos anjos celestes
De fato o que é amar!?
Em suas majestosas lilases vestes
Volitando a esmo livres sobre o mar
Compreenderiam a mão ausente que me despe
E esse desejo em brasa a me queimar!?
Assim indago sem que te fira consciência
Qual é do amor a verdadeira essência!?
A mão confusa vaga a procurar
O puro despertar da consciência
A verdade que conjuga o verbo amar.
O vulto que revela aquela ausência
O passo intrépido fazendo o caminhar
E todos os rumores de almas ancestrais,
Dores antigas que não me são mais
Olvido ouvindo a voz e o silêncio
Perdida entre os sons e os sinais.
Mergulho a alma no horizonte imenso
Buscando aquela sombra ancorada em algum cais.
Dores antigas que não me são mais
E faço tudo ao inverso do que penso
Que o amor é voz, silêncio e paz
Odorífera flor, fogo e incenso
Coisas pequenas que não cabem mais.
No vazio oco das coisas que venço
Nas dores antigas que não me são mais
E nos anos desenrolados incólumes e eventuais,
A busca de mim, de ti e dos teus sinais! 

ANTOLOGIA VIRTUAL VII



Queridos amigos!!!
 Com muita satisfação participo da Antologia Virtual VII de Portugal com diversos poetas, sendo que venho deixar um convite para que confiram no link abaixo! Um dia lindo de letras para todos!!!


O (DES)DISCURSO




Hoje sei que faria tudo diferente?
Que não diria metade do que disse
E que escreveria o dobro do que senti.
É tarde!? Não!!!
Guardei tudo em mim
Coloco cada estrela em seu lugar
Aos poucos.
Aprendi que o tempo me acordava sorrindo
Ainda que minhas lágrimas,
Essas angústias líquidas,
Obliterassem a visão.
Guardei um discurso inteiro
Que hoje se encontra em revisão,
Como a alma
Que com toda fé em mim
Está reaprendendo a lidar
Com as palavras investidas
Do significado
De dizer
Te amo.

terça-feira, 22 de maio de 2012

CONJECTURAS SOBRE UM PÁSSARO AZUL...




Há mudanças em mim que se operam lentamente.
Aos olhos de quem sempre me amou fui perfeita.
Aos olhos de mim que me vejo desvelada, aflita,
Por todas as dúvidas e anseios, pela busca dos
Caminhos que observem os meios dos sentires.

Nada do que escrevo é a resposta, porque ainda
Não aprendi a fazer as perguntas, não estou pronta.
Quando muito tenho admitido que os outros talvez
Estejam aptos a me ensinar o que preciso,
Mas às vezes os outros também estão perdidos.

Não seria capaz de criar uma filosofia,
Uma nova ordem.
Meus métodos vão muito além da observação.
Eu não sou puramente racional ou emocional.
Apenas me dou o direito de sentir.

É possível que ao final de tudo eu perceba
Que já tenho meu próprio pássaro azul
E que ele estava aguardando por mim
Dentro da minha alma.

POEMA DOS VERSOS PARA TODOS OS TEMPOS!



Os versos que já foram ditos
Escritos no encanto do pensar
Dispersos pois que assim sentidos
Aflitos cânticos do querer amar.

Que se aflora agora o amor bendito
Infinito canto da ternura a vicejar
Posto que a hora do encanto querido
É em mim o velho amor  a raiar.

Que o tempo passou vociferante
Qual fera que da espera
Fez do vinho derradeiro trago.

Que o lamento passou dilacerante
Qual amor que se esmera
Dócil carinho verdadeiro afago.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A FORÇA DO MEU AMOR




Hoje te amarei como a primeira vez...
Com tamanha força e sanha,
Pois quando a saudade arranha
Talvez
Seja porque o amor transborda
A tez.

Hoje te amarei como se o mundo parasse
E tua mão a minha alma acalmasse
Trazendo o futuro sonhado no passado
Mas que restasse sublimemente renovado.

Hoje te amarei como se não houvesse tempo.
Como se tudo que carrego no peito
Tivesse que ser vivido como um grito no infinito.

Hoje te amarei porque tu me veio
Tu queres a morada em meu seio
Queres o caminho do meu carinho.

Hoje te amarei como tua eterna favorita
Em que cada parte indizível de mim
Seja a entrega que recebe
O beijo que a pele percebe
No desfolhar que contemplo
Desse templo que sou sem sofreguidão
Na pureza desnuda que te cubra
Da intensidade da nossa paixão!

sábado, 19 de maio de 2012

MANHÃS DE GELO




Nesse frio...as letras aquecem.
O ócio produtivo aquiesce.
E é quando releio a vida...
Os livros velhos...amarelos
De um passado novo que quero
Em rosa do mais intenso vermelho.

Aquele que como um botão em flor
Descobre-me intacta em selo
Conservada em gelo
Para o amor.

Ao espelho
Aquela que vejo
É a mesma por dentro.

Querendo o antigo profeta
Que como ela era poeta
À flor da pele no que sentia.

Percebeu-se verso lírico
No lúdico espaço corporal
Na vontade visceral que nutria.

Já não sabia ser outra coisa...
Senão carne e osso
Em poesia.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

MUITO PRAZER!




Quando não me conhecia e ainda ao espelho me olhava
Nas matizes entre o verde e o mel do meu olho esquerdo
Em que o direito brincava de ser homogêneo o amor era
Esse jeito cativo, ingênuo que perfumava o corpo inteiro.

Quando passei a ver os raios de sol que da alma fluíam
Que pouco distinguiam-se dos meus cabelos...ainda menina
Num corpo de mulher perdida nos confins nos despenhadeiros
Tantos abismos e labirintos, em busca do eu verdadeiro.

Percebo que não quero ser aquelas que já fui
Em cada manifestação sem transparência
Há que haver uma verdade mínima que flui
Que transborde minha real essência.

E ao fim de mim quem sabe eu me encontre outras
Tantas quantas eu ainda seja e possa em êxtase dizer
É esta quem sou transeunte espírito mutante, sê bem vindo:
Muito prazer!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

DOCE PECADO...



  
Néctar açucarado de ardência singular
Seria licor de amor
Seria sabor de amar!? Quanto dulçor
Tem a rosa negra em teus lábios???
Percorrestes os cantões dos meus evasivos ais
Das frias noites em que te perdestes nos pedestais
Como se fé e amor fossem incompatíveis
Quando o amor verdadeiro...tudo crê!

 Mortífera gana de se ver vencido
De ser obliterado pelo amar cativo
Em que tudo jamais te bastaria
Se te recordasses do que fora dito
Daquela singela poesia
Saberias que és vento oblíquo.
Abrisa-te, suaviza-te além do arrebatamento!

Tântrico rugir desse corpo versalhado
Envolto em teus poemas queimados
Em que te fazes de sádico, quase impudico!
Por qual razão existe angústia no desejar
Por qual razão me queres teu doce pecado!?

Em que tomas formas do ilusório
Em que queimas teu responsório
Porque o amor...ah o amor...
Queres ou não queres!!!?

Perdido gritas o vento da lamúria
Da entrega da devassa e da luxúria
Posto que és descrente do amor meu
Quanto te evades e te clamas do
Meu rogo ateu!
Do meu fogo o breu!

Ah homem de pouca fé entregue à paixão carnal
Que dizer que não te trague à forma visceral!?

Peço aos céus que um anjo te afague
E por toda letra amorosa que te dei
Que te rasgue
E que se não me amas ou
Descrês do amor que te tenho
Que de minha alma teu semblante se apague!

terça-feira, 15 de maio de 2012

FEITIÇO DE AMOR...




Saberia teu rosto em meu travesseiro,  perfumando-me de relance
Quanto do teu cheiro me é tão certeiro como a flecha que perfura
Como a força do vento que desloca-se das alturas quando passas!?

Ferverias-me teu líquido vermelho em minhas taças nesse profundo
De mim enquanto te admiro ao espelho como se o meu mundo
A ti se resumisse no instante sem fim em que te possuo além verso?

Ah doce matiz da tua pele ao sol nos campos férteis abençoados!
Planta-me a jornada do amor que dos encantos
Sei que haverá colheita em meus trigais dourados!!!

Por hora adormece amor que te fiz uma tenda
Na senda encantada Iluminei teu caminho de estrelas...
Para que ao meu sortilégio de amar tu te rendas...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

EU QUERO TE AMAR




Eu quero te amar tanto e com tamanha sanha,
Pois sob a minha pele há um infinito jardim que
Te faço, no pedaço mais puro de mim que é flor...

Eu quero te amar como se ontem não houvesse
Como se amanhã jamais viesse e que eu vivesse
Unicamente senhora e escrava desse amor!

Eu quero te amar sob as colinas, além das alvuras,
Nessa paixão que em mim carrego e que te entrego,
Nos mais perfumosos versos das minhas ternuras.

Eu quero te amar sob luzes e escuridões
Sob tremores e mansidões
Que a tez que se desvele sob os docéis
Mais leves  nos retire o peso das solidões.

Eu quero carregar-te em mim, nos poemas que faço
Ser teu espaço do sim, colher teu sim nos meus braços, dar-te
A primeira estrela do céu para que guie teus passos amorosos.

Eu quero te amar como a rosa mais meiga que te espera
Com a voracidade intrínseca da volúpia da fera
Porque o que é amar senão toda essa vontade que impera
Que suspira e o corpo extasia,
Que amortece o paladar
E aguça a fantasia.

Eu quero te amar na aurora da poesia
Quando o orvalho brota da pele da flor
No sublime instante encantado do amor.  

domingo, 13 de maio de 2012

POESIA DE VIDA




Havia um chá de rosas e framboesas,
Uma casa com mesas de madeira maciça
Os retratos na parede e o sol, que brinca de aquecer.
Certo como a sopa que apura na panela
A noite passa e defere paz,
Um pouco de saudade, que hoje está
Menos impiedosa que de costume.
É desse refletir que minha alma precisa.
Penso que a vida precisa ser simples,
O espírito já é complexo.
O amplexo deve ser vertido como o verso, sem medo.
O beijo há que ser beijado até que se fique sem ar.
Os livros lidos para toda incompreensão espanar.

Poucas coisas de mim tenho descoberto.
Que durmo quando estou tranquila,
Em qualquer sofá,
Num canto qualquer.

Como uma flor que da fumaça desopila
Respiro serenidade e flutuo.
Sonho tanto que parece ser real
O cheiro o som o desejo mútuo.

Poucas coisas de mim tenho descoberto.
Apenas uma delas tenho como certo,
Que tudo que sou precisa ser poesia de vida.

POEMA PARA MINHA MÃE







Há um poema que amei-amo- além da vida.
O poema de amor infindo, nos olhos puros
Daqueles tempos em que a inocência era
O mote e ainda que eu não me conhecesse
Conhecia-me, naturalmente, como filha.
Sou esta extensão da tua existência
Da poesia que esculpia nas tuas telas de lã
Nos teus bordados, teus croches
Na matemática que me ensinou,
Nos teus pudins de laranja e por todas às vezes
Em que eu não me compreendia
Mas a tua sabedoria, estendia-me a mão.
Alguns sentimentos desconhecem
Início ou fim, dentro de mim, são o movimento de
Uma sinfonia que irá se repetir enquanto a alma
Dispuser-se a ouvir a essência de ti.
Hoje e sempre, a lembrança não se apaga
Há uma onda vaga no amor, incompletude,
Uma saudade das coisas idas, da ternura
Que me comove, que me locomove.
E venho te dizer, porque sei que ainda me carregas no coração,
Que estás no jardim do meu espírito, em que te plantastes
Como a mais linda de todas as flores.


Por favor não tente me definir.
 Sou das coisas metamórficas como a felicidade.

sábado, 12 de maio de 2012

FÓRMULA DO AMOR




Ame a mim.
Com brilho e cetim
Sem fadiga.
Ame-me em versos
Em teus perversos desejos.
Roguei o profano e encontrei.
O amor poliu minhas palavras e ficou silente
De todos os amores que teve
Fazendo-me pensar ser a dama única sem nunca ter amado.
O amor virginal puro
É insuficiente, pois não domina os requintes.
O amor maduro não suporta a volúpia
Que encerra a sede de amar.
O amor só me interessa se puder ser reinventado.

PARA QUE EU TE SEJA AMOR




Para que eu te seja amor e orvalhe
Deixa-me ser essa tempestade
Permita que o destino que dormita
Desabroche na noite áurea que se abre.

Para que eu te seja amor, beba-me
Absorva-me em verdadeira saudade
Decante o fel do dia a dia, faça mel
Defira fantasia antes que a paixão acabe.

Para que eu te seja amor, envolva-me
Gosto dos requintes singulares
Aquém da mentira além da verdade.

Para que eu te seja amor, perfuma-me
Gosto dos mimos seculares
Além da própria lira aquém da realidade!

O GOSTO DA SAUDADE...



Perdoa-me se sangro quando falo de amor.
É que nesses instantes os espinhos me transpassam...
Perdoa-me se nada estanca a sua dor.
Eu nunca te disse que amar seria fácil, dócil, ou que
O amor fosse a resposta.
Tudo o que faço não explica
E quando penso em partir
É ele, o amor, quem me chama e diz:
- É assim mesmo menina,
Esse gosto ferroso é a minha ausência e presença
Anunciadas, quando se sente tudo
E que por vezes se pensa ter o nada.
São as marcas da paixão na salmora
Que muitos denominam de saudade...

SONETO DA ROSA PARA AQUELE QUE ME VERSA (Para Vinícius de Moraes)




Ah poeta! Perdi-me entre as flores
Fui colher framboesas e rosas
E aquelas recolheram-me as dores
Encantaram-me aquelas mimosas.

Ah poeta! Lembra da plenitude pretendida?
Dos gozos das delícias das romãs, das uvas?
Saboreio-as todas e não me sinto arrependida
Entre sol e estrelas clareia-me doces chuvas...

Ah poeta! Que te disseram os astros?
Que seriam desditosos teus rastros
E que o amor jamais te alcançaria?

Ah poeta! O amor é sempre jubiloso
Extasia a alma e o corpo ardoroso
Como o olor na pele da poesia...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A PARTIDA




Quando tudo reparte a arte em antes e depois da vida
E a própria vida não socorre o lagrimejar que escorre
É hora de ida com volta de algo novo além da despedida
Porque a alma que não se fascina, murcha e morre.

E assim que sabe um vento de baunilha a vida adoçaria
Num caminhar sob um sol mais alto uma nova trilha
Um sopro louco e leve de neve em alguma serra andarilha
Explique-me a saudade que tenho daquela que sou filha.

Hoje lembrei de tudo como um filme que passa
Fechei as malas, levei pouca tralha, só a prosa
E a poesia  de um beijo na bagagem.

O que  levo por dentro é tudo que basta
Que me faz sentir ...uma etérea rosa
Que flutua  na vida e faz do desejo essa  viagem...

terça-feira, 8 de maio de 2012

AMA-ME HOJE!



Tudo que tenho é hoje, agora, essa hora que passa.
A hora lassa sem graça que me tira do trilho que não
Sossega o frio. Ama-me. Esquece verso, poema
Trema sem dilema e leva-me sou aquela pequena.

Ama-me hoje e liberta-me de mim como se as vozes
Que clamam o tempo dos justos não fossem ferozes
E que o mais sublime encanto fosse esse acalanto
Que teço no mesmo pranto do riso que te canto.

Toma-me que sou verso falho
E que se ainda te valho
O mais doce orvalho vem.

E conceba-me além da dor
Que só quero ser teu amor
Teu precioso e único bem!

SÓ TEU CORPO...E O MEU...




Hoje senti falta do teu beijo do toque
Das fissuras que sem que se provoque arrebatam
Os olhos, as vontades que cortavam  até os papéis.
Hoje, apenas hoje, rendi-me ao ensejo lírico
Daquele vagar idílico em que tuas vestes e as minhas
Olhavam-se desnudas sozinhas em algum lugar
Enquanto rendiam-se dois corpos a amar.

Sou a mesma, o anjo claro e escuro
A busca do que não sei, mas procuro
Quando já não sabes mais nem meu nome,
E  não te lembras da minha fome
Ou do sabor agridoce das minhas falas.
Interrompo o devaneio apenas pelos  torpores convulsos
Dos meus soluços explícitos e dos desejos velados.

Surpreendi-me revisitando um passado
Que já não sei se me pertenceu,
Ou se é o futuro que ainda não é
Plenamente meu.

Apartado da alma resta-me teu corpo
Um amontoado de carne e osso
Essa lembrança de um amor
Que ainda não desapareceu.

E que me arranha em pleito terminal
Da minha febre...angelical...