quinta-feira, 28 de junho de 2012

MINHA CASA É MEU CASTELO




Entre as roseiras mais lindas andei
Vi o astro rei
Entre as roseiras de granada passei
Onde o poeta
Caminhou um dia
Onde verteu poesia
Amei.

Entre acordes de amor
Violinos talvez eu valsei
Entre esculturas únicas
De arquiteturas onde já usaram túnicas
Guerreiros árabes o mesmo solo dancei.

Em passos doces
Sinuosos
Como se fosse vento
Serpenteei...

Como se fosse beijo
A um homem
Me entreguei.

Entre as pedras e as desculpas
Entre as culpas e as rúpias
Que não selem as lobas
Desci a montanha  como deusa
Nos labirintos da alma da lua
Apaixonadamente me desvelei.

Conheci os mistérios dos montes
Refiz meus passos nos horizontes
Em cada mosaico, fiz um universo
E desfolhei o amor,
Como rosa do deserto
Em que o meu olhar verteu
A fonte sagrada da paixão

!Jorrando!
Eterna
Além da vida
E da própria
Compreensão...

sábado, 23 de junho de 2012

COMO DA PRIMEIRA VEZ



Há um nó na garganta esperando o instante
Em que te veja
Há um nó na garganta desejando pulsante
Essa boca que te beija.

Como se flutuasse em brancas espumas
Desfolhada
Num caminho de brumas
Desolada
Antes que sumas
Em algum canto do nada.

Há um silêncio que me corta
Enquanto tu não vens.

Quantas horas separam o infinito
Do arco íris
A íris dos arcos
E se existem marcos a serem fincados
Territórios a serem demarcados
Eu sou tua terra, tua seiva
Toma-me !

Há um silêncio que me corta
Enquanto tu não vens.
Conquista-me
Como da primeira vez...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

METAMORFOSE




Eu suprimo muito do que sinto
Como se omitisse parte do que sou
Como se flertasse com a sombra
Em cada passo que dou.

Eu oprimo parte do que sinto
Sangro por dentro como se fosse
Aquilo que não sou. Olho no profundo
Como se cortasse a sobra da dobra do tempo

Por onde vou.

Eu reprimo as ondas dos torpores quando passo
Eu imprimo em mim tantas dores quando lassa
Essa parcela do que sou se exprime no verso.

Eu não confesso! Eu grito quando silencio...

Eu sou o olho que olha
A lágrima vermelha que cai
Eu sou aquela que renasce
Quando o amor antigo morre
E o amor novo de dentro de mim
Nunca se vai!

sábado, 16 de junho de 2012

UM AMOR CARNAL




Já não diga amar se amor me tenhas
Nos desejos todos que contenhas
Das volúpias mil que dilaceraram
Aos espelhos estilhaços obliteram.

Que conheço o sabor da luxúria
Carmim como as silvestres amoras
E se os meus lábios adoras
Não os toma de forma espúria.

Já não diga amar se amor me tenhas
Que o amor não é apenas o que te convenhas
É o infinito sentir além do dessentir
É o estar além do que se quer permitir.

Que a paixão com o tempo se apaga
Como a luz da estrela que só vaga
E queixosa vem me contar da solidão
Pois que amar é carnal e gostar por gostar é perfeição!



sexta-feira, 15 de junho de 2012

O VALE DAS SOMBRAS




Em volta de mim as folha secas que
Flutuam num rio de pranto
No entanto, ainda que me perca
Nos devaneios e desencantos,
Sei que um grande amor vivi.

E se ainda não te vi
E pelo caminho te perdi
Talvez agora te encontrei.

Seja a lança a espada da proteção
O regato a dar refresco da andança
A esperança que de quietude à paixão.

Ainda que eu caminhe pelo vale das sombras
Vinte e dois anjos me guiam até teus braços
Em suaves dobras de tempos e passos.

E se sentires teu corpo dolorido ao despertar
Fui eu que te dancei no etéreo da madrugada
A valsa que teu espírito e o meu puseram-se a amar...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

ALMA DESNUDA




Meu amor, ainda que fique dias sem te escrever
Que fique no silêncio de mim construindo-te
Todos os dias penso em ti com toda sensibilidade
Com tamanho amor, desejo, volúpia que mil versos
Não esgotariam todo esse louco e desmedido amor.

Saberiam os anjos, os seres pequeninos, as falésias
As conchas, as pérolas, as areias que nelas se
Esconderam e viraram jóias que aquilo que escondo
Dentro de mim é o maior tesouro o que importa,
A razão além da paixão que a alma exorta.

Há em meu mar, o amar que queres
O querer de todos os quereres meu doce enlace
Meu doce rogo, minha boca que aquece
O frio além do fogo!

Quando tua boca diz da promessa dos beijos
Como se as glórias não fossem histórias de ensejos
E teu toque transbordasse-me
Como seu tudo que sou fosse irreal
E a fantasia, essa prece em pressa de amar
É tudo que se quisesse!

Estilhaçada carne rosa em flor!
Pura saudade
Nessa vontade de ser teu amor!

Oh ternura que me alucina!
Que minha alma é tão nua
Que amar-te é loucura é sina!

E me sinto despudoradamente tua.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

EU VIM FALAR DE AMOR




Eu querida falar disso todo dia, que se vivesse,
Que se recolhesse orvalhado cá dentro.
Queria que o amor não tivesse preço
Nem interesse que só fosse o amor por si mesmo.

Que me esperasse na esquina que me visse menina.
Que passasse por mim e respirasse o aroma que sonha.
Não queria que a fala do amor terminasse hoje,
Como essas datas de calendário.

Não me dê presentes
Reinvente-se!

Dispenso o teu brilhante.
Aceito o teu espumante.

Que me jogasse dentro
De ti.

E me ama
No regato do mato
No concreto ato
No indiscreto modo
Em que me acomoda
Toda prosa.

Um amor de verdade
Uma paixão que avassale.

Sem o qual eu não seja
Aquela que sou
Acompanhante da solidão
Em busca da derradeira paixão.

É que de tanto amar
A loucura me fez
Desvairada.

Por hoje te quero
Amo em uma vontade
Dilacerada!

terça-feira, 12 de junho de 2012

O AMOR



Que o amor precisa ser amor
Precisa ser leve,
Fluídico.

Há que ser riso
Desses que nos façam encher os olhos
Da mesma água que saliva os lábios.

Precisa ser brisa e nos volite como
A sabedoria das sábias e fervorosas mãos
Que esculpam a alma e nos permitam
Ser espíritos de luz e corpos que se amem
Em transcendência.

O amor há que ser a essência.
O perfume além do ciúme.

Habita-me tanto amor
Que por vezes transborda-me
Da pele em gotículas...

Perfumosas
...
Ardorosas
...
Amorosas
...

É...o amor é...

Mel que te sublime.
Mel lírico..
Mel telúrico...
Mel que te extasie!

Mel
(Do lábio)
Meu

QUANDO UM ANJO ME AMOU




Meu doce bem, meu anjo, ainda que no instante
O amor seja ânsia e se faça saudade concreta
Toma-me mesmo distante, meu príncipe poeta.

Meu divino desatino, meu profeta,
Doce mel que te lambuze
Além das confusões dos teus devaneios
Recosta tua cabeça em meu seio
Adormece
Meu menino.

Dentro de mim te fiz um ninho das nuvens
Plantei a mais linda de todas as flores
Pintei cada uma das tuas prediletas cores
Esvaziei do teu espírito uma por uma
Das tuas dores.

Meu menino, meu anjo
Por ti esbanjo meus arranjos
Meus perfumes e aguardo
O instante em que o céu
Dê-me asas e vento para
Alçar o voo solo!

Que a ti me leve
Breve
Enfim...

Meu Serafim
Ao teu amoroso
Colo.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

{A FERA (E) A BELA}



A FERA


Indomável...toma-me. Saiba que amo com ternura.
Mas habita em mim a liberdade de ser solta de ser
A regra que faço...é sob o molde da minha própria doçura.


Não digo como deve viver cada um que vive
Não vivo como vive cada um que pensa viver
Sou aquela que veio ser apena aquilo que é.


Solta-me se não há amor ou há vontade de doma.
Que amar é aceitar-me e curar a ferida do próprio afeto
Que só pretendo ser a fera se ferires a mim
Meu amor predileto.


A BELA 


(leia agora de baixo para cima)

LOUCO AMOR




Na mística que me contenha
Que seja insano desejo
Que seja planos de beijos
Que desatine

Que desafine

Febril

Arrancando-me vogais.

Na lírica que me convenha
Que seja verdadeiro
Ainda que silêncio
Que seja intenso

Que seja imenso

Na magia que seja real
Na poesia que seja floral
Em meu corpo que te carregue
Em tua alma que te acalante

No jardim de amar
Que esse louco amor
Se
Plante.

MENINA FLOR ENAMORADA




Não vou pensar no amanhã.
Vou olhar o riso de dentro
Vou tirar lá do fundo o primeiro
Raio da vida que me seja.

Vou viver como se tudo estivesse
Completo como antes
E não houvesse dúvidas
Nem as inexatidões ou inquietudes.

Que as manhãs são frutas doces
São purezas, cascatas correndo.
Serei um amor com cheiro de mato.
Com lama nos pés.

Que vim correndo meu bem,
Fui até o jardim...

Colhi-me...estou...

Ainda orvalhada!!!

A primeira flor desabrochada.

E me trouxe

Para ser tua menina flor enamorada...

sábado, 9 de junho de 2012

AINDA QUE NUNCA ME TOQUES




Minha pele de porcelana
Fria como a noite que insiste
Como a saudade que não desiste
Quer teu sol e soul.

Quero um som que dê sentido
Além da moral sem sentido
Dos versos que me param
Nessa febre das palavras.

Nesse arroubo desmedido
Quando caminho em cadência
Surgem melodiosos versos em essência
Muito mais do que uma tara.

Na transcendência do amor
Intensa volito em direção
Da página de amar
Que ainda não virou...

É a boca que saliva/É a pupila que dilata
É a fome que mata/É o nada que delimita.

Eu quero a inspiração que dormita.
A dor que atravessa/A paixão que arremessa
O amor que arrebata!

Eu quero a vida e morte no poema.

Que amo ainda que não te toque
Que amo ainda que te provoque
Que não seja apenas expressão literal.

Ou um vício opilando meu escapismo terminal.
Quero o verso que me possua simplesmente
Amante!

Jocoso...
Tântrico...
Extenuante...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O SABOR AGRIDOCE DA TERNURA



Neste cálice de vinho tinto que te bebo
Nesse enlace doce de amor que te concebo
Nessa face em que me perdoas e que te enlevo
Chora tuas dores que te amo amor meu.

E assim sem saber dos teus horrores
Venha que sou a mais suculenta de todas as flores
E hoje, só por hoje, o frescor de novos sabores
E tu o mais sagrado dos deuses além do breu.

Irei ainda te convencer que não quero ser teu choro
Vencer cada uma das barreiras dos teus desaforos
Erguer-te ao mais alto de mim  - meu Serafim -
Que quando te ferem sou eu que encontro meu fim.

Mil vidas darei a ti, mil essências a te perfumar
Que se a vida te fere eu sou teu bálsamo,
Teu acalanto.

Mil perdões darás a mim porque sabes da ternura
E das minhas tempestades que são as verdades
Dos meus encantos.

E que há muito tempo
Há mais de mim em ti
Que sou alma da tua alma.

Ainda que não te ame
Na sublime calma.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

O CALOR DA TUA MÃO




O calor da tua mão talvez aqueça
O mezzo o meio o intermeio que permeia
Os recônditos obscuros da alma travessa.

Pode ser que seja raro
Pode ser que seja um doce caro
Desses que comprei
Numa viagem.

Pode ser que fique à margem
À pedir carona de passagem.
Que não caiba na bagagem.
Que não traga nenhuma vantagem
Que seja apenas mais uma bobagem.
Ou não.

Pode ser aquilo tudo que procuro.

O calor da tua mão pode ser talvez
Algo que não se pague
Que da mente não se apague
Um vício que me estrague
Um ópio de cheiro tátil
Um gesto hábil
Da vontade que me leve ao lábio
De uma boca que quer o toque
E resplandeça plena
No êxtase de luz própria.

sábado, 2 de junho de 2012

LASSAS




Sob o signo e a máscara de fogo
Nas alvuras desse devaneio voo
Creio que ainda persigo o gozo
O júbilo, a lassa do canto entôo.

Encontro teu corpo em farrapo
Em óleo e incenso te curo nos
Meus lábios te livro do escuro
Erijo-te digno guerreiro exato.

E te bailo na dança que abrasa
E te lanço o torpor que me arrasa
Que se faça o dilúvio de amar!

Ascenda ao meu peito e acenda
Toda indizível paixão que me renda
Infindo amor na noite que teima em me queimar!

QUATORZE VERSOS




Quatorze versos e direi te amo sem enfado
Neste sol nascente da inspiração estrelado
Pela graça da paz de hoje que ao teu lado
Acordei como antes no diapsão apaixonado.

Quatorze versos soltos no universo revolto
Das coisas não ditas dos mistérios ocultos
Do sonho plantado no gozo convulso da vida
Na dimensão única dessa alma entumecida.

Quatorze versos e aqui jaz meu mundo sacrificial
Neste singelo ato de amar que escrevo em punhal
Sem ânsia na serenidade do enlevo essencial.

Quatorze versos para ternamente amar noite e dia
Para dar-te o olhar, o beijo e toda ousadia,
E em sete letras dizer te amo e me rasgar na poesia!