terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O PLEITO AO TEMPO




Quando uma última tarde chegar, ao critério do tempo,
Espero dizer ao nada que me veja, que me venha sereno,
Que amei muito, tanto quanto coube no coração pequeno.

Nem todo amor me cabe no peito.
Existem caixas com diversas cores e tamanhos,
Onde vibram de acordo com suas intensidades.
Existem amores idos, dados, alguns esquecidos que
Merecem ser lembrados, nesses minúsculos quadrados.

Ainda serei capaz de nominá-los, em que pese não estejam
Etiquetados, cada feixe de sentir – perceba-se amor não se acaba
Transpassa meu ser, persistindo o bom, a ser exaltado.

Indago ao tempo mais tempo.
Para que todo o amor 
Que ainda possa sentir
Seja plenamente realizado.

Tempo! Tempo daí-me tempo de amar
De toda serenata ao luar, das flores
Que estão por nascer, quero vê-las!

Tempo, tempo entrega
O infinito a mim
E assim amarei
Todo o amor que
Há de habitar em mim!



NOITE




Brotei na calada da noite
Nem tão calada, sem calos
Sem extremos em uma viagem ao
Nada de mim mesma.

A noite é um templo
Como uma bela dama
Semi nua, que nos fita
Como se nos amarasse por fita.

Há noite ah...querendo-me
Bailar, em que imagino-me
A sonhar sozinha.

Neste salão de devaneio
Em que teu seio
Em meu peito se aninha!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

DAMA NEGRA






Lúdica dama que ama
Lírica alma sem doma
Madona das sombras.

Princesa da madrugada
Sublimada em romantica
Loucura, dama amada,
Rainha da noite pura.

Menina que te toma,
Mulher que te alucina
Soberana que te soma
Tua ceia, tua sina.

Sou a noite que te arrepia
Sou a noite da tua poesia
Sou tua noite em pleno dia.

Sou a dama da noite tua
Senhora da escuridão, em que
Estrelas adornam meus seios
E meus veios são tua única paixão.

Sou tua madona, essa dona
Do teu coração.
Adoço-te em lua de mel,
Sendo teu céu
De negra devassidão.

DAMA NEGRA

Gioccosa dama che ama
Lirica anima senza dominio
Madonna delle ombre.

Principessa dell'alba
Sublimata nella romantica
Follia, donna amata
Regina della notte pura.

Ragazza che ti porta,
Donna che ti allucinazioni
Sovrana che si somma
La tua cena, il tuo destino.

Sono la notte che ti tremare
Sono la notte della tua poesia
Sono la tua notte in pieno giorno.

Sono la dama della tua notte
Signora della oscuritá, in cui
Stelle adornano i miei seni
E le mie vene sono la tua unica passione.

Sono tua madonna, questa donna
Del tuo cuore.
Adoço voi in luna di miele
Come il cielo
Da dissolutezza negra.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A TAÇA




Em minha taça beberás teu beijo
Sorverás o néctar das flores que colhi.
Tomarás em mim, amor, a paixão que prometi.

Encontrarás teu caminho, teu doce vício

O recíproco lampejo, o ímpeto, esse desejo
Em que me tomas por teu vinho, teu escrutínio.

Minha taça te inflama, te chama

Entorpece, sem medo, e derrama

Sem freio a espuma que verte de amar.


É a onda do mar, que vem

E vai, e teima em voltar

E licorosamente,

Num movimento ritmado,

Realiza o amor em teus lábios.


Em minha taça

Tu te perdes

E me encontras

Deliciosamente

Ébria

E solicita de ti!


Em minha taça

Há teu corpo

A versar-me

A valsar-me

Em esplendor

E frenesi!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O SILÊNCIO




Que meu verso seja sábio, a sabedoria que não infame a alma,
E o compasso que seja lento...para que saibas que
É de forma simples e sincera que venho às portas do teu coração.
Muito de mim não te digo.
E muito do que expresso não sei como interpretas.
Tudo se passa num turbilhão sem fim.
As dores e alegrias, essa vontade
De que o tempo me leve sempre até onde estás
E que a solidão que me cerca
Se olvide de nós e não nos fira.
Ou, em caso extremo,
Que se opere uma amnésia específica do
Tanto o quanto já nos quisemos.
É um doce veneno esse amor, que ao final
Do dia e da noite não se resume, e quando
Penso que meu caminho é livre, ao ver-te,
Todos os espinhos ferem-me a carne,
A luz torna-se confusa, a boca arde
A visão obtusa, e ainda que seja tarde
Torno-me reclusa a buscar-te ou
Em busca do passado de nós e dos planos
Que sonhei para mim.
Não sei porque insisto em falar-te, o erro é meu.
É que não consigo interpretar o silêncio,
O teu silêncio - é esta incógnita
Da espera que dilacera.
E me penitencio,
Pois não te compreendo
Nesta ausência das palavras em ti...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

QUANDO O AMOR ME FALA




Fala-me amor são teus os meus ouvidos
Neste instante em que tudo se faz leve.
Paraliso-me em meu próprio paraíso
Para ouvir teu sereno canto sobre a neve.
Há em ti essa orquestra completa
Executando minha área predileta
Compondo-me e recompondo-me
E transformando-me em melodia.
Há dias em que apenas preciso ver-te,
Em outros, flutuar nesses versos
Que me teces, e nessas preces,
Quando as palavras da tua boca
Movimentam o vento,
Transmutando em luz
Toda a história
Em graça do porvir.
Faz-me, amor meu,
Desse sentir lírico
Um desejar idílico
Essa eterna odisséia!
Em que te ame infinitamente
Em cada verso que eu escreva
Como a mais sublime epopéia!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O AMOR- ESSE VÍCIO




Sempre em círculo
Uma mesma jornada
Essa estrada de eternas voltas
Em meu peito.
O amor não possui o direito de
De ser esse vício
De ser um suplício.
A que custo o amor me deixa
Em tanta incerteza,
Como se sempre houvesse
Essa curva ad eternum,
Que tanto me alucina
Como se fosse sina
Que nunca termina
Sem sequer ter começado.
Uma inglória história em que só
Conheço esse fado
Esse fardo de ser amado.
Teriam os sábios algum antídoto
Ou alguma tala, para estancar essa
Fala rouca como se fosse um disco
Arranhado de uma melodia pouca?
Talvez algum asceta tenha o caminho,
A seta para o recanto do repouso
Da alma cansada dessa mandala incerta,
De um amor que nem me toma
E tampouco me liberta...

AMO-TE


Umberto Buffa

De onde vem esse sentir
Que transporta-me ao existir
Da posse de ti no ato de despir.
O ar que respiro, teus suspiros...
Essa névoa que nos envolve.
Perfumo-te com meu cheiro
E sinto em teu pulso um coração
Acelerado, que descompassado
Segura-me em teus braços.
Lânguida...na devassa da paixão.
Esplendidamente entregue
Vasculhando teu corpo
Mordiscando estes lábios,
Molhados, prontos
Que na noite negra
Sorvem-te.
Absorvem-nos.
Ouço o tempo em clamor
De teus gemidos...
Ah amor...se soubesses o quanto
Quero-te e que te carrego dentro
Desse invólucro, tão arraigado
Muito além desses desencontros...
Entenderias porque digo:
Amo-te!

FAZER AMOR NA POESIA -II




Aquietarias tua alma se recostasses
Tua cabeça em meu peito, com jeito,
Para me ouvir falar de amor?
Olharias meus olhos para quanto além de mim?
Sou uma garota apenas que precisa
De um sonho paupável...
E qual flor trarias para que eu te sorrisse
E derrama-se em tua boca
O doce que me arde?
É quase noite meu bem,
Seria difícil que eu te visse
E deixasse que fosses, mas minha alma
Aprendeu que só se perde
Aquilo que nunca foi teu.
Saberias o que se passa em mim amor?
Essa febre que me persegue
Essa saudade que me mata
Esse sufoco de tê-lo tão pouco
Ou quase nada?
Talvez quem precisa do teu peito sou eu
Como pouso das minhas asas.
Eu que volito entre teus céus,
Em tons pastéis e te pinto
Em todos os papéis?

Talvez tu me queiras
Além da fusão carnal
Neste nosso jardim secreto.

Onde o amor se faça
Todo dia
Enquanto houver poesia.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O AMOR-QUE EU NÃO CONHEÇO (THE LOVE-THAT I DON´T KNOW)



Há um amor que não conheço
Além do desejo,
Pois não o vejo.

Às vezes enlouqueço
Essa alma confessa,
Pois quando estremeço
Em dias nublados,
Num vôo solo, conturbado
Eu choro - ainda que não queira.
Sem trégua, sem régua
Nego o sorriso brilhante àqueles que
Ainda me querem bem.

Há um amor sem calma- inesgotável.
Enquanto permaneço silente- à esperá-lo
Sinto que perco meu tempo,
O próprio tempo que não me conhece
E que me tece os remédios, placebos,
Fazendo até mesmo do amor um tédio
Enquanto não vem.

É como se fossem as nuvens do céu
Esse choro eterno, e o próprio inferno,
Esse amor que me rasga do além!

Há um amor insaciável,
Intocável que não conhece limites
E que nem se limita a ninguém.

Há um amor que me ama
Que dentro de mim se esparrama
Mas não me tem!


THE LOVE- THAT I DON'T KNOW


There is a love that I don’t know
He lives inside my heart
But I don’t see it.
Sometimes I get crazy
Inside my soul
And the cause
I don’t know…
In the cloudy sky
I fly
In the cloudy sky
I cry
Wishing a sunny day
For a bright smile.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

INESQUECÍVEL FLOR




Quero-te além do sonho que tive
Além daquele pouco que se vive
Num fim de tarde,
Num beijo breve,
Quando o vento me propaga, e
Deixo em ti o cheiro de rosa que
Da alma exala.

Quero-te nas manhãs leves,
Como o jardineiro que me apara,
No mesmo instante que contemplas
Meus espinhos, em que te desfiro
Ranhuras e que preenches as fissuras
De um coração
Que não se cala.

Quero-te em estado de graça,
Dançando-me, além do solo
Amando-me em teu colo
E perder-me nos teus espaços
Em que me esparramo
Dando-me em flor
Em ato de pleno amor...

Quero-te intensamente
Fruindo em ato de torpor
Indescritível...
Em que me revele
Teu maior caso de amor...
Essa tua inesquecível...flor...

DE PASSAGEM




Há dias que não preciso entender nada.
Nem a mim, nem ao amor, nem ao poema.
Prevalece sempre uma dúvida, pequena,
Serena...que não carece explicação.
Talvez aquilo que se explica trinca a magia,
E a poesia fica tão mais bonita, quando
O que se quer dizer não é dito.
Às vezes penso que acredito que tudo
É um sonho, e o amor que te proponho,
Mesmo sem entendimento, é esse
Maravilhoso tormento,
Que me faz sentir tão viva por dentro.
E assim viajo até teus olhos, tocando
Pelos lábios teus cílios, e ainda que
Não me vejas, sentes-me enfim.

Tão dentro de ti.
Tão perdida em mim.
Tão acerca de ti.

E assim quando permeio mundos insanos
E digo que o amor não estava nos planos
É a mais pura verdade, que rasgo e te oferto
Nesse incerto, mas tão sincero encantamento.

Por certo passarão os dias,
E tantos passarão em tantas poesias,
E continuaremos a não entender
Apenas a nos amar
Infinita e
Mutuamente.

O dia foi corrido meu bem.
Só passei para dizer
EU TE AMO.



DAMA DE CRISTAL




Feita assim como se fosse frágil
Um bibelô que fere o gigolô
Quando atirada na porta,
Morta de desejo em contenção abismal
Eis-me tua dama da lua,
Dama de cristal.

Em que noites viram dias
E dias semeiam-me a poesia,
Lentamente junto os cacos
Daquilo que fui, do que sou.
Reviro-te, refaço-me,
Possuo-te em cada estilhaço
Que te tocou.

Em tempo que amor não basta
E a vida casta devasta
O peito remendado, o sonho
Quebrado, corpos
Para todos os lados, é nas tuas mãos
Que forjo novo amor.

E transformada, os fragmentos
Em doce contemplação do poema,
Faço-me em teus olhos imagem da miragem
Pela qual se apaixonou...

Angelical,
Divina
Essencial,
Menina
Olhando além do seu vitral
Amando a quem lhe amava igual...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Rosa AmoRosa




Corpórea flor que me toma
A alma selvagem sem doma
A delicada suavidade labial
Eis-me: tua rosa amorosa.

Morando em mim a prosa
Habitando em ti a rosa
Vivendo essa paixão
Devassando a solidão.

Intrinsecamente dengosa
Explicitamente ardilosa
Deliciosamente bandida
Inexplicavelmente louca
Ardendo no céu da boca.

Envolvendo-te em pétalas
Consumindo-te em seiva
Desejando-te em carne viva.

Em ato de pleno êxtase
Em planos de esplendor.

Perfumando teu corpo
Floral -em posse
Do teu amor...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

MELODIOSO CORAÇÃO...



Minha tinta é o teu perfume
E ainda que sintas ciúme
É na essência das tuas cores
Na beleza das tuas dores
Que te escrevo o meu amor.

Assim amo-te tão simples
Quando em teu desalinho
Descompõe-me nos tons
Dos teus desatinos, nesses
Nossos versos e
Sôfrega - nas minhas volúpias
Desafino o acorde, antes
Que te acorde com um
Novo som...

Dançaria-me na noite das brasas?
Arderia-me nas tuas asas?
Empreenderia quanto dessa
Vontade de ser só meu...
De ser parte desse eu...
Ainda que por um eterno instante...
E flutuando comigo
Em céu de estrelas
Haveria essa fusão...
Dois corpos
Num só coração...

Juntei tua letra,
Minha poesia,
E fiz com amor
A nossa melodia...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

SONETO DA SUBLIMAÇÃO


Quando fiz-me em paixão
Perfumei-me na imensidão.
Extraindo essência de flor
Contraindo da boca o amor.

Em mim ardiam teus rastros
Em mim a lua habitava
E assim em corpo de astros
Em mil girassóis te buscava.

Talvez fosse tua amada, tua santa
Uma história bendita
Que se fez apenas.

Talvez me escolhestes entre tantas
Sendo tua favorita
Como Maria Madalena.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O AMOR – QUE ME AVASSALA



Há um amor silente, sério
Rende aquele delicioso mistério
Faz-se de difícil, indócil, indomado
Como se o sentir fosse forjado
Mas que me arde no plexo solar.
Entrega-se ao ato de amar num sutil
Calafrio, nos pés que se tocam
Nos olhares que se trocam,
No balanço entre eu quero e não quero.
Esse amor ardiloso, dengoso,
Que se machuca e destrói
Que por dentro corrói
Taciturno ao seu turno
Que ferre e desferre
Cheio de manha, que da vida
Apanha dilacerado pelo dia.

Amo pelo cheiro que exala
E que no ato de amar
Avassala
Minha selvagem poesia.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O AMOR - IMAGINADO



Houve um amor sem ter havido,
Pensado, iludido,
Fruto do desconhecido.
Filho da fantasia,
Afilhado da carência
Composto em tramas e devaneio.

Coisas jamais vistas, sentidas
Em lavas de poesia, queimando
Notas florais, fazendo-se querer
Em fontes termais...

Houve um amor que eu queria
Que compulsasse o passado
Que desenhasse o futuro
Que fosse o meu presente.

Extirpando a poeira- o pó
E esse sentir eterno
De que estou
Só.





LUZ



A matéria contorna-me a carne,
Essa forma que insiste moldar-me
Em instantes físicos. Permeio-te qual luz.
Refugo a idéia fixa e aprofundo-me em teu ser
Numa profusão difusa.
Sendo musa ou não, sou humana. Há traços
Do amor, dos braços que tiveram-me e que amei.
Um riso de feixes, um rio de peixes, um campo
De sonhos.
Imersa na natureza dispersa, mergulho.
Olvido o resto de orgulho, dispenso-o.
Penso no dia como uma doce entrega virginal
Com a renovação espiritual que colho do tempo.
O tempo leva a matéria, mas a luz está no espaço,
Além do cansaço, das pequenas e ínfimas partículas
Das gotículas que querem tornar-se luz.
Essa energia amante que move
Superando o dia que se socorre
Em extrema consonância universal
É a razão da poesia, dessa entrega
Literal.