segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

UTOPIA



Quando o meio tem seu fim
Deixei essa insana realidade
Fui sonhar o que a alma pedia
Construindo nova sustentação.

Olhei para dentro de mim
Cada memória de felicidade
Seu paradigma e fiz analogia
Seguindo a intuição.

Se penso e logo existo
Em ser feliz insisto
Essa é a filosofia.

Que venha assim a vida
Recebo-a na exata medida
Daquilo que eu já sabia.

ROSA DE SANGUE



Divina face que chora cravejada de espinhos
Em teu sangue haveria redenção amorosa?
Com o tempo haverá outra flor em teu caminho?
E assim te olvidarás daquela suculenta rosa?

O perfume que se esparramava pelo ar
Fez a terra em pleno gozo jubilar
Fez a noite beijar o sol no entardecer
E a lua ao orvalho se liquescer.

Beijaram-se rosa e divina face
Num instante infindo
Como se tudo fosse sagrado.

E o beijo já não possuía disfarce
Daquilo que já era vindo
E em sangue sacramentado.

domingo, 22 de janeiro de 2012

CARNE ALADA

É em suave poesia que desvelo a alma, incorporo-te.
Banho-me em teu rio de flores, e beijo as tuas dores.
Elevo-te ao cristalino pulsar, das estrelas que busquei
Quando uma luz ofuscou tua sensorial percepção,
Meus lábios sussurraram-te esse caminho
E, ao longe, meu perfume, impregnou-te.
Teu íntimo me sorri, ainda que chores
No silêncio oculto das palavras.
Sublimando, pinta-me.
Desnudando-te
Dizes:
Amo-te
E faz-me tua doce amada idolatrada.
Carne Alada.
Libero-me qual aquilo que imagino ser
Disseco-me cada camada, até decompor-me, qual parte do nada.
Quando assim revelada, no espírito, essa essência decantada,
Musa errante de um viajante, metamorfose dissonante
Semi deusa posta ao banquete do poema
Liricamente volito, movimentos ritmados
Ao passo do abraço do peito que habito.
Borboleta em viva carne, sonata sem fim.
Noite divagante, suspiro que compassa
Noite inebriante, do torpor que transpassa
Resto como o beijo nas cores das minhas asas
Resto como o ensejo nas flores das minhas casas
Resto como o desejo nos amores das minhas lassas.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O AMOR – ANTES QUE SEJA TARDE



Talvez  tu nunca me possas amar, nem um pouco,
Nem completamente do jeito que preciso, da forma
Que minha alma sonha - e assim eu viva de imaginar
Teus olhos, em brilho próprio de meu ópio, amendoados
Sentado no horizonte rabiscando teu destino.
Quando a vida me disse que nada se encontra posto
E que somos o desejo explícito do que resta proposto
Acordei.
Meu amor nada mudou, nem em linha reta, nem em verso
Meu amor mudou nada, nem mesmo a mecânica do universo
Mas de que adianta falar
Se você ainda não despertou?
Vim ver das flores, nesses vales de infindos amores,
Porque se na vida temos mais de um amor, quantos nos
Amaram, nos amam ou nos amarão?
Eu sempre venho ver dos amores, neste vales de infidas flores
Porque se na vida nada é findo e tudo ainda pode ser lindo
Talvez o teu amor ainda me venha,
Antes que seja tarde,
Na mais linda
De todas
As flores.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O AMOR- ESSA REPETIÇÃO???



Por toda sorte...
Irei te amar docemente...
Mas diferentemente...
Em pacto de suave corte...
Nas manhãs de verão
E no outono
Um beijo sereno serei.
No inverno quando
O frio chegar
Serás meu arrepio.
E na primavera
A espera das minhas
Flores, dos meus amores
Sim, pois cada dia
Amo com um amor
Diferente.
Meu amor de menina
Não conhece rotina.
Ama- e promete,
Em pacto de suave corte...
Que irá te amar docemente...
Mas diferentemente...
Por toda sorte...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

UM ANJO EM DIA DE CHUVA

Toma minha mão e esquece.
A tortura das letras que você procura,
Seus lamentos sãos meus, veja, nos meus olhos
Restam estampados! Somos, por certo, semelhança.

Apaga as letras dos outros que ferem
Imprima uma nova perspectiva
Eu sou água viva, transparente,
Em céu de nuvens cinzas.

Deixando universos paralelos, fluí a si,
Nos pulsares belos da divindade que já lhe pertence.
Somos dois corações singelos em vidas míticas...

Sou as asas do afago, sou seu anjo de luz!
Rompi espaço e tempo, vim do limbo,
Para o seu sentir.

UM ANJO EM DIA DE CHUVA



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

BOLERO



Talvez meu coração te gele
Enquanto eu te assopre a pele
Talvez meu coração te ganhe
Se a pele eu te assanhe.

Quem sabe eu te encontre cedo
E pois eu já não tenha medo
E assim revele meu segredo.

Porque se o amor não faz alarde
E vida se renova toda tarde
O céu se encontra no oceano
Será que existe algum plano?

Porque não existe meio termo!
Apenas me concebo entre extremos
E muito pouca coisa me agrada
E me prefiro só que
Mal amada!

Não venha me falar das flores
Não venha me contar das tuas dores
Nem ouse me dizer que ela te ama
Me ame agora
Ou vá embora.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

FINA FLOR MENINA



Havia uma flor menina,
Morava no céu, cercada de encanto,
Tecia um manto de seda sem ser bicho
É que não lhe deram limites
E nem lhe disseram o que seria impossível.
O sol e a lua, adotaram-na e bordaram seu manto
De infinitas estrelas.

Havia uma flor tão fina,
Que o céu fazia rir, que a noite fazia cantar,
Que tramava com o sol doces bolos
E serenava a luz do luar.

Havia uma menina tão flor
Que lhe tocava a alma o poema de amor.
Mas e quem disse que flor tem alma
Mas e quem disse que flor não tem?

E aquela menina, fina flor,
Brincava linda, em esplendor,
Com o sol e a lua
Em seu manto de seda,
Cravejado de estrelas e
Todos os dias, as cinco,
Serviam chá,
E as nuvens eram seu majestoso sofá.






O AMOR-ESSE SER



Hei de amar ainda que não me ames
Que amor não pede troca-ama por inércia
Desprendido de si mesmo-vontade autônoma.
Complexo, alienígena é o amor,
Pois me transporta a mundos-outros além de mim.

Hei de perdoar, por certo na medida indivisível
Sendo o amor um ser crível, perplexo
Aceitá-lo ou consumi-lo é ciclo profético.

O amor não se toma, não se leva
Sua consistência não se mescla
Qual óleo e água.
Sua natureza é de elemento intransmutável.
Já a paixão é alquimia-um pouco a mais
Ou a menos e temos-um sem fim de ti
O nada de mim-a eterna vontade dos seres.

Enquanto rasga-me a paixão
O amor é linha e agulha
Enquanto salva-me o amor,
Por ser o todo,
A paixão é mera fagulha.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

CORAÇÃO DE FERRO



O amor em flecha tomou meu peito, e em pleno leito deu-me um coração de ferro.
Como crer no que não se vê quando aos berros, trancado,
Segue açoitado da clausura da capela.
Preciso de novas taças, de noites de graça
De relâmpagos que me consumam, de amor que se consume ao menos
No sangue de um lindo poema – não temas, sou eu, redima-me do amor.
Haveria um rastro daquele por quem meu verso cravou a estaca no papel?
Ou seria o céu perversa testemunha das unhas que te cravaram a carne!!!
Quanto da poesia merece poesia, porque certas letras me jogam em labirintos
De lobos famintos que caçam a desculpa propícia para a malícia desferirem.
Ontem era madrugada, e li um sem fim de poemas – de outras eras de tempos
E aquele tempo jogou-me para longe enquanto amanhecia
E os sinos tocavam como o pulsar decorações de metal,
Cadenciando incólumes suas próprias dores de seus desgraçados amores.
Nem a dor mais me suporta. Tentou cortar-me a aorta em golpe de espada.
Mas teve sua lâmina quebrada, e assim, na madrugada
A senhora da Lua, sempre nua, canta o acalanto do encanto traduzindo
Em gotas de letras seu próprio pranto.
Talvez seja ancestral essa necessidade de queimar e alcançar alguma redenção.
Hoje não tenho nada além de mim, e, ainda assim, vim te falar das flores, estão sós,
Naquele mesmo jardim de juras, de almas puras, da inocência preservada.
Sinto-me o próprio nada de sempre, sem teto, um feto ainda no ventre, sem mãe,
Sem qualquer direito de sequer olhar ao espelho, mas absorta em meu próprio
Batom vermelho, reflexo do invólucro muito aquém da alma que encerro.
Meu coração é de ferro, do plural devaneio que impero,
Guardo-te velado, em esconderijo próprio
Em uma gaiola de aço, até que tuas asas estejam fortes
E que esse ópio seja a nossa sorte, e não a nossa morte.
Não retornei, porque nunca parti. Um coração de ferro.
Quase terno, mas um tanto férreo
Sou esse ser cujas asas volitam no céu ao esmo
Na eterna procura de si mesmo.

A VIDA -ESSE MISTÉRIO


Seria um mero modus operandi, em que se prega
O prego e se emprega uma regra de dois pesos e duas medidas.
E a vida esse pivô que dilacera a espera, ou vice e versa
Ainda versa o meio de sentir.
Confesso -não entendo:
Porque o sábio espalha o conhecimento na rua,
Na carne crua, no espaço público, pudico e aliterado.
Mas em casa!?
Nada!
É aquele velho ditado...santo de casa não faz milagre.
Milagre é coisa que independe de quem acredita, de reza,
Pois acha que quem se preza se posta ereto
Olha o teto e só contesta
Quando acha que a festa vai valer o gasto do sapato.
Paro e penso que nessa conjuntura, vivo esse hiato
Essa vontade de correr- mesmo sem preparo-
E ver se me encontro, no mesmo ponto que me perdi.
Até onde o senso comum é comum, até onde ser mais um
É o exercício de acordar ou concordar?
Existem sábios que disseram que nada sabiam,
Outros te dizem que tu nada sabes, professam verdades
Ocultam mentem.
Sempre, debaixo do pano há o engano
A imperfeição do ser humano,
Mais um dia, um mês, um ano
É sempre a fome de compreensão que impera,
Em qualquer era, essa espera, quer seja
Na casa do sábio, do tolo, do pouco probo
Daquele milagre que o incrédulo não crê
Mas que no fundo implora que venha a acontecer.

O AMOR-QUE NÃO SE VÊ

Houve um amor,nunca antes visto
Sempre quisto, sempre esperado.
Hoje é lembrança, sem nunca ter sido
Plenamente vivido e assim foi levado.
Hoje é um trago, desses que trago
No peito guardo, na alma calada
Um quase nada, um eu desmentido
Um pranto sentido chorado na estrada.
E o que não vejo, contudo ainda quero
Tão sem medida o amor ainda espero
Lastro de vida, vida em poema
Quanta celeuma do amor nos separa
Vida que não para, que gira em si
O amor, estava ali, mais nunca foi visto
E ainda assim fazia história
Ardia na memória
No ritmo da solidão
Fruto quem sabe da minha
Imaginação...

domingo, 15 de janeiro de 2012

A FÊNIX



Meus cabelos dourados são leves ao espelho
Como plumas bailam em fluidez dos meus loiros pelos,
E assim, semi deusa de mim
Asas me dou, em batom carmim
Ao fogo da alma que arde sem fim.

Há vida e morte, sublimadas
A paixão da ressurreição deixou-me marcas.
Espírito cíclico - incendeio- e piro
Miro o tornado em vento de chama
Da vida que chama
Em pira de canela, sálvia e mirra
Do cosmos que me clama.
Esse devaneio que me inspira.
Dessa alma que ama.

Qual lira em transformação
Buscando a exata expressão
A lenda em mim se acende
O torpor da carne se desprende
Em liquidez qual favo de mel
E de luz cuja imanência desvela o véu.

Vim mudar a ordem do universo, pura
Ser novo prisma sideral, doçura
Percepção sensorial, loucura
Paradigma mitológico, fissura
Em corpo de girassol fundei
Minha essência - guerreira
Minha dor se fez passageira.
Minha vida se faz este instante
Meu futuro brilhante.

E minha alma qual centelha
Em deleite, de pleno vôo de gozo em aceite
De todas as formas que tomo
Dos veios e amores que domo
Assim em ternura bendiz
Minha eterna sanha de ser feliz.

O AMOR- ARMA BRANCA



Em corte preciso do impreciso veio a mim
Um termo indefinido, aquele verbo terminal.
Talhei sem trégua, em madeira, em lascas de pele
Em trato visceral, levada, como água em boca
E boca amanteigada em corte de punhal.

Parece que você chega hoje, sinto
Trazendo afiado consigo novo veio
Que anseio nunca tivesse sido apartado,
Cortado ou levado de mim, é como um rasgo,
Que suturo quando sempre o que me mata
É arma branca.

DIVÃ



Quem disse que eu sou a dona da verdade
E que a liberalidade resta assim estática.
Houve tempo em que saber o que se queria
Era mais reto que o concreto da selva
Que arrepia em plena luz do dia.

Toma tua dose, recebe por osmose
Um pouco da zorra que te atrofia
Que na vida, só a ilusão é doce
O resto!? Pífia psicologia...

O AMOR ESSA LOUCURA



O amor, esse vazio, avolumou-se na alma 
E jogou-me, despreparada, ao chão de um abismo mudo.

Sentindo-se o único, uno, tudo, o amor enlouqueceu.
Escondeu-se em um heteronômio,
Erigiu seu próprio manicômio.
Singelo ele diz que me ama
Que há muito a se viver e morrer.
É o que leio, de suas cartas, 
Pois já não me deixam vê-lo
Dizendo que a loucura contagia.
Talvez não exista cura nem anestesia
Que tire a dor do pobre amor,
O qual esquarteja-se e se desfaz
Louco, pouco a pouco.
Enquanto isso mergulho em mim
Vendo ao longe o amor
Em seu triste fim.

DAS HISTÓRIAS SEM FIM NEM COMEÇO



Era como se fosse uma lenda, e o arrependimento
Seu próprio dragão, sem piedade camuflando
A pseudo verdade – de um conto de ilusão.
Era esse mistério improvável, essa comiseração
Por alterar o próprio rumo de sua história.
De uma memória que se reprogramava
Ao longo de horas de meditação.
Rezava, prometia, avençava e transmutava-se.
Cada personagem era uma criação de si mesma,
Das vontades, das liberalidades que desejava
E ainda temia as conseqüências da própria encarnação.
Dançava em flores, em amores, em karmas,
Na fluidez matinal e no frescor dos olhos.
Correu de si, tomou o mundo cedo.
Tomou o medo pela mão e disse que o levaria a um passeio.
Os ao longe em um diálogo sereno
Como aquele veneno lento, perigoso que toma conta
E te convence ser o mel dos tempos.
Espero que a criação não suplante a criatura,
Que a alma encontre o que procura
E que a paz seja o novo licor dos homens.
E quem sabe um dia ela retorne, leve, sem o medo
Dizendo-me tê-lo redimido de si mesmo.

UM SANTO PERDIDO



Era um santo que deixou o altar,
Cansado de ter percorrido a fé abalada
Deu-se ao nada e perdeu tudo.
Mudo, pouco falava, sendo que palavra
Não lhe faltava, mas estampou-se no absurdo.
Escolheu arrependimento, ungüentos, amargura
Nessa desmedida ventura de opilar a si
Sorveu seu próprio veneno.
Já não lhe importavam os disfarces
As noites varridas para debaixo do capacho
A pouca lucidez lhe despiu a mente
E dizimou o que lhe restava.
Hoje vaga, procura seu espaço
É como um desses vassalos que já foi
Senhor de feudo e hoje, capenga, persegue
Uma outra religião que lhe diga o que fazer.
Um rol de dogmas, de penitências
Porque se santo de casa não faz milagre
Esse ai está longe de dizer amém.
E de fazer qualquer bem também.

A MONTANHA



Penso tanto em ti que é seco o pranto que choro
Como a vida que laboro fugidia de mim.
E essa estrada sem fim de estrelas gastas e de
Pouco brilho é o trilho de um imaginário trem
Enquanto por inteiro você não vem.

Desfaço a mala, de volta em casa
Buscando um destino, talvez o sul
Talvez o céu, em alguma montanha,
Pois quando Maomé não vem,
E nem a montanha caminha
A solidão se avizinha na noite que me tem.

E fosse uma noite um curto espaço,
Mas noites são abraços que não quero
São monstros e me oblitero
Enquanto segue a vida e em mais um
Triste e infinito dia ainda te espero.

E talvez quando você se dê conta
Que a vida passou
A montanha terá finalmente partido
Para algum novo destino
Em busca do verdadeiro amor!

INEXORÁVEL VONTADE DO SER



Há que se querer amor.
Amor sublime amor nada menos.
Amor sem parenteses, paredes
Sem mundos que te levem
Sem solidões que te abreviem.
Nem abandonos que me congelem.

E quando a paixão te bater à porta
Breve, responda do amor que tens
Da luz que te expõe, rasgando
Que o sonho de amar é tudo, ou não,
Pois um beijo é um beijo
E um desejo a soma de todos os beijos.

E mudo ao mundo brade
A razão de que te invade, ou a falta dela...
Esse punhal que te tornou amante, embora
Vás embora em sede de se encontrar
Sob o risco de me perder.

É que a alma não se curva à distância
Nem a neblina turva o amor
Nem eu me liberto da sina
De ainda te pertencer.


É na leveza que me liberto de mim mesma.

POEMINHA



A vida é assim uma roda
Gira a ciranda,
Gira o dia, gira o verso
Na poesia,
O amor é ciranda
Que gira -sem parar!
Mas quando toma encanto...
O amor, toma o universo
Que gira no beijo...
Do enamorar...
Vamos cirandar?

O CORDEIRO



Matastes o Deus que havia em ti
Quando supuseste a ira e o destempero em mim.
Houve dias de luz entre nós, taças de cristal,
Maças e pêras.
Mas tua voz que somente ouve a ti,
E que interpreta as escrituras como vítima da vida
Tornou-te ímpio.
Regula teu ser na beleza de dias que te guardam
Que o teu Deus é meu e só a ele escuto.
A mim guarda doçura, esplendor e troca
A amargura que te dilacera por laços de amizade.
Tempera tua palavra no vinagre bento
Nos campos de alecrim, que a alegria te alcançará.
Não é o sangue do cordeiro que purifica,
Nem o sacrifício do inocente.
É a resolução interna de que Deus em ti
Se faz presente.
Guarda as armas.
Guarda a perfídia
Liberta-te do ódio,
Traz a terra a mensagem do santo espírito.
Segura a paz no teu ombro
E perfuma teus passos na plenitude.
Foi a luz de um olhar que amei.
E que para sempre levarei comigo.
Deixa, ao menos, eu pensar em devaneio
Que em algum meio te amar vale essa pena
Que trago no seio de menina pequena.

A VIDA - DE TARDINHA



Chamei a vida para um café, em casa,
Lá fora o vento brincava com as árvores
Enquanto o forno assava um bolo de milho cremoso.
Um gato no meio da sala, sentado, naquela posição
De durmo ou não durmo-eis a questão.
A vida chega, se assenta, conta um conto, toma
Um gole do café enquanto proseia as coisas
Simples, a beleza das flores, a inocência que ainda guarda.
No rádio aquela canção que aquece como o sol pós chuva
Dando cor ao agora, uma satisfação por dentro e por fora.
No ar o cheiro de bolo, na mente a saudade latente
Passei outro café pra essa vida linda como ela é
E que fala de fé entre uma pedaço e outro do bolo.
Depois ela se espreguiça no sofá...em paz...com o amor.
Duas crianças dormem na sala: o gato e a vida.
Os observo e penso tomara que a vida continue assim,
De bem consigo, passando a tarde comigo,
Sem pensar que vive sozinha,
Sorvendo o prazer de um café com bolo
No sabor de um carinho de tardinha...

SUAVE VENENO



Enclausurei-me por tempos, dias perdidos
Horas imprestáveis jogadas ao vento.
Catapultei-me acordada, iludida,
Qual fosse um doce lamento.
E sabia que tinha culpa, por tê-lo desejado
Sabia sem desculpa, mas o coração ingrato
Agia sem consulta prévia, sem licitar.
O veio da vida virou seu veneno
A vida no veio num lábio pequeno
Um lábio de fel se escreveu no papel
E o próprio céu chorou, a cura,
Caíram cristais de mel em doçura
Recobrindo-me a pele, as asas
Redesenhando-me o caminho de casa
Liberando-me daquela angústia
Sorvendo meu livro de mágoas.
Refuguei por dentro o mau amor
Que desmerecia aquela flor.
Do futuro ainda não sei -acordei agora-
Mas delineio um sonho sereno
De ser livre, inteira, plena
A fazer que o viver valha a pena
E ser imune àquele suave veneno.

ILUMINA-TE



Pugnastes a salvação dos dias, dos olhos.
E fingistes que já não mais me vias.
Em vias escuras de suposições abstratas
Das tênues nuances em que o nada tudo podia
Tua pele ardia da paixão que ainda te queimava.
Respaldei-me em Deuses, em anjos, em doses de morfina
Rogando por toda sublimação que outrora fora pretendida
Mergulhei em profanas lacunas de vento
Para que os fantasmas te dissessem
Acalma teu ser, é tempo de apaziguamento,
Mas a mensagem que entendestes fora outra e
Enclausurastes teu passo em teu próprio cárcere,
Pronto para atirar o punhal em minha alva face
E lançar sangue em terra santa.
Ficastes acuado, quando o que eu te dizia
Era que era eu quem tinha medo.
Segue em paz eu não sou bélica rosa.
Já estou longe em outras terras,
Em outros ventos de prosa
Onde sinto a brisa qual um novo pulso de sentir
A do amor possível.
A do amor tangível.
Assim, livre da loucura
Cravejo as estrelas de brilhantes
Para que iluminem o meu caminho.
Rogo ainda aos monges, que ouvem a minha confissão
Para que a mesma felicidade que me abraça
Redima-te da nossa imperfeição.
Encurtei o dia e fui para uma sombra fresca
De água cristalina.
Daqui a muitas luas, quando a vida tiver passado,
E minha alma madura de ouvir o canto dos pássaros,
Já terei escrito meus encantamentos.
De ti não saberei o que houve, se recuperastes a chama da vida,
Se tua pena foi branda, se cicatrizou a ferida,
E talvez me chegue algum mensageiro,
Dizendo-me que o perdão tornou-te nobre e relatando tua bela prole.
E, quem sabe, após minha passagem, sem drama, sem dó
Eu sopre ao teu ouvido, retornando ao pó
Que quando a luz se apagou
Eu não estava mais só.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O AMOR -ESSA VIAGEM



O amor diz que vai embora, quer outros ares
Mares outros sem desencontros
E que os escombros de nós sejam
Os novos alicerces para quando ele retornar.
Que precisa se encontrar, sozinho
Em algum canto do mundo da ilusão.
O Amor fez as malas e viajou
Foi carimbar o passaporte, no norte
Ver os gringos gastarem seus ditados populares
Consumirem e fazerem esse jogo
De cartas marcadas de tudo ou nada
Em que o meio termo parece coisa de pouca fé
Quando na verdade é a busca do equilíbrio
O que verdadeiramente importa.
O amor passou pela porta
Deixou um rastro de ciúmes,
Não sabendo se me encontrava na volta.
A vida é isso. As partidas, as incertezas.
A vida é isso. As chegadas, as surpresas.
Se o amor voltou!? Sim e trouxe mais que presentes.
Resgatou o velho amor do qual minha alma
Sentia uma infinita saudade...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O AMOR-QUE ME AMA



Dei-me o direito da felicidade, de acordar tarde,
Em paz comigo. Comecei a tempo, que o hoje
Acabou de começar.
Há um sabor de café e mel, de camomila e
Torrões de açúcar.
No céu da boca -derretem - e adoçam a alma.
Dei-me o direito de amar, intensamente,
De amar a mim, o hoje, e até mesmo o amor,
Que amanheceu comigo, e me beijou as têmporas.
Acordo ainda lentamente, lânguida, sentindo
Que o aroma sublime da vida é a essência do carinho,
Consigo e do amor que me ama.
O amor está me ensinando a me perdoar,
A aceitar que a face imperfeita faz parte do todo
E que o todo me recebe em minha incompletude.
O amor fica me lembrando que preciso focar no hoje
Em me preocupar menos com o amanhã, que insiste,
Por vezes, a martelar, sendo que ainda sequer existe.
Dei-me ao direito de mesmo parecendo louca
Ouvir a música no silêncio de mim e a cantar pelos olhos.
Percebo que o que sinto por vezes não se explica
E que a vida na verdade é simples, é agente que complica...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O AMOR -AUGUSTO


Trago além dos tragos e dos afagos
Uma inquietude, um final sem fim
Um elo perdido qual partido o tempo
Em arrebatamento de uma tarde em Roma.
Em fontes que jorram, plácidas
Em praças que tornaram-me ácidas
Descompus o espaço-degladiei-me
E sou o verde espaço de um lábio que ama.
O amor tem nome. Endereço.
Morou na rua da saudade, hoje partiu.
Mas segue robusto, augusto, quase lenda.
É essa querência que transforma o dia
É essa ardência que aflora em poesia
É essa transparência que a alma anseia
É a ceia, o transformar de um sol
Que arde, tarde em Roma
Nos braços de uma bela dona.