quarta-feira, 23 de maio de 2012

AMAR É...





(Dueto  Mirian Marclay Melo
 e
 Claudia Morett)

Ainda que os horizontes tragam o floreio
De um grito insano que não quer calar
Há mais em mim nessa busca sem receio
De compreender a grandiosidade de amar.
Ainda que metafisicamente haja a minha fusão
Com a profusão das formas universais
E o sonho a esmo quebre o coração
Ouço rumores de vozes ancestrais.
E que algum anjo me leve, me eleve além
Das estrelas cujas pontas são meus ais
E sobre tudo que me sobrevém,
Além de tudo que não vejo mais,
É no sagrado de mim que habitam
As causas do amor que me são primordiais.
Saberiam os mesmos anjos celestes
De fato o que é amar!?
Em suas majestosas lilases vestes
Volitando a esmo livres sobre o mar
Compreenderiam a mão ausente que me despe
E esse desejo em brasa a me queimar!?
Assim indago sem que te fira consciência
Qual é do amor a verdadeira essência!?
A mão confusa vaga a procurar
O puro despertar da consciência
A verdade que conjuga o verbo amar.
O vulto que revela aquela ausência
O passo intrépido fazendo o caminhar
E todos os rumores de almas ancestrais,
Dores antigas que não me são mais
Olvido ouvindo a voz e o silêncio
Perdida entre os sons e os sinais.
Mergulho a alma no horizonte imenso
Buscando aquela sombra ancorada em algum cais.
Dores antigas que não me são mais
E faço tudo ao inverso do que penso
Que o amor é voz, silêncio e paz
Odorífera flor, fogo e incenso
Coisas pequenas que não cabem mais.
No vazio oco das coisas que venço
Nas dores antigas que não me são mais
E nos anos desenrolados incólumes e eventuais,
A busca de mim, de ti e dos teus sinais! 

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