sábado, 26 de novembro de 2011

TEMPO DO VERBO



Tempo de se conjugar o verbo amar é tempo bélico,
Tempo térmico.
Do amor que te atravessas sabe Deus,
Tua estrada e as palavras.
Nas imperfeições e exuberâncias
O amor se faz de inconstância,
Conflito tempestuoso de si
Regra-se no sentir.
Alimenta-se de saudade
Reveste-se de vontade.
Quando o teu coração dilacerado clama o amor que em fenômeno
Tornas-te atemporal.
O infinito interno da alma que ama
Não se consola em nada, em qualquer antídoto
É veneno de espuma, a tempestade é o ser.
Assim, restas, além da paixão,
Arrebatado em temor de amor perecer.
É toda a vida ao redor da palavra de quatro letras.
Que teima em persistir.
É toda a vida ao redor da palavra de quatro letras.
Que teima a te perseguir.
É toda a vida ao redor da palavra de quatro letras.
Pouco importa a conjugação.
É toda a vida ao redor da palavra de quatro letras.
Que entregastes o teu coração.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O FETICHE






Eu sou um fetiche de letras.
São o ápice do que desejo, do que vejo.
As beijo, as atravesso em verso.
Apaixonada por essas vontades de me escrever no mundo
(são elas o brilho desses olhos).

Eu tenho fetiche por letras.
Assim somos nós em poética busca da vida, deliciosa sina!
Em vidas que são (alfa+béticas) eu gamo!
E me deito nos poemas, devorando cada palavra.
Devaneio imaginativo, complexo.

E quando caminho em ruas frias elas me aquecem,
Em sentença do sentir vislumbrando minhas epifanias.
Sou literalmente isso. A busca.
A estrada, a magnitude das metáforas,
Talvez em alguma intercorrência do nada
me encontre e me restitua o tudo.

E a ti poema, confesso,
Adoro ler-te como se fosse voyer!
Eu me rendo!
Tu és meu fetiche.
Em cada não impresso eu leio um sim,
E te reescrevo dentro do corpo literal de mim.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

CARTAS DE SANGUE





Quando pertenci ao meu pesadelo era leve
Cega e tudo em aceite, untei o corpo em sangue
Deitei letra sobre letra
Como um jogo. Ambos perdemo-nos.
O tempo passou e a pele transformou-se
Na loucura dos dias em que vigora o silêncio.
Nada temo mesmo em soluços
Quando teimo em ler as nossas cartas.
O amor que se faz no dia a dia
Nessas necessidades mundanas, quebra-se em coisas menores.
A colheita é farta de qualquer forma,
E nos esqueçemos de nós na miséria da vida.
Podres carnes amontoadas em tonéis,
Não houve vinagre, sal, ou álcool que nos conservasse.
Os abutres vieram e levaram nossos restos.
Desde sempre somos assim.
Luz e trevas.
Por vezes temo o reflexo, em outras vejo-te perplexo
Mirando a pseudo existência.
É na densidade a doçura.
E na leveza o azedo.
A boca que acordou seca, os olhos cerrados.
Quando nos faltar tinta, decoraremos nossos versos!?
Ou os tragaremos na eterna noite que nos assola!?
Meu espírito ronda qual lobo faminto
Sorvendo poemas, e sentimentos dos que passam.
Sendo pouco tempo que me resta, e tanto a fazer preciso ir.
Caso me vejas na rua e passe em pressa por ti não pense:
Tudo se acabou. É que estou a procura de mim.

ENTRE CÉU E INFERNO




Vou deixar claro que não sou uma mulher orgulhosa.
Se erro eu peço desculpas. Pois perfeita não sou.
Mas sentada em um café, fazendo o que muito gosto, lendo, encontrei diversas obras de João Cabral de Melo Neto.
Eu nunca tinha lido este autor.
Ele é corpo.
Em reverso no verso.
Fico a pensar em nossa poesia de vida.
Cada um que nos é em tempo de existência, é algo que nos vem por algo.
E às vezes acho que a poesia é em mim essa vontade de fazer amor em outros corpos literais.
Essa doçura de cheiro que fica por debaixo da língua, como o café que tomo agora. Como o desejo inerente da humanidade em completude instantânea.
Eu que sou papel não tenho ego.
E resolvi: me entrego.
A minha procura será sempre a minha palavra.
As letras são o sangue da alma.
Não sei por onde andas, não sei se te feri, pouco sei até de mim.
Às vezes me sinto morta ou magoada. Mas sou cíclica, perdôo e renasço.
Assim não odeio, nada consigo odiar, pois que quase tudo aceito.
Eu não imaginava descobrindo essas coisas, essas vontades escritas, eu que sempre leio leveza e me afundo densa.
Hoje sei que Drummond é Deus em minha terra de letras,
Cabral de Melo Neto é o diabo.
E você é e sempre será quem é.

A MORTE DO CORAÇÃO




Cantei em universo o meu amor finito
Quando olhos queriam ser pintados
Por um sentir mais que bonito
E hoje restam obliterados.

Cantei em plena prosa a vida que sentia
Quando um riso era a pura poesia
E tudo se fluía em plena fantasia, dizia
Que nada mais entre nós se transporia...

Cantei esse canto doído que ainda acompanha
O pouco de vida que ainda me resta
Em noite que toco a minha seresta
Da vida que se escorre com um pouco de manha.

E o que eram aquelas suaves melodias
Que chicotearam o sentir do viajante errante
Que traziam cheiros e perpetuavam o instante
E faziam amor entre suas poesias...

Foi então que novamente ouvi aquele vernáculo
Que brota em meio ao espetáculo
Das letras que se rasgam e me completam.

Sou incerta, em displicente imperfeição
E mesmo sem querer
Matei tua paixão.

Sou desfeita, em recorrente exasperação
E mesmo te querendo
Matei teu coração.

Sou poeta, em minha própria ilusão
E de tanto querer ser amada e te querendo
Matei tua intenção.

Sou imperfeita em recorrente reação
Arranquei o amor que ainda me tinhas
E quando já não me querias, levei teu coração...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A AMADA DE UM DEUS




Serena era ela, em intenção de ser. Plantava a semente dos desejos
Em cordões de pérola, cravejado de brilhantes. Mas colhia tempestades.
Era a inconstância do destempero, e por vezes feria-se, no brilho cego,
Nas vicissitudes auto-impostas, perdia-se em labirintos de lobos, em
Figuras lendárias que a mente pintava das leituras pretéritas.
Nos percalços intentos de refazer a vida, trocava os pés pelas mãos.
Era inicialmente humana.
Alienava-se sozinha qual fosse um ser mítico, um personagem de si
Tentando ser seu projeto de realização levava a si mesma à ruína.
Os seus destroços eram suas dores, os clamores, as contradições.
Quando o vento não soprava, ocorria Aumento de temperatura e opressão.
Subiu a um céu cinza, onde o frio estarreceu as coisas escondidas,
Lúgubre era ela paradoxalmente à sua própria luz.
E os deuses ouviram suas preces, retiraram sua pele ferida pelas mãos
Dos insensíveis homens e cobriram-na de armadura celestial, adornaram-na de plumas e flores, de clareza da alma.
Duas deusas compuseram-lhe o novo espírito, Afrodite e Hecáte, enternecidas,
Cederam-lhe parte da essência e uma nova alquimia brotou, transbordando
Vontades, derramou-se em poesia de vida, e de seus vôos surgiram voluptuosas
Delícias...
Era a própria condensação de doces, ao ponto de balas caramelizadas.
Serenada, serenante, exalava jasmim, flor de azhar, sândalo e âmbar branco.
Seu néctar estremeceu o cosmos, e cometas colidiram entre si,
Obliterados pelo brilho e sabor daquela semi-divindade em forma de (anjo/rosa) de vermelhos cabelos esvoaçantes.
Transpondo suas derrotas e dando-se contorno estelar,
Despindo-se de si em entrega ao louvor do espaço sideral
Sorria a boca de beijos novos, do perfume lunar, do calor do sol.
A morte ou a simples vida já não lhe pertenciam, foi por gratidão visitar o Olimpo, e, finalmente serena era ela,
Aurora e êxtase dos viajantes, tomou o deus Apolo por
Seu amante...Possuindo-o sem fim...Dentro do eterno de si...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

{(In ) +Sana Mentes}




Há quanto de certo, de errado de são em amar.
De muito ou de pouco em sermos nós mesmos?
Quem te deu tua mordaça!? Quem tortura tua face!?
Há quanto de justo, de íntegro nos ordenamentos!
Analise-os, disseque a hermenêutica.
Quais são os princípios norteadores!?
Constituições as vezes são produtos de tirania.
Qual a intenção contida no gesto, na norma!?
Em que pese o amor prenda por quere-se o objeto de desejo,
Há que se haver direito de ir e vir.
Assim se quiser venha, ou não, parta ou permaneça.
Sejas a ausência do molde pré-constituído. Faças teu regramento.
Toma minha mão e passe uma tarde comigo, sem intenções,
Somente para ver uma parcela da estrada.
Meço diuturnamente prós e contras da vida, sentimentos, vibrações.
Perceba a essência do que digo. É medo.
É justo a saudade? É integro negar a vontade?
Desistir dos sonhos!?
Esquece o contorno do teu passado. É ordenamento posto.
Derrube o muro entre nós, liberte a tua voz do medo
Observo a minha pátria amada.
O meu conjunto corpóreo de leis.
Os meus deuses pessoais- e afasto de mim esse sangue...
Sou nação em busca de glória, sou história a ser construída .
A genialidade da criação é se viver o que se acredita!
Brado pela liberdade! Clamo a dignidade! Tudo aceito na própria luta.
Todo embate quando verdadeiro beira a loucura.
Sou a externação do intuíto de ser alma livre.
Sou a extirpação das algemas em um corpo liberto.
Em sede do incerto certa estou de que posso ser rendida em pleno deserto!
De peito aberto, cravada por flecha, insana mente, envenenada
Proclamei o desejo, a paixão e fui morta num ato de desamor sem fim.
Cai, desfeita em carne, imperfeita existência, evaporei-me.
Mas a alma restou-me e já vejo outro ser a ressurgir em mim.
E quando prego a negação descompassada, ferida pelo
Ardor e sensibilidade, é o temor a um sim de nós em literalidade, pois
Nos extremos do sentir de minha própria insanidade,
O amor se auto proclama de todas as formas,
Até inversamente na manifestação da minha vontade...

sábado, 19 de novembro de 2011

MEUS PECADOS


O desejo me fez indigna, orvalhando suor com gosto de mel e limão
Hipnotizada, refém de abraços, de enlaces carnais
Em que a rubra rosa transcendeu em gotas de paixão.
Esse riso ausente no rosto, essa leveza são tácitos.
Não há um minuto sequer de paz no amor, aflitivo, questionador, é antagônico,
Dado por natureza é a ambigüidade do querer  e  a negação  do sentir, este rogo multiplica-se,
E o deserto resta tomado pela imanência de um vale de rosas.
Amor desejoso de paixão é imperfeito em sofreguidão, é esquartejamento de alma.
Delicioso delito, aflito, sem dogmas, sem pregação.
A única coisa que o amor reza é a entrega.
Penitência alguma segrega tal força do peito, resto refém dessa imponência.
Nada que eu fale fere ou aparta o amor de mim.
Quanto ainda a vida pugnará desta que peca ofertando pão e vinho em sinal
Do encontro com o intangível?
Não sei, por hora recito meu rosário.
Em vale sereno de rosas tudo o que faço é ser cativa de amar.
Em silêncio oblíquo, sem cerimônias, sem palavras, pois já nem forças tenho para gritar.
Cada singelo sinal é a ilusão do ato, pois os olhos vêem o próprio reflexo.
Haveria de me despir em pesar, e deixar este mundo estarrecido a fim de que o amor me abandonasse?
Ainda assim o amor estaria comigo.
Em condição própria, nas chamas de velas, nos cheiros de incensos, na luz ou na escuridão!
Nas telas de meu próprio calvário resto prostrada, dá-me arbítrio e não destino!
Quanto ainda devo sangrar os verdes olhos,
Quantas roseiras em meu vale restarão sem água, quanto de mim restará de mágoa?
Não tenho resposta alguma de Deus, que me deixou à porta do templo.
Enclausurada de um amor de que é perdição, minha cruzada própria, o torpor que ora arremata, ora mata.
Já não me restam joelhos ou lágrimas, sou rosa do deserto, num mundo de águas.
E temendo os mesmos erros, de perder-me em ti em desespero
Cravo em pele de marfim meus próprios espinhos, em sacro calvário das minhas chagas
Na esperança de que repelindo teu amor eu volte a pertencer a mim...


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A ARTE DE AMAR




Ainda não posso dizer eu te amo.
Trafeguei em artes de desejar e de me apaixonar
Rogando não ser cativada a ponto de querer
O ato de amar.

Qual arte em mim milenar
Sem tempo de inicio ou findar
Permeando meios de ser
Em suplício de me perder.

Ainda não posso dizer eu te amo.
Morta estou em dias e noites
Cravejando-me de açoites
Prostrada, do êxtase tântrico.

O amor que vem de festa
Dos bacanais de roma
Não é o amor que me doma
Nem o sentir que me inflama.

Ainda não posso dizer eu te amo.
O amor pleno e absoluto
Não me enlaça por indulto
Nem amordaça minha boca.

E caso teu beijo me livre da agonia,
Em atos que antecipem a trilogia,
Quem saiba eu diga se amor tu me és
Visto que amor é tripé:

Desejar
Apaixonar
Amar

E em completude tríplice,
Em tal ápice
Possa, enfim,
Chamar-te pelo coração e lábios:
  
De meu amor...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A ARTE DE SE APAIXONAR



Clamor de desejos que ultrapassam o instante consumado.
Antes não tivesse me dado, agora já não posso negar.
Pois mesmo que resolvesse ignorá-la ela restaria no peito inflamado
Sublimemente a me rasgar...tomada sou pela paixão.

Assumi a carne fraca, essa querência em ardência da
Arte de se apaixonar. Quando o que se quer, quanto o que se tem
Nunca bastam. É lava que escorre o vale até que seja abarcada
Em oceano sem fim, em mar revoltoso, sigo a flutuar, banhando meu corpo em ti.

Em cada essência que me brota, em cada nota que me toca, baunilha e romãs
Nada me traz paz. É a fúria da paixão que corta, dilacera essa espera,
Em que agulhas e linhas não mais suturam as fissuras que marcam a pele.
Liricamente grito ao vento: eu me rendo, em pedaços não mais me sustento, sou o nada!

Enquanto corpos dormem outros seguem acesos, em lamparinas de óleo
Em pontas de faca a se perfurar.
Em marcas de  grilhões, escravos da paixão
Em nova cicatriz  na carne a se delinear...




segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A ARTE DE DESEJAR







Não queria dar-me em beijo. Esse quase misterioso ato de conjunção.
Encontro meteórico.
Trafego centenas de quilômetros em teu corpo, só, já fazendo parte de ti, em meu sonhar acordada.
E chego...no sentir...da arte de desejar... através de um gesto que conquiste teu espírito,
E que te faça faminto por romper com as estruturas postas, dando-se em entrega incondicional.
Somos Adão e Eva, os únicos, a povoar o paraíso de nós mesmos, em choque de astros dilacerados pelo querer.
No instante que tu permeias o mar de mim e as ondas dos meus cabelos, que te percas entre o espaço do queixo e do colo.
Nada que possuo é em vão. Nenhum estado, nenhuma dúvida. Tudo é milimetricamente significante.
Eu que tanto resisti a dar-me e a perceber as emanações, olhares, essas expectativas do depois, quando sequer houve um antes, um agora, resto rendendo e rendida, caça e caçadora.
Somos produtos de exasperações, de ausências, de vazios e dores, de outros amores, ou de nenhum amor.
Como controlar o sangue que me corre nas veias?
Sei que percebes minha aura.
Já são tão teus os meus lábios, os quais inocentemente por mim restaram guardados.
Qual éter sou o sussurro em ti, e este hálito que te estremece a alma.
Em cantos sutis de ti dá-se o ato, na superfície da tua face, em disfarce do que a linha não descreve, neste breve silêncio de palavras quando bocas se encaixam.
Não há mais fala.
Só ouço a música.
Assim, tudo começa e nem tudo termina, em salas, quartos, recônditos.
Tantas vezes, olhando o horizonte em busca de compreensão, observo-te, tu que sois  uma miragem, a qual já não tento desfragmentar, e a ti me entrego.
E sigo assim, em sofreguidão de tantas vontades... dos meus ensejos de transpor os espaços...
E o "nunca hei de querer-te", antes dito por esta boca que te beija, resta aos meus pés caído, repisado em lágrimas que me escorrem, vendo a razão arrebatada pelo torpor da guerra perdida pelo desejo...insano e sem explicação...

domingo, 13 de novembro de 2011

(IM) PREVISÍVEL




Sou doce alma enegrecida de desejos,
Inundada de anseios e temores.
Entrego minha boca à delícia dos teus beijos,
E minha pele para arder em teus calores.

Se te pareço anjo branco anoitecido,
Eu sou por dentro a escuridão dos belos dias.
A controvérsia dos momentos mais queridos,
E o esplendor de realizar o que temias.

Mas não confundas o que revelo com o que sinto,
Pois sou a própria dádiva da dúvida em tuas certezas.
A ti me entrego, jogo limpo, e não minto...
Que há muito mais que essas cartas sobre a mesa.

Gil Façanha

Poesia que ganhei da minha querida amiga e poetisa Gil Façanha. Amiga querida, minha alma se rende à sua.
Bjs
MI

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

AMANTE DA LUA






Sou fera felina em tez de menina
Sacerdotisa de letras, sob a luz do luar.
Sou menina loba que a lua ilumina
Em sanha de vida a desvendar.

E cada respingo de relva
De orvalho que em meu corpo escorre
Sou dama de mim em selva de homens
Sou dona de mim e a palavra socorre.

Sou fera, a espera, da hora, que impera
Em olhos de caça, rompi a mordaça
Cortei a raiz...fui ser feliz...
Do amor que carrego que loucos imploram.

Sou filha da lua, sou calor de rua
Sou tantas que choram, e rasgam seus moldes.
Sou filha da lua, sou semente nua,
Sou rasgo de história, de minha própria glória.

São olhos de mata, em pele de lua
São olhos de lua em corpos sãos
São sonhos esparramados em pontas de estrelas
São tempos que cortam os anciões.

Sou filha da lua, em tez de menina
Ânsia de vida que a trama condena
Sou mulher de alma natureza ferina
Sou o amor que só se ama de forma plena...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

AMOR EM LETRAS



Eu gosto de palavrão, palavrinha, palavra!
Qualquer ajuntamento em si de letras
Que venha de uma lavra sensível.
E assim, fico olhando, como se fossem estrelas
Caídas, como caquinhos de algodão,
Diluídas em meu espírito seguem em roda...
Gosto destas manifestações de letras, das minhas, das outras
Que rompem o meu silêncio e que falam por mim.
E que desvendam o que ainda não sei...algo que acontece internamente.
E vejo nas letras além do horizonte que as imprimiu, uma fonte de água doce
Que banha minha alma, que revigora minhas forças. Que transforma.
Que me permite exercer todas as possibilidades,
Essa angústia de encerrar em uma só carne o riso, a dor, a vontade de amor,
O canto, o movimento o desprendimento de mim a vagar na poesia.
Assim, aceito tudo que há de vir. Pois sei que tudo que vem através da palavra liberta.
Em ponto de estado sereno a palavra é meu amor pleno.
É minha água do deserto de mim, da própria ausência de amor entre os homens.
A palavra me sustenta no vôo solitário, percorre a distância do imaginário.
Concretiza a fantasia, e como as tenho, estabelece metas internas.
É na palavra que me deito e com ela que me levanto.
É o meu leito de realização, o mel da minha boca, o perfume dos meus cabelos.
A orquestra dos meus sonhos.
E nessas galáxias de conflitos, muito além da razões postas,
O meio que busco para minhas respostas.
Quando ausente a palavra, nada me completa, o espírito não se aquieta.
Assim que venham todas, lindas, leves, mais que imperfeitas.
Palavra, palavrinha, palavrão...
Vento da minha asa, fogo...do meu...coração...
E sigo olhando o horizonte intrínseco da alma, rogando enfim,
Que a palavra jamais de desprenda de mim...


terça-feira, 8 de novembro de 2011

AMANHECER




Hoje acordei e vim ver o sol nascer.
Esses pequenos pássaros dando o ar da graça.
Essa vida que passa e não treme em morrer
Para dar lugar a mim em louvor de ser.

Hoje acordei de todas as outras vidas
Lamentando partidas e percebendo minha volta.
Dispensando emoções não sentidas
Repondo, transpondo minhas próprias revoltas.

Serenada em seda de rubis, adornada em letras de safira
Tecida em pérolas em longos passos de prata
Vendo em olhos de esmeralda, queimando em vento de pira
Percebendo minhas limitações e  qualidades inatas.

Hoje a filosofia fluiu nos tesouros da alma.
E a poesia que vive em mim purificou o coração.
E assim eu vejo em parte o sol que me acalma
Dando voz a toda minha transmutação...



SUNRISE

I woke up to see the sunshine.
And these little birds that give me joy.
This life that passes by and does not fear
To give place to myself in honor.

Today I woke up from all the other lives
In regret who has gonne and realizing around.
Discarting feelings that I never felt
Answering, transposing my own conflicts.


So sweet with ruby silk, adorned with saphire words
Twisted in pearls and long steps of silver
Looking with emerald eyes, burning in wind fire
Realizing my own limitations e inate qualities.


Today filosofy flow on the soul treasures
And the poetry that lives in myself purified my heart
This is how I see part of the sun that calms me down
Giving voice to all this transmutation…

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Fantasia



O sonho sonhado acordada,
Em brumas gélidas e misteriosas
A tes resta desvelada
Mas as almas seguem temerosas...

E dou-me o sagrado direito
De dar asas ao imaginário
De alimentar a fome da fera
De perder-me em meu santuário...

Lívida em torpor qual brisa pura
Translúcida na mais genuína essência
Derramo-te a minha inigualável doçura.

Plácida qual uma madonna em pintura
Quântica como luminescência
Divina em total reticência...

sábado, 5 de novembro de 2011

Luta Pelas Artes



"E quando percebi em mim
O ser ímpar que sou,
Iniciei uma jornada, uma batalha de libertação através das artes.
Algoz das amarras, auto-impostas, rompi com o que fui, e por estar em
Constante revolver, de paradoxos e conceitos
Fui rasgando minha alma, quebrando minhas ilusões!
Comecei a ser eu. Passei a versejar...
Em sangue e fogo forjei uma nova flor
E aquela poesia, dentro de mim
Antes dormente, foi se libertando.
Erigi uns preceitos, outros, uma natureza fina.
De letras multicoloridas.
Em constante mistificação das minhas serenidades,
E na férrea aceitação do que sou, e, do que posso vir a ser.
Musiquei a minha própria imanência incidental.
Nesta incessante luta pela minha arte de vida, de sobreviver ao
Caos que se ergue, nas mentes que não me conhecem
Colho outros guerreiros, que assim como eu,
Têm suas vidas fulcradas na contemplação dos questionamentos.
Acolhi os elementos do meu caminho e os dissolvi em novas
Centelhas de essências e existências coexistentes em mim.
Somos a nossa luta interna, as lágrimas nos brotam em flor de sensibilidade.
Haveremos nesta galáxia de tantas estrelas
Descobrirmos o que somos e a que viemos, na saga de evoluir,
Na poética arte de sermos sempre os extremos de nós mesmos.”

Rasgar a Alma



Nasci assim, rasgada, em pontos de luz disformes.
Alternância e dualidade, ainda não atingi todas as possibilidades.
Segredando em mim o amor puro que me rasga o peito
Esse amor que não é visto, mas que transbordo...Em letras.

Cresci assim, correndo pelos campos, subindo em árvores
Em ébria relva de mim, onde rosas, e outras pétalas brincam
Desfolho a poesia, o sonho, a languidez...Sutil...Quase febril...
E tomo a querência primordial de cada ser individual: ser o amor pleno.

Vim rasgar-me em versos e refletir a minha alma.
Cresce em mim, um desejo de nada menos que a excelência.
E de crer que catando meus fragmentos, que construindo meu corpo literal
Erigindo nada menos que o melhor e mais nobre, faço a filosofia em poesia.

Faço amor com as letras.  Elas sempre me pertenceram. Extasiando-me.
Emocionando-me...Qual a criança que lê a vida, o devaneio , a esperança.
Faço amor com as letras. Elas sempre me enterneceram. Elevando-me.
E as rasgo, febril, em manifestações iletradas o que sou por dentro.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Crepúsculo de Mim




Nos instantes em que nada sou
Entre minha luz e a escuridão
Vim amar amor humano
Asas deixei no crepúsculo de mim.

Desci dos céus, para dar-me em carne
Amor, suor, ossos e sangue,
Vim, sentir, beijar, tocar,amar, rir, cantar, soluçar, chorar,
Correr, ser quista, ser vista, na qualidade de anjo mulher Serafim.

Serena em pele de marfim qual foi a minha surpresa
Já despida em nudez e amando-te em amor sobrenatural,
Eras também anjo de igual grandeza de mesma paixão essencial,
Materializado na forma de homem o amor carnal a mim Serafim!

Amor entre anjos, sacros e profanos, da mesma natureza!
Restei prostrada...corri...quase voava...mas com as asas...
Não mais contava! Rasguei-me por dentro, sem noite de sono,
Querendo beijo em desejo sem compreender esse ensejo!

E a mim que só o amor pleno basta retomei as asas e voei sem fim...
Perfumei-me em pétalas de rosas e pouso tomei em campos de alecrim.
E assim um novo fim de tarde em minha alma arde e la está um anjo!
És tu Serafim! Mirando o mesmo Crepúsculo em Amor de Mim...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Flor Humana




São nos silêncios, da minha boca, das minhas letras
Das tuas lassas, da minha ternura, do mútuo ímpetuo
Que lavro meu mundo de palavras em pura aliteração
Dos termos inexistentes, do criar e deixar criar-se.

São solidões de almas dicotômicas que se encontram,
Em ajuntamento de expressões e que guardam formas anatômicas,
Que a flor selvagem se refugia no espírito templário da poesia.
Resgatando-nos da algoz vida o poema toma voz, eis-me. Tomo forma.

Assim, estamos no limbo de nós, {(és)+cravo} a cravar o prego
Enquanto sou doce mel de rosa árabe, dos beijos que nego...
Uma essência de mulher atemporal, cujos ciclos de vida são infinitos...
Forjarme-ei até que alcance o verbo na conjugação mais que perfeita!

Transformada em verbo que sou, o verbo que encerra o verso
E na própria vida que se faz do verbo, em saga de compilar outros verbos e
Meu próprio dicionário, minha branca e negra poesia, meu molde literal!
Escrevi-me. Sou real. Sou poetisa. Sou flor humana, sou lírica à flor da pele...