segunda-feira, 30 de abril de 2012

O SABOR DO BEIJO MEU...




Pode ser que tu retornes ou que jamais tenha partido
E que se a saudade não contorne essa cisma
Haja outro prisma que venha reger as leis do amor.
Meu perfume ainda inebria o olfato o torpor
Dessas tardes ao vento, de fragmentos
Incertos dessa paixão e ópio certos que teu corpo
Produz, nada mais me seduz ou impele
Que a essência de almíscar da tua pele.

Se queres luz serei teu sol
Se queres escuridão...a noite sou eu
O breu sinuoso que o destino proveu.

Explicitamente talvez não me vejas
Só fantasie o sabor do beijo meu
Fluindo no céu que ardeja
Como o mais doce licor de cereja.

NUVENS DE SONHOS




Ainda que ausente, o amor se fará presente
Maior que qualquer encontro da fascinação.
E assim me ganhe numa taça de champgne
E assim me enlouqueça me vire de ponta cabeça!

E te suplante o efêmero toque do instante,
E assim ele, quem sabe, tudo te seja
O mistério da penumbra que lampeja
Que se deslumbra na sombra dardejante.

Por hoje me basta imaginá-lo intenso verso
Que me conhece pelo cheiro
Em qualquer rastro do universo
E que sobre as nuvens logo mais
Beije-me a nuca e me adore em paz!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O BEIJO QUE EU NUNCA TE DEI!





Sem tempo se vive a contento
No pudico alento da sombra.
Corre-se, percorre-se, socorre-se
O tempo que assombra.

Haveremos de desvelar o dia
De anoitecer em ardente poesia
De clamar em coro o socorro
Da alma para que se abrande
Para que haja calma
Para que a vida
Assim como o poema
Não desandem.

Caminho contigo, tu me vês?
Ouço a lamúria da luxúria que
As carnes ainda desejam.
Mas nada disso me aquieta
Nada que não completa
Sossega o desejo.

Pinto-me nas tuas lúdicas paredes
A seda que envolve meu corpo
Não sede à tua sede
Venha e veja por si o enredo
Se é cedo ou tarde...
Já não sei...
Mas ainda me arde
O beijo que eu nunca te dei!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

POEMA PARA O ENCANTADOR DE GATOS




Amo porque amo que se não amasse
Inventaria outra fala, verbo, sensação
Dando ênfase sim para que dançasse
E risse meu riso felino em tua mão.

Amo porque amo que se tudo de novo
Houvesse seria em tua mão que iria
Alimentar-me noite e dia da volúpia
E deixaria que fizesse mágica inebriante.

Amo porque amo e tu sabes que hipnotiza
Cada fragmento que a alma sintetiza
Conheço-te pelo olor e o vento me chama
Transformando-me de gata em tua dama...

...ah...meu senhor...o dia já inicia! Ouça!
O canto em que minha pele de louça lança!
Justifico-me sou tua, mas sou andarilha
Que da poesia sou filha mas trago
Na alma essa felina criança!

Ah...meu moreno...o dia é vida! Veja!
Sou aquela que no verso te ama
E que teu jeito encanta pela sutileza
E que no fim da tarde...miau...beija!

quarta-feira, 25 de abril de 2012

MUITO ALÉM DESSA LOUCURA...




Cola teu rosto no meu agora
Fala teu gosto não vá embora
O dia insano já habita lá fora
Quando dor é solidão da hora.

Rola comigo quem sabe na aurora
Cala somente aquilo que apavora
Que a fome de amar já te devora
E querer-me é tudo que em ti vigora.

Planta no íntimo a inocência da ternura
Libera do ópio a alma dessa secura
Se a vida levar-me de ti recria-me pura!

Que sou a brisa que te escreve da alvura
Nessa espera própria da calma da doçura
Que sou o amor muito além dessa loucura!

terça-feira, 24 de abril de 2012

O LIVRO DAS ROSAS - Parte III




Todo encanto que o espírito devaneia
É a ceia e da rosa o doce azeite.
Há aceite além da flor que te pranteia
Nessa dança ritmada dei-te
Delicadamente o riso
Em minhas mãos vislumbrastes
A transcendência do desejo
Despido no meu beijo.
Em que te fiz meu paraíso.

Teus lábios entorpeceram-me
Tuas mãos guiaram-me
Com carinho verti verso
Adormeci em teus braços...
Sorvi teu olor perfumei-te
No mais vigoroso leite.

Serenei, no sereno da flor
E fiz-te...amor...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O LIVRO DAS ROSAS - Parte II




Sobre teu corpo derramo-me
Em mel de rosas adoço-te
Elevo-te às alturas nas nuvens
Onde os que se querem bem
Amam-se além de quaisquer
Outros bens.

Ainda que te firam meus espinhos
Minhas pétalas revelam-te os caminhos
Do desalinho suave que a carne anseia
Em que o calor escorre-nos pelas veias.

Percorro-te a mente noite e dia
Socorro-te o inspirar a poesia
Escolho-te o mais doce orvalho
Que recolho e acolho como fosse
A lágrima cristalina no assoalho
Em que te amo no instante eternizado
Em que a brasa ilumina a beleza
De uma rosa ardorosa
Única na natureza!
E minhas pétalas se esparramam
Sobre os corpos que se amam...

domingo, 22 de abril de 2012

O LIVRO DAS ROSAS - Parte I



Há um livro guardado, sonhado no meu amar sem fim
É esse livro tão amado, ludicamente desejado
Que te escrevo enfim.
Embriago-me no desfolhar que versejo e quando te bebo
Alimento a sede dessa entrega cega em que o enlevo
É essa prece que cresce e alucina, aliviando a dor que
O amar demais a mim mesma incita em lira divina.
O teu calor ainda meu corpo lembrava
O teu amor ainda meu corpo ansiava
E daquela antiga paixão  a alma ainda era escrava.
A luz do teu corpo iluminava-me – e eu silente vi...
O beijo da flor que se entrega refletindo-me
Nos olhos como se nada mais pudesse
Aquele olhar extinguir.

Naquele dia era um botão de rosa
Querendo a todo instante perfumar
A tua delicada prosa
Para que florisse na minha existência
O mais puro amor
Em esplendorosa essência.


TANTO TEMPO...





Tudo que eu podia lhe dizer
Daquilo que podia lhe tocar
As falas do amor eu lhe versei
O que resta de mim pra lhe falar?

Tanto tempo entre nós passou
Passei a limpo o que lhe escrevi
Agora tenho que lhe confessar
Que outro amor tomou o seu lugar.

Deixei pra trás aquela solidão
Que você nunca veio estancar
Dei vida àquele frágil coração
Que você nunca veio abraçar.

Tanto tempo entre nós passou
Tanta poesia a se rasgar
Mas aguardo ainda aquele verso teu
Que fez a minha alma desejar.

Hoje ainda lembro de você
No verso que a ternura lhe guardou
Talvez o amor não era para ser
Ou talvez o amor nunca findou...






INENARRÁVEL SENTIR




Às vezes amo e digo
E por vezes não há nada a dizer.
Desgosto do gosto
Dizendo não amo!

Ninguém entende
E se falam , já não ouço.
Se pensam não advinho.

O amor é um mendigo sozinho
Que sai falando e ninguém entende.

Já não digo eu te amo.
Nem me engano quando ouço
E muito se tem dito, escrito sobre o amor.
Tanta balela transposta em mazela.
Risco letra morta.

Meu templo habito perene/conformada
Qual ave cativa, cativei desencantos
Observaram o torpor. Assustei a platéia.
Qual dizimada alcatéia só a lua restou.
E se eu me for? E aquele tudo virou nada!?

Parto
Vou para longe.
Sem palavras.
Sabendo que
No meu silêncio
Ainda te amo.

DEIXO




Meus olhos que te vejam
Minha boca que te toque
Meu verso que te provoque
Tuas mãos que tremam.

Meu perfume que te afete
Minha pele que te inebrie
Teu corpo que se arrepie
Minha alma que te complete.

Deixo o passado de lado
O futuro acordado
O relógio contando...

A lágrima do êxtase ofertado
Os mil beijos que já foram dados
E o silêncio tácito de quem segue amando.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

A DAMA DE LETRAS




Em puro êxtase me entrego à poesia que em teu lábio se abriga,
Essa música que me instiga como as letras que dançam em tua língua
Das jóias com as quais me cobres dessas palavras que os nobres
De alma assimilam...suponho-me aquela única dama que te
Inflama, que se faz no verso que te brama
Nesse mundo no qual me aprofundo como se fosse o único universo.
Existe encanto quando provo a trova oculta, que me catapulta além
De qualquer bem, daquilo que me tem e até do que por vezes convém.
Brinco com todos os elementos, sou anjo, desaforo e catavento,
A brisa que se porta como vento, o amor dos amores,
Em sutil forma de tormento.
Divago nas folhas dos meus cabelos, no clamor intenso do que vejo,
Nas fantasias que te sugiro sou sangue, rosa e suspiro.
Por vezes te afago te guardo
Por outras de ti fujo e te firo.
É a ambiguidade da minha natureza
Em ferro e fogo bailando a leveza
Por outras a paixão do abismo.
No rumo que se tece a volúpia que enseja
Possuo-te
Com essa boca que beija
E que em letras deseja...


Imagem de Umberto Buffa

ESPUMAS...




A nudez da minha alma não te bastou
Agora é tarde. Havia flores e doces, e mel,
Havia céu, lira e perfume. Eramos inexatos,
Mas ainda assim havia uma chance. Hoje
Tomo meu champagne ouvindo Bach,
Rogando para que tu te vás longe, sem
Qualquer possibilidade de voltar.
Tudo que eu poderia fazer por ti eu fiz.
As cartas de amor, os livros que escrevi,
Meus sonetos mais delicados.
Cada palavra que esse coração verteu
Foi o fiel retrato do amor que eu tinha.
A nudez do meu corpo não te bastou.
Os beijos inebriantes, os rompantes,
Cada voo raso que ao acaso lancei
Afundou muito além da bruma
Provando que não passava de ilusão
Aquele amor de espuma.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

A NOITE DAS FLORES VI






Sabia-se único aquele sentimento feito em flor
Em que se desvestiu da pele e vestiu-se de olor.
Em que se permitiam a tântrica alternância
Entre o frio e o calor
Que semeavam carinho e simplesmente
Colhiam amor...
Padeciam do silêncio do crepúsculo quando passavam
A valsar em seus corpos etéreos quase minúsculos
Ante a imensidão do universo que os acolhia.
Davam-se como alados seres que vagavam, luzes de prata...
Na mata que do paraíso ao longe se via
Única era ela naquele meio a flor que enebria
Com seu perfume, seu sabor de especiaria
No regato daquele recato
Da mais fina e extasiante poesia...

EU QUERO O POEMA





Eu quero o poema hoje, incerto verso que teima
Na largura da manhã dessa tarde que já queima,
Que transponha e exorte
Que seja da vida o mote
Que tire meus pés do chão
Que me afague.

Eu quero o poema que me drague
Que extraia de mim o dilema,
Que sufoque a dor e a teima
Que recolha cada folha de mim.
Que me liberte do sonhar sem fim.
Que me embale e não apenas divague.

Eu quero o poema que dilacere
Que me inspire e não exaspere
Que inclua a rima o sentido a sina!
Que se assemelhe a um rio de flores
Quando um beija flor beija-me
Como o maior de todos os amores!

O BEIJO ARDOROSO




Oh alma apaixonada!
Troca a amargura
Pelo doce da palavra
No meu verso há perfume
De baunilha
Sou aquela que da poesia
É filha.

Oh alma apaixonada!
Exalo da pele o mesmo encanto
Venha!
Que do meu corpo
A senha
É cantar todo o amor
Que eu te tenha!

Oh alma apaixonada!
Meus cabelos são teus
Fios de ouro-rubro
Dessa febre que descubro
Viva! Ardorosa!
Da boca que te beija
Em rosa!

terça-feira, 17 de abril de 2012

A NOITE DAS FLORES V




Ainda distante do dia, teus toques me desfolham
As horas passam a contento, na ilha deserta que desenho.
As águas beiram meus pés, mas as bebo em tuas mãos...
Elas são as esplendorosas vagas do amor em que
Mergulhei meu coração...
Da vida sou teu sal, a rocha que à beira mar te toma
A luz que ao teu corpo se soma
Teu sublime cristal a tocha que sutilmente te doma
Enquanto me embriago ao sorver o teu licor
E passas a me vestir em seda vermelha
Nas mais suaves pétalas de amor...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A NOITE DAS FLORES IV




Quando a noite chegou em meu jardim secreto
O teu corpo assim tão perto, era pura melodia...
Ainda que soubesse quem eu era pelo olhar, essa
Vontade de ainda amar não findaria a fantasia...
Envolvente perfume de rosas inebriava-me
O encanto se fazia delicadamente em poesia
Em esvoaçantes toques de magia...
Suscitaram-me os anjos flutuar aos céus,
Para trazer-te estrelas,
Mas plantada em teu peito,
Meu doce leito,
Sequer...eu pude...vê-las...

FRUTO DA FANTASIA


 
Teu amor talvez seja apenas um poema.
Meu amor talvez seja apenas um dilema
E o tempo apague a letra que se cravou
E o vento carregue o sangue que brotou.
Perceberemos que tudo era apenas sonho
E que o sonho nunca acordou para ser
A mão que me embalaria ao entardecer.
É possível que se houvesse amor
A poesia tivesse findado - posto que não
Haveria dor a se versar
E o amar...amar...amar...
Já fosse do passado
Um simples verbo conjugado.

Teu amor poderia ter sido meu tudo,
Mas por fim foi apenas este fruto
Que verteu esplendorosa
Poesia,
Perdido no labirinto da tua própria
Fantasia...

Entrevista de Mirian Marclay Melo




Boa tarde queridos amigos!!! Segue abaixo o link da minha entrevista que tive a honra de conceder para querida amiga Miriam Santiago (vide o post dela do dia 13 de Abril)!
Um fraterno abraço a todos e um excelente começo de semana!!! 

A NOITE DAS FLORES III




Ainda na memória o amor me escrevia
Na pele riscava-se risonho ao toque da poesia.
E assim, sem saber quem eu era, se outono ou
Primavera, ofertou-me todas as outras flores!
O vento convenceu-me que eu voaria, lúcida!
O tempo confortou-me fez-me quase lívida!
Tantos os meus desejos suspiros...meus ais,
Em que a noite me coroava
E aquele fascínio corava
A face que  se desvelava em busca dos teus lábios...
Desses predicados carnais...
Nos torpores dos nossos amores
Das íntimas e intensas notas florais...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A NOITE DAS FLORES II




A pétala ao vento leve e terna
Era o perfume da ternura
De novos lençóis.
Se fossemos girassóis de doçura
A dançar a vaga dos ventos
Diria amor não me prendas!
Sou leve não sou dos amores das
Flores que te querem.
Permita-me não ser nem
A lembrança, nem a renda
Tampouco a lenda de contas a ser contada...
Suplanta-me como o nada
E todo o lamento!
Defere-me ser teu
Esquecimento...

quinta-feira, 12 de abril de 2012

A NOITE DAS FLORES




Se fosse flor te amaria e te perfumaria
Do perfume que trago e que sou.
Se fosse água molharia teu lábio
Para que o beijo selasse o princípio.
Se fosse som faria silêncio para contemplar
O ar que tu inspiras e que inspira meu amar.
Mas sou apenas aquela que pensa que não
Te ama, no éter da ternura que o vento levou...

POESIA NEGRA




Ela sussura palavras que sente
Esperando a presa silente
Agarra a carne farta e em dentes
Perfuma a tez da caça indolente.

Olhos de pura desgraça
São olhos pungentes
Que desvelam a taça
E transbordam displicentes.

Sente, suspira
Retoma a ira
Que na pira quente...

Deflora e implora
Por mais
Poesia inclemente... 

terça-feira, 10 de abril de 2012

O AMOR SEMPRE RETORNA




Sob o azul do céu e o silêncio do mar
Renasci batizada no mistério de amar
Dei-te a paixão que havia guardado
De um coração amante dilacerado.

Aquele mergulho foi um vôo uníssono
E tuas mãos não me foram o abandono
Destes-me a primeira vez no profundo
Retomastes o meu amor neste mundo.

Meu corpo não sabia que amar vicia
E que em águas cristalinas reencontraria
Aquela mesma menina que julgava naufragada.

Deixei que a brisa levasse-me sob vela
E que teu corpo fosse meu barco e a cela
Naquela imensidão que me deixou extasiada...

CONSTELAÇÃO SAGRADA DO AMOR




Os pergaminhos dos céus vieram-me cedo, além do medo,
E do peso do nada que me arqueava pelas letras ocultas,
Pelo amor que não se falava, mas se sentia além das palavras.
E sem nada dizer como quem tudo tivesse vivido e sido era
Amorosamente o instante amante desse corpo divagante.
Naquele silêncio o amor era perfeito,
Talvez porque compreendesse
Seus próprios defeitos,
Porque aceitava o que emanava do peito.
E assim passavam as estações, vinha na primavera,
Colhendo-me flor que era, queimava-me no verão,
Suplantava-se no abandono do outono.
Para recobrir-me de sublimação.
O amor ainda não me encontrou no inverno.
Não houve tempo.
É possível que até lá, eu me transforme.
Que seja parte de outro firmamento.
Que celebre a sombra da luz que se apaga,
Que invoque outra estrela, a alma que afaga
E o cometa que divaga o devaneio da devoção.
Que se refaça muito além
Do mal e do bem,
Do agora e do porvir, que passe a rir
Que deixe de se lamentar da solidão.
Que encontre o sagrado de mim
Que desenhe sem enfado esse fim
Que me complemente além da paixão.

Que estremeça o linho que me deita,
Piedosamente...quieto.
Tornando-me, enfim,
Um espírito completo.

Imagem de Serge Marshenninkov 









segunda-feira, 2 de abril de 2012

SEXTO SENTIDO




Dentro de mim há uma senda onde teu eu
E o meu, sem que eu entenda,
Amam-se além do breu, do espaço tempo.
Desconheço esse fim e o início, apenas sinto
Atrelados nossos peitos enlaçam corpo e alma
Como se a paixão derramasse na imensidão
Meu pó de estrelas na alvura da tua ternura.
Sem que uma palavra sequer seja dita
Pressinto tua chegada, teu olhar que minha
Pele no imaginário fita, desejo que na carne habita
Como se fosse a razão bendita, o legado sacro
Que trago de alguma outra vida.
O sol já amanheceu tantas vezes sem que te
Tenha possuído, a noite cai e o que de fato
Haveria de corresponder à razão,
Quando os vultos dos indultos socorrem-nos
Dessa desditosa solidão?
Rogo que no fundo tudo não seja um pretexto
Da volúpia disfarçada de sublimação
E que de fato haja um sexto sentido
E que tudo não seja apenas fruto
Da minha imaginação...

FAVO DE MEL




Como queres que eu creia ser tua única amada
E que as minhas ceias teçam teias açucaradas
Que oferte a ti as minhas veias amendoadas.

Como queres que a chuva não te molhes
Quando o caminho das torrentes escolhes
E na penumbra com as sombras te encolhes.

Como queres que eu te fale que resista qual rocha
Quando da carne a conquista é quista como tocha
E no peito a flor em sede de amor não desabrocha.

Como queres que eu te queira se esqueces
Das perguntas que te faço e incógnito somes
Em lúdica viagem sem saciar minhas fomes
Despido em vitral da catedral das preces.

Nessa voraz súplica que tua alma cede à tormenta
Teu corpo nessa intempérie já não me sustenta
Sôfrego espasmo mordaz que a boca quer beijar
Em brasas no vácuo imperfeito faz o corpo latejar!